quinta-feira, novembro 06, 2008

TODOS OS CAMINHOS VÃO DAR AO RIO...

"TODOS OS CAMINHOS VÃO DAR A ROMA" - frase corrente aquando da expansão do Grande Império Romano por toda a Europa...
É assim em Alcoutim,TODOS OS CAMINHOS VÃO DAR AO RIO... A atracção que exerce sobre o Alcoutenejo é enorme.Todos os dias temos que o ver, estando lá, é bálsamo...
O João André adora ir a Alcoutim e, desta vez, mal chegámos fomos direitinhos ao rio, é assim que sempre acontece.
No cais velho há uma escadaria de pedra da região, conheço-a assim desde sempre, e descemo-la com algum cuidado. Abeiro-me da água, descalço-me e ele olha-me admirado.
_ Vais molhar os pes?
_ Claro, descalça-te tambem...
E ali ficámos sentados a chapinhar,com as pernas a balançar na água, observando os barcos que passavam, que chegavam e partiam para Sanlucar. Alguns garotos mergulham rio jnto do cais novo, mesmo ao lado onde uma corveta da Marinha está ancorada desde a véspera.

Vou-lhe contando histórias, retalhos de cenas vividas por ali em cada palmo de chão, e de repente digo:
_Queres ir a Sanlucar? É só ir e regressar...
Claro, ele está ali para concordar com tudo e adora as minhas " surpresas". Calçámo-nos à pressa porque acabava de aportar um pequeno barco.
E lá vamos nós...A viagem é rápida e quem encontro logo em Sanlúcar mal ponho o pé em terra? O JESUS, um dos meus amigos espanhóis!!!...Bom, já valeu a pena. Eu começo a falar castelhano com ele e ele a falar português comigo...Mal nos demos conta, desatámos a rir à gargalhada...


Sanlúcar continua parada no tempo!
Era hora do calor, hora da " siesta" e não se via ninguén.
No Bar do Estrela, que agora tem outro dono, o som do flamenco...
Comprámos umas guloseimas e regressámos.
***
Do João, meu amigo POETA

Se foste até Sanlucar
O “ Jesus “ foste encontrar
- Esse gordinho a teu lado;
Se um dia tirares assim
Uma foto junto a mim
Já não fico…envergonhado!...

Também me hás-de lá levar
E havemos de ir ao tal Bar
Num belo fim-de-semana;
E depois para relaxar,
Eu também quero molhar
Os pés no teu Guadiana!

Falas do teu Alcoutim
Com tanto carinho, enfim,
Que estou morto por lá ir;
Mas eu tenho a sensação
Que se pisar esse chão
Já de lá não vou sair!...

Um beijo, e não te assustes...
Teu amigo João.

quarta-feira, novembro 05, 2008

COMO IR E ONDE FICAR

Turismo

O concelho de Alcoutim, com os seus 576,57 quilómetros quadrados, pertence ao distrito de Faro e situa-se no canto nordeste da região natural do Algarve, no denominado Sotavento Algarvio.
Tem a ribeira do Vascão a separá-lo dos concelhos de Mértola e Almodôvar a norte, faz fronteira a oeste com Loulé e a sul com Tavira e Castro Marim. Longe das multidões e da agitação dos centros turísticos do litoral algarvio, Alcoutim é um paraíso de tranquilidade entre a serra do Caldeirão e o rio Guadiana, fronteira natural com a vizinha Espanha.
A vila de Alcoutim é a sede deste município com apenas 3 770 habitantes (2001) e que se subdivide em 5 freguesias – Alcoutim, Pereiro, Giões, Martinlongo e Vaqueiros.
A região mantém bem vivo o seu artesanato, eminentemente ligado à vida rural, com peças que vão das tradicionais mantas de lã ou de trapos, à cestaria em cana e vime, olaria, bordados e rendas, toalhas de linho, arranjos florais em palha de milho, bonecas de juta, e tantas outras. A caça, a carne de porco e de borrego, e o peixe do rio constituem a base de uma rica e diversificada gastronomia, onde se destaca também uma apetitosa doçaria que reflecte, em grande parte, a abundância de mel, figos e amêndoas do Algarve.
Como chegar
O concelho é servido por dois eixos de estradas. Um no sentido norte-sul, a Estrada Nacional 122, que o liga a Mértola, para norte, e a Vila Real de Santo António, para sul; o outro, no sentido nascente-poente, a Estrada Nacional 124, que liga a sede de concelho a Martinlongo, Cachopo, Barranco do Velho, com ligação à antiga estrada do Algarve.Os dois eixos cruzam-se a 6 quilómetros da vila de Alcoutim, nas chamadas Quatro Estradas. O troço que liga o cruzamento à vila é a Estrada Nacional 122-1.
A grande novidade do acesso terrestre a Alcoutim é, desde Junho de 2005, o IC 27, uma via rápida com ligação directa à EN 122, em Monte Francisco, para sul e que, quando estiver concluída, ligará ao IP2, em Albernoa, a uns 15 quilómetros de Beja. Por enquanto, o IC 27 só chega ao nó de Alcoutim, situado a 8 quilómetros da vila, sendo a ligação a esta assegurada no essencial pela EN 122-1. Com esta nova via, Alcoutim fica a pouco mais de 20 minutos do litoral e das suas praias. A Estrada Municipal 507, marginal ao Guadiana, é outra acessibilidade especialmente recomendada pelas magníficas paisagens que o rio e as suas margens proporcionam. Para quem vem de Mértola, pela EN 122, pode ser tomada logo a seguir à povoação de Santa Marta. Para quem vem do Sul, pela mesma EN 122, pode ser tomada uns quilómetros a seguir ao Azinhal. O IC27 também tem uma ligação à EM 507 assinalada com a indicação Foz de Odeleite.

http://www.cm-alcoutim.pt

Reminiscências de um tempo distante...

Todos suspirávamos pelo Verão...
Havia os que estudavam em Faro, em Beja, em Huelva...
Naquele tempo, na província, não tínhamos as escolas que há hoje e apenas nas capitais de distrito havia Liceu. Com o término das aulas, que em Espanha coincidia com o nosso, toda a juventude confluía para as suas terras.Íam ser 3 meses de alegria, de sã camaradagem e, se o responsável da Guarda Fiscal nos deixasse, ía ser um ir e vir. Não estávamos na U.E. e as fronteiras estavam fechadas...


Revivo com saudade os banhos no rio e na ribeira, os passeios de barco a remos, os encontros à tardinha cá ou lá... As idas p'ró cais ao pôr do sol, os pés na água...o som da corrente nos pilares do cais, aquele cheiro do rio, as garças brancas a esvoaçar... Que saudades!...

Recordo as sevilhanas, o flamengo... aquela música que tanto nos fazia vibrar...A música deles, suplantava a nossa em ritmo, em alegria. Também cantávamos muito as modas alentejanas... Nada de danças e cantares algarvios... nós ali, estávamos muito longe do outro Algarve... Na raia com a Espanha, na fronteira com o Alentejo... era ali que estavam as nossas raízes. Recordo muitas - " Trigueirinha alentejana", "Moreanes é meu povo", "Lírio roxo do campo", "Fui colher uma romã", etc... ninguém se lembrava da "Tia Anica de Loulé"..., nem do "Baile de roda mandado"...

Por isso, sinto uma grande atracção pelo Alentejo e tambem pela Espanha, embora adore o meu País. Quando é possível, perco-me na noite de Sevilla ..." siempre me voy en las bodegas de la ciudad ya que me encantan el flamengo y las sevillanas ..." e do Alentejo "os comeres" - Pézinhos de coentrada, as açordas, as sopas de tudo: de peixe, de batata, de tomate com ovo escalfado... Bolas, começo a ficar com fome!!!!!!!!!!!!!!!

Mas continuando... Tinha uma amiga, a Irene, que morava fora de Sanlucar. Na 2ª curva, subindo o rio, ficava a casa dela. Muitas vezes, aos domingos, metíamo-nos num barquito a remos e lá íamos lanchar com ela; ainda fico com água na boca ao recordar o gostinho do chouriço feito em casa... como ela vivia muito isolada, a mãe que era de origem portuguesa, adorava que a visitássemos.
E o Diego que casou neste lado...nunca vi paixão assim...
E o Julio... Não era o Iglésias, era outro...Foi a minha primeira paixão, mas não foi o meu primeiro amor...prova provada de que nem sempre uma paixão se transforma em amor. Nunca mais o vi...Tínhamos 13 anos e num passeio de Catequese ... (quem ainda se recorda do Franciscano César??? ) fomos num piquenique ao Castelo de Sanlúcar... de mão dada, imaginem, na década de 60!...
Depois havia o "cara larga", como era feiozinho, nem o chamávamos pelo nome...mázinhas!!!...
O Jesus que continuo a ver, a Angélica, o Miguel Angel e outros ainda do lado espanhol que o tempo foi apagando...
Estas lembranças são retalhos de vida que me dão muito, muito prazer recordar!...

SITUAÇÃO GEOGRÁFICA, Interesses e Gastronomia

O concelho de Alcoutim situa-se no algarve e ocupa uma posição fronteiriça com Espanha.
A sede de concelho, com o mesmo nome, encontra-se na margem direita do Rio Guadiana, em frente a San Lucar del Guadiana.
Noutros tempos, a vila de Alcoutim serviu de palco para muito contrabando, o que reflectiu nos dias de hoje grandes laços culturais e amizades com os vizinhos espanhóis da margem esquerda do rio.

INTERESSES
- caça
- artesanato tradicional
- arranjos de flores
- renda de bilros
- tecelagem
- olaria e cerâmica
- cestaria
- empreita
- produção de aguardente de medronho

GASTRONOMIA
- Açorda de galinha com grão de bico
- Caldeirada de lampreia
- Doces de amêndoa e figo.

(alcoutim.net)
E mais coisas... DIVINAIS!!!... que vos digo eu!...
Cozido de grão, ensopado de cabrito, peixinho do rio cozinhado de muita maneira...
As filhós e os nógados de mel e amêndoa que nunca comi em mais lado nenhum...
(A grande especialista era a D. Ana Brandoa, só ela sabia o segredo, mas transmitiu-o às amigas, felizmente!)

De fazer crescer água na boca!

sábado, novembro 01, 2008

Origens e História


Longe do bulício das praias do Litoral, Alcoutim ainda conserva muitas das tradições enraizadas por uma cultura milenar. A sua paisagem singular, com o Rio Guadiana serpenteando as vilas ribeirinhas, dão-lhe um cariz nostálgico. Alcoutim é um concelho com história, patente no harmonioso Castelo e nos inúmeros vestígios arqueológicos, localizados nesta terra, escolhida
por diferentes civilizações. Uma terra com carisma, onde o artesanato tradicional representa o elo de ligação da sua cultura através das várias gerações de Alcoutenejos. É assim Alcoutim, uma reserva turística para aqueles que são atraídos pelo pitoresco, pela natureza e pelas tradições.
História
As origens de Alcoutim devem remontar ao Calcolítico, onde se terá fixado uma tribo celtibética, Nos princípios do século II a.C. foi ocupada pelos Romanos, que lhe deram o nome de Alcoutinium. Em 415 foi conquistada pelos Alanos e um século depois pelos Visigodos. Durante 73 anos esteve sob domínio bizantino, entre 552 e 625. Nos princípios do século VIII passou para o domínio dos Mouros, que fortificaram a povoação. Em 1240, no reinado de D. Sancho II, Alcoutim é integrada no território português e em 1304, D. Dinis dotou-a de foral, mandando reedificar as muralhas e o castelo. Este monarca doou a vila à Ordem Militar de São Tiago. Aqui foi celebrado um tratado (Paz de Alcoutim) entre o rei de Portugal D. Fernando I e D. Henrique, rei de Castela, que pôs fim à primeira guerra fernandina. Em 1520, D. Manuel reformou o anterior foral e elevou a vila a condado a favor dos primogénitos dos Marqueses de Vila Real. O facto de os donatários terem seguido o partido espanhol durante o período de dominação filipina, levou a que os seus bens revertessem, a partir de 1641, a favor da Casa do Infantado. Entretanto Alcoutim foi palco de escaramuças militares durante a Guerra da Restauração, podendo-se destacar, em 1642, o duelo de artilharia travado com S. Lucar del Guadiana. Esta localidade chegou mesmo a ser ocupada militarmente durante algum tempo pelas forças portuguesas no ano de 1666. Os últimos conflitos aconteceram entre Liberais e Miguelistas que disputaram a posse do rio Guadiana. Diz-se que o célebre Remexido incendiou algumas repartições da vila. Nos meados do século XIX ainda mantinha as muralhas com as suas três portas: a do Guadiana, a de Mértola e a de Tavira.
http://www.portugalvirtual.pt/_tourism/algarve/alcoutim

sexta-feira, outubro 31, 2008

A guerra colonial...


  

A Guerra Colonial marcou muito a minha juventude...
Naquela época, quem partia levava saudades de quem ficava e quem ficava consumia-se de saudade e de medo.
Muitos pais perderam os seus filhos em terras de África- Angola, Moçambique, Guiné -, muitas esposas perderam os seus maridos, muitas jovens perderam os seus irmãos, afilhados de guerra, namorados...

Ao cimo da minha rua ficavam os CORREIOS e o Carteiro trazia as cartas e os aerogramas rua abaixo e perguntava-me:
_Queres mais Afilhados de guerra?... e eu escolhia-os pela letra...
Os Sargentos e Oficiais escreviam em cartas e as Praças em aerogramas. Entende-se o porquê, pois o aerograma custava $20 e o selo 2$50.
Endereçavam assim: 'Sr. Carteiro entregue à menina mais bonita que encontrar... entregue à primeira jovem que encontrar, etc...'
Eu era o filtro e, só passavam além de mim, os que tinham a letra feia...

Tive o meu namorado na Guiné e vários afilhados nas 3 zonas de guerra. Ao namorado escrevia todos os dias e aos afilhados sempre que possivel, mas no minimo 2 ou 3vezes por semana. Sabíamos o quão importantes eram para eles as nossas cartas, sabíamos quão grande era a decepção e a tristeza se o seu nome não era proferido na hora da distribuição do correio. Era tão pouco e significava tanto para eles...
"Angola é nossa
Angola é nossa,
Angola é nossa..."
Isto era o refrão de uma música interpretada pelo Coro e Orquestra da Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho (F.N.A.T.)
Lembro-me de ouvir isto e sempre ouvia a minha mãe falar entre dentes:
_A parte que eu lá tenho, dispenso-a.
O meu irmão nasceu aquando do inicio da guerra e era um rapaz... e ela tinha muito, muito medo que a guerra se prolongasse no tempo!!!

Quando ouço os saudosistas apelarem ao 24 de abril, ainda sinto um misto de desconforto e de raiva. Eu sou saudosista dos nossos jovens militares que partiram cheios de esperança no regresso e não voltaram com vida ou voltaram feridos, estropiados ou tão abalados emocionalmente que nunca conseguiram recuperar. Sinto saudades das lágrimas misturadas com sorrisos, que retenho na memória, aquando da partida, sorrisos que queria rever e que não aconteceram.
Tambem vivemos o nosso lado da guerra, eu e todas as jovens da minha terra.
Perdemos familiares, amigos e namorados...
A todos dedico este escrito de SAUDADE!...

quinta-feira, outubro 30, 2008

Algarve - ALCOUTIM - Beira Baixa


ALCOUTIM para mim era única. Só havia uma terra com este nome e era a minha. Eis senão quando, num passeio de Abrantes à Sertã, encontro outra Alcoutim. Olho para a placa, poso para a foto e, não resisto, vou até lá.
Nos três carros que me acompanham, só eu me identifico com aquele nome no entanto, todos sabem porque quero lá ir...
Chegamos e fico olhando num misto de admiração e encanto, aquele pequeno lugar de pouco mais de uma vintena de casas. Apenas uma rua que subimos em fila. No cimo, paramos. Aparece o Sr. Manuel Antunes de oitenta anos seguido, de perto, pela esposa.
A porta da adega abre-se logo para os homens e às senhoras recomenda-se a habitação. Pela porta entreaberta podemos ver as paredes cobertas de calendários e logo percebemos...Acabamos todos sentados na escadaria, bebendo e conversando, num alegre convívio que trouxe reminiscências do passado ao dono da casa.
Havia outra Alcoutim, ele sabia. Já lá tinha trabalhado perto, na ceifa do Alentejo quando era jovem. Tinha sido um " ratinho das Beiras ",como eram chamados pelas moçoilas alentejanas. Diziam elas que eles só comiam pão e queijo...
_Não gostavam de nós, os alentejanos. Eram tempos difìceis e nós íamos fazer baixar as jornas e tirar-lhes algum trabalho - dizia o sr. Manuel.
Nesse tempo, chegado que foi ao Alentejo, escreveu à namorada que ficara na terra. Essa primeira carta foi parar, imaginem, a Alcoutim do Algarve.
Assim, aprendeu que havendo outra, tinha que identificar melhor a sua:
Alcoutim ... da Cumeada - Sertã - Castelo Branco.
E nunca mais qualquer carta se perdeu!...

Hoje teria que ser assim:
Alcoutim
6100-352 CUMEADA

Do João Manuel, meu amigo POETA:

Pode haver outro Alcoutim
Se tu dizes, acredito,
Até mais perto de mim
Mas o teu... é mais bonito!

O da Beira, não conheço,
Mas no teu já lá passei;
A grande pena, confesso,
É que então...não te encontrei!

A vida prega partidas
E fico aqui a cismar...
Se numa das minhas idas
Não te irei lá encontrar!

O Mundo rola e rebola
Em constante rotação;
E tudo se desenrola
Mas sem estar na nossa mão!...

Se se encontra uma pessoa
Como tu, tão cativante,
a gente a vida abençoa
Por nos dar um diamante!

Parabéns a Alcoutim
Que afinal te viu nascer;
Só num lugar belo assim
Tu poderias crescer!

E a pureza que inspira
Essa terra linda e calma,
E que a gente admira
Na limpidez da tua alma.

http://robinsoncrosue.spaces.live.com
Obrigado pelo carinho, João.
Beijo

A LENDA da MOURA do CASTELO VELHO de ALCOUTIM

Junto a duas azinheiras que ainda existem perto do Castelo Velho, que foi em tempos uma antiga fortaleza islâmica, vive uma moura encantada, transformada em serpente que guarda um tesouro...
No tempo do Rei D.Sancho II (1240) o castelo terá sido conquistado aos mouros por D.Rui Gomes, de forma pacífica. Aí encontrou o ex-Alcaide mouro e a sua sobrinha Zuleima, prometida ao jovem mouro Hassan que fugira para não assistir à derrota.
D. Rui e Zuleima apaixonaram-se e foram felizes durante algum tempo. Certo dia, o cavaleiro português, convencido de que ía encontrar-se com um mensageiro do Rei, foi levado a uma emboscada e apunhalado pelo próprio Hassan.
O mouro levou Zuleima no seu cavalo e foi perseguido por quatro soldados. Os dois acabaram por ser mortos ao pé das duas azinheiras.
Ainda há quem ouça o soluçar da Moura Zuleima que por lá ficou encantada..., chorando o seu amado Rui. Conta-se que já foi vista, em noites de lua cheia, em cima da azinheira, penteando os seus longos cabelos...
Diz a lenda que o candidato a desencantador da bela Moura, terá que lá aparecer numa dessas noite de S. João, à meia noite - hora em que a Moura, se transforma em serpente e desce ao Rio.
Terá que ir armado apenas com um punhal e terá que acertar na enorme mancha negra que a serpente tem no dorso... aí sim, quebrar-se à o encantamento e, como recompensa, além do amor da bela Moura, terá também um tesouro... 

Obs: Esta lenda dá o nome a este Blogue.
Até aos meus 18 anos vivi nesta linda terra e sempre ouvi contar esta lenda.
Até hoje, ninguém se atreveu a desencantar a moura que por lá continua a chorar e a banhar-se no rio, em noites de S. João...