sábado, setembro 05, 2009

FESTAS de ALCOUTIM 2009


As Festas de Alcoutim realizam-se no mês de Setembro.
A par dos tradicionais festejos com espectáculos musicais, fogo preso e aquático e actividades desportivas no rio Guadiana, a autarquia, entidade organizadora do evento, promove um variado programa de actividades todas elas relacionadas com os temas a que estão subordinados os cinco dias de festa.
Com entrada livre, são o maior acontecimento festivo do concelho, dirigido sobretudo aos filhos da terra que aqui se juntam nesta altura do ano.
O destaque vai para o Dia de Espanha, no sábado e o Dia da Juventude, no domingo, em que a animação é redobrada e conta com a participação de muitos espanhóis oriundos da Andaluzia.
A praia Fluvial de Alcoutim, o castelo, e o cais do Rio Guadiana são os palcos privilegiados das festas, que se estendem um pouco por toda a vila.
São festas caracterizadas pela sua força e vitalidade e também por durarem noite dentro.
Lá estarei...

quarta-feira, agosto 12, 2009

Obrigado ALCOUTIM LIVRE

A entrada que se segue foi-me enviada pela minha filha que está sempre atenta... Não posso deixar de " copiar" com os devidos créditos, este testemunho de tempos felizes que não voltam...
http://alcoutimlivre.blogspot.com/2009/06/1-cafe-de-alcoutim.html

Agradeço uma vez mais, ao autor do blogue Alcoutim Livre, esta foto que já me havia enviado por email.
O Sr também está presente e olhe pelo que sei, estamos todos bem de saúde.

1º Café de Alcoutim
Esta fotografia tirada, não sei por quem, em Setembro de 1967, retrata o que era o 1º Café de Alcoutim, acabado de inaugurar.Um pequeno espaço com quatro ou cinco mesas e porta para a Rua Dr. João Dias. Uma pequena máquina que tirava um café de cada vez!Era propriedade do comerciante local e já falecido, João Baltazar Guerreiro. Virado para a Praça da República e no prédio, na posse dos seus herdeiros, que foi sempre o ponto fulcral do comércio alcoutenejo tinha mercearia e taberna, vendendo fogões e relógios.Para satisfazer meia dúzia de fregueses, quase foi “obrigado” a montar nesta pequena dependência o que para a vila constituiu uma novidade: - UM CAFÉ!Lembro-me muito bem, um café custava 1$20, o que na moeda de hoje dá € 0,06.Foi lá que bebi o primeiro café com aquela que veio a ser minha mulher.Dos doze fotografados, é tudo gente na reforma e dois nada têm a ver com Alcoutim, pois encontravam-se em trabalho periódico do Instituto Nacional de Estatística de que eram funcionários. Dos restantes dez, só dois ainda residem na vila, ainda que mais dois residam no concelho.Não me lembro, mas possivelmente alguém faria anos.Cerveja e licor parecem terem sido as bebidas.Quem os reconhece?Posso dizer que está lá a “Marlene”, que ninguém sabe quem é, a não ser a própria.Pouco tempo depois o CAFÉ passou para o maior espaço virado para a Praça, substituindo a mercearia.N.B. - Informacão acabada de chegar do colaborador deste blogue, Eng. Gaspar Santos, dá-nos a conhecer que houve na década de 50 uma primeira tentativa de CAFÉ que foi mal sucedida. Situava-se curiosamente em frente deste.
Publicado por José Varzeano
Tema:

E continuando esta informação...

A " Marlene" está presente, sim...sei bem quem ela é...
A seguir ao Duarte, o miúdo dos óculos, era a mais novita do grupo. Em 1967, tinha portanto 14 anos...
A alcunha" Marlene" era um tributo à Dietrich a tal que Hitler convidou para protagonizar filmes pró-nazistas?!..., vim a conhecer-lhe a história mais tarde e a admirá-la porque soube recusar o " honroso"convite. Apressou-se a deixar a Alemanha e tornou-se uma cidadã dos EUA. Hitler tomou isso como um desrespeito para com a pátria alemã e chamou-a de traidora...

O Café era do meu pai e era de facto assim. Era o centro de tudo naquela década de 60... foi café onde a TV estava sempre ligada desde o inicio até ao fim da emissão... foi casa de petiscos quando os clientes que eram todos amigos do meu pai se juntavam e em sã camaradagem comiam, bebiam e cantavam modas do Alentejo, fados de Coimbra e de Lisboa...até altas horas, foi agência e ponto de paragem dos autocarros da Rodoviária Nacional, foi casa de jornais e revistas... foi tanta coisa!!!
E já agora a foto foi tirada pelo meu pai. Conservamos ainda muitos negativos desse tempo e a minha filha que gosta de preservar tudo o que encontra em casa do avô, tem-os guardados em grande estima.

Obrigado Sr Nunes e bem haja pelos testemunhos que tem escrito sobre Alcoutim - sua terra adoptiva, mas não por isso menos amada.E também pela alcunha... ela era de facto uma mulher bonita. Isso queria dizer que os meus olhos eram como os dela? ou seria o facto de eu ser assim... "um pouco rebelde"?

domingo, julho 19, 2009

A CASA do MONTE / Alcaria alta


É um refugio onde se acorda de manhã com o chilrear dos pássaros, onde nem se dá pelo passar das horas e onde ainda se deixa a chave na porta ...
É uma casa humilde, como humildes eram os meus avós. Mas é um local onde impera a paz e o sossego!...
Gosto de cá vir… aqui retempero forças!!!
Está um dia quente. O carro marca 38º C… Mal chego, bebo água fresca e descanso um pouco. Como só cá estou hoje, não tenho muito tempo para esperar que o calor abrande. Apetece-me um figo da Índia... Pego numa lata de zinco, que em tempos serviu para tirar água do poço e numa tenaz. Desço o carreiro até à Figueira da Índia mais próxima. Em tempos vi-os à venda no Continente a 18 euros o quilo, sim 18 euros… Não sei de onde vêm, mas aqui ninguém os aproveita a não ser num “ matar de desejo” que é o caso.
Encho a lata bem apinhada e deito-os na areia onde “sabiamente” lhes retiro os picos muito finos, mas agressivos. Depois, cumprindo o ritual, lavo-os e coloco-os no banco de pedra para secarem do excesso da água. Coloco-os no frigorífico para arrefecerem..." Quentes, fazem mal à barriga" - dizia a minha avó Isabel.

Estes bancos de pedra, construídos nas fachadas das casas, tinham muitos fins…serviam para a secagem de frutos, descanso das caminhadas, pousar dos cântaros, contemplação do céu estrelado ao fresco da noite… Gosto de me sentar neles ao cair da tarde e noite dentro. Trazem-me lembranças dum passado longínquo. Ali, ao relento, na noite de um distante verão ouvi muitas histórias contadas pelo meu tio Vanderdil ( Parece um nome estranho, mas não é se eu vos disser que o Padrinho foi veterano da 1ª Grande Guerra em França ). Este meu tio era o irmão mais novo do meu pai. Ainda hoje me lembro de muitas coisas que ele me ensinou e... eu tinha apenas 5 anos quando ele morreu aos 35 anos de idade. Ensinou-me a coaxar como a rã e a cantar como a perdiz, ensinou-me a contar até 20...e ensinou-me o Jogo das Pedrinhas... ensinou-me muitas outras coisas que, na minha memória de menina, se perderam.
Nem tudo são boas recordações… quando regresso ao passado.
Um dia, vi trazerem-no inerte em cima duma égua. Ainda hoje consigo visualizar toda essa dramática cena. Eu adorava o meu tio Vanderdil... Ele foi a primeira grande perda da minha vida.
Descobri que o coração da gente se cansa de bater e pára...tinha apenas 5 anos!

A casa foi agora pintada com barras de azul alentejano! Deixo que ponham tudo ao gosto deles. Gostam de lá ir passar os dias de folga, caminhar, pedalar, descobrir... Deram uso aos cântaros, aos alguidares de barro, aos chocalhos, às esparrelas para pássaros, às panelas de barro, às trempes e aos candeeiros a petróleo,etc... trouxeram para a luz do dia toda a tralha que encontraram na despensa. Mas eu não me importo que eles ponham a casa ao gosto deles.O forno é que eu preciso de cuidar, recuperar, caiar... É um forno comunitário, pertenceu a 4 famílias cujos herdeiros ainda vivem... uma delas, sou eu.
Vai ser a minha próxima preocupação!...

O amor ao monte, permanece nos meus filhos.
Consegui transmitir-lhes isso...
Fico FELIZ!...


domingo, maio 10, 2009

Combate à SURDEZ

No âmbito do Programa de Recuperação de Audição, que visa combater a surdez no concelho, a Autarquia disponibiliza 100 mil euros para a compra de aparelhos auditivos.

Alcoutim é um concelho pobre e as pensões da população idosa são muito baixas. Qualquer pessoa, por si só, não conseguiria sem a ajuda da Autarquia. A comparticipação do Estado para a compra de próteses auditivas é de 22 euros, quando elas custam mais de mil... É ridículo na verdade!...
Felizmente Alcoutim tem o privilégio de ter um Presidente-Médico sempre atento aos problemas dos idosos do concelho.
Bem hajas, Chico!...
Muitos dos nossos idosos voltaram a ver graças a ti. Agora, outros voltam a ouvir...

terça-feira, abril 28, 2009

Joselito / Filmes da minha infância...



JOSELITO tinha uma voz linda!
Tornou a minha infância mais bonita, ensinou-me a sonhar e mostrou-me que o Mundo ía muito para além da minha terra natal.
Recordo todos os filmes que vi dele, ao ar livre, no Cais juntinho ao Rio e também as lágrimas que teimavam em cair das nossas faces quando as aventuras eram um pouco mais dramáticas...

Agora que sou adulta, continua a ser impossivel esquecer esta tremenda voz, esta doçura em cara de anjo…
Tenho um CD dele no meu carro e todas estas canções andaluzas fazem, ainda hoje, parte do meu reportório...
(Ja pedi perdão ao nosso cancioneiro...)

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

A GRANDE CHEIA DO GUADIANA


Esta placa encontra-se no edificio onde existia, à epoca, a velha cadeia.
A distância a que está do rio e a altura que assinala, causam admiração.
Na minha casa, atendendo a esta placa, a água submergiu todo o rés do chão...

Ainda hoje, quem percorre as povoações ribeirinhas do “grande rio do Sul” encontra uma série de placas que atestam a altura, quase inacreditável, que as águas do Guadiana tomaram naqueles dias, seja em Mértola, Alcoutim ou na margem Espanhola. A imprensa da época, através de correspondentes locais, não deixou de noticiar tão nefasta tragédia.
A «Gazeta do Algarve», jornal publicado em Lagos, na edição de 13 de Dezembro de 1876, citando o correspondente de Alcoutim, em carta datada do dia 6 daquele mês, refere que «O Guadiana há 3 dias que traz uma corrente assustadora e devastadora – mede a velocidade de 11 milhas por hora e tem alagado completamente todos os campos marginais». Aquele periódico menciona igualmente que «o Pomarão desapareceu. Todas as casas foram arrasadas, e nem se conhece o lugar onde existiam. A estação telegráfica desapareceu também, indo a mesa dela dar às margens de Ayamonte. Em Alcoutim houve perdas consideráveis, os campos estão debaixo de água, que entra dentro da vila em muitas casas e quintais. As carreiras a vapor foram interrompidas».
Também o «Correio do Meio Dia», publicado na então Vila Nova de Portimão, na edição de 17 de Dezembro, foca a grande tragédia, transcrevendo do «Comércio do Sul» (Faro) a narração dos acontecimentos: «No dia 7 recebemos a seguinte comunicação de José Francisco Bravo de Alcoutim, “uma exposição singela, mas verdadeira dos horríveis estragos e imensas apreensões de que todos nós por aqui nos achamos possuídos pelos efeitos do extraordinário temporal que há bastantes dias nos tem perseguido, chegando agora a um grau mais elevado. O rio saiu fora do seu leito. Desde ontem das 10 horas da noite por diante, seguiu a passos agigantados e assustadores que já hoje ás 10 horas da manhã chega, mas de um modo aterrador, à praça pública desta vila (Alcoutim) – 30 metros senão mais por diante do princípio das habitações dela. Tudo aqui se vê em desarranjo, todos deixam ver no semblante o medo pela tempestade que ameaça sorver-nos. Espessas nuvens toldam o horizonte e todos os sinais nos parecem anunciar próxima e mais grossa nova tormenta».
E de facto assim foi. «Em data de 8 nos dizem da mesma vila o seguinte: São 10 horas da manhã e a maior parte desta vila está debaixo de água. Não há por aqui notícia do Guadiana ter engrossado tanto como nesta ocasião. A igreja de Santo António está já meia coberta e a linha telegráfica está submergida. Têm abatido grande número de casas, embora estas ainda não se vejam na totalidade. Todas as repartições foram a terra, a alfândega foi a que sofreu mais porque não se pôde salvar um único papel e supõe-se que não ficarão nem vestígios dela. Em Mértola também a cheia foi assustadora fazendo desabar bastantes casas e causando subidos prejuízos».
De alguns pontos, salienta ainda aquele jornal, «foram vistos arrastados pelas águas alguns cadáveres humanos – uma mulher agarrada a um tronco de uma árvore, uma criança de tenra idade num berço e um homem». A estas perdas de vidas humanas, juntaram-se ainda as tripulações de várias embarcações, que foram arrastadas pela corrente e naufragaram (11 mortos).
A gravidade dos acontecimentos dominou ainda a Sessão da Câmara Municipal de Alcoutim, de 21 de Dezembro de 1876, também ela privada de edifício próprio, que reuniu em sala provisória, onde «o Sr. Presidente José Joaquim Madeira relatou os tristes acontecimentos ocasionados pela extraordinária cheia do Rio Guadiana nos dias 6 e 7 do corrente que fez desabar mais de 60 prédios nesta vila e montes do rio, tornando também infrutíferas todas as fazendas marginais por lhe haver arrebatado o arvoredo, não deixando mais do que montes de areia. Neste aflitivo estado é de toda a urgência empregar os meios ao nosso alcance para que sejam minorados tão tristes efeitos em assunto de tanta magnitude. Na Sessão foi por todos reconhecida a necessidade de elevar um brado ante o trono de Sua Majestade fazendo-lhe sentir os nossos infortúnios e pedindo lenitivo às nossas desgraças».
Foi então determinado representar ao governo, «pedindo um empréstimo para se poderem levantar os prédios que se abateram pela inundação, bem como pedir o dinheiro existente no cofre de viação municipal e que a ele possa pertencer durante os dez anos seguintes para a edificação dos novos Paços do Concelho».
E finalmente «que não sendo conveniente a edificação no local em que se achavam por estarem sujeitos às cheias do rio se representasse pedindo o castelo, onde sem receio das enchentes se podem construir não só os Paços do Concelho como as demais repartições e escolas». Estes pedidos de ajuda acabariam por surtir efeito, e em Sessão de 17 de Março de 1877 foram concedidos os primeiros apoios para a reconstrução das habitações, num total de 9 926 000 réis. Estas não deveriam ser reconstruídas em taipa, «causa principal da maior parte dos desmoronamentos» durante a inundação.
Na Sessão de 24 de Abril do mesmo ano são atribuídos mais 19 470 000 réis aos agricultores das margens do Guadiana, num total de 147, cujos nomes e quantias se encontram discriminados na Acta daquela Sessão.
Foram ainda concedidos 500 000 réis «para matar a fome e o frio aos inundados». Apesar das consequências terríveis da cheia, esta permitiu pôr a descoberto inúmeros vestígios arqueológicos ao longo do rio, particularmente em Mértola, Montinho das Laranjeiras e Álamo, locais pouco depois escavados pelo arqueólogo algarvio Estácio da Veiga.
Volvidos 130 anos, a memória da cheia reparte-se essencialmente pelos documentos de então, sejam jornais ou Actas de Vereação, impregnadas de desolação e terror, e pelas placas de mármore facilmente observáveis um pouco por todo o vale do Guadiana. Na memória dos homens, a grande cheia não passa hoje de um facto passado e inatingível para muitos, nos nossos dias.Contudo, e se é verdade que a Barragem do Alqueva permitiu, em conjunto com as suas congéneres espanholas, dominar de certa forma o Guadiana, convém não esquecer que, se estiverem completamente cheias, a inundação a jusante será inevitável. Afinal, as muitas barragens do Douro não debelaram as cheias das zonas ribeirinhas de Gaia e do Porto...Por estas razões, as margens do Guadiana não deverão ser ocupadas, sob pena de virmos a lamentar uma nova da catástrofe. Tal como as secas, as inundações são fenómenos cíclicos normais no nosso clima, quer queiramos quer não.
Fonte: BARLAVENTO
P.S.- Assisti a algumas cheias durante a minha infância... A maior de que me lembro, ainda bem novita,"beijou" os degraus dos Paços do Concelho. A preocupação dos adultos, constratava com a nossa curiosidade...e o desejo, inconsequente, de que subisse, subisse...

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

SENTINELAS VIGILANTES


Durante séculos, Alcoutim e Sanlucar del Guadiana enfrentaram-se como sentinelas vigilantes, cada qual guardando a sua margem.
A História passou por aqui em 1371, quando os reis de Portugal e de Castela (respectivamente D. Fernando e D. Henrique 11) assinaram o Tratado de Alcoutim (a paz aqui acordada seria várias vezes quebrada até à morte de D. Fernando. em 1383.
À parte estas " guerreiazitas" o povo, o verdadeiro povo de Alcoutim e Sanlucar, sempre se respeitou e viveu em paz.
Aquando da guerra civil espanhola, em finais dos anos 30, conta-se que os alcoutenejos foram bastante solidários com amigos e vizinhos da outra margem.

quinta-feira, janeiro 15, 2009

NOSTALGIA

Testemunho de um amigo

O Guarda Fiscal sempre atento ao rio, quer de dia, quer de noite...
A Estátua perpectua-lo-á e a nossa memória também...



" Lembro-me que estávamos nas férias do Natal e fomos convidados para um “bailarico” em Sanlucar.
O problema era que a autorização era bem difícil… E agora???.
Vamos ser criativos.
O Chico Balbino deixa o barco no “cais velho”, mesmo a jeito.
Era o Antonico “Guarda Rio”, o Amílcar “Felício”, o Arnaldo, o António do Rosário, o Zé Serafim e mais alguns que agora não recordo.
Juntámo-nos na “capela”, mas havia uma “tertúlia” debaixo do lampião junto das escadas de acesso ao cais que, reunia o Sargento, o soldado da Guarda Fiscal de serviço e mais algumas pessoas.
O tempo passava, e nada.
Vamos entrar em acção. Dois vão buscar o barco e os outros vão para a “boca da ribeira”.
Lá vai o Amílcar e o Zé Serafim descer da “capela” e rastejar no cais velho para não serem vistos, remar à “contrabandista” e lá vamos nós subindo o rio para não entrarmos na zona de reflexo.
Naturalmente em Sanlucar divertimo-nos imenso com aquilo que só eles sabem fazer. Uma guitarra, uma pandeireta, umas castanholas, e “chicas guapas” com amizade, simpatia e “salero”.
No retorno, fazendo o mesmo trajecto, e quando estávamos junto da boca da ribeira, fomos surpreendidos pelo Guarda Fiscal, de arma apontada, intimando -nos a ir imediatamente para terra.
Grande atrapalhação com consequência desastrosa. Ficámos encalhados no cascalho da ribeira. E agora???
Com os remos, empurra daqui, empurra do outro lado e nada. Solução???
Alguém tem de ir à água… E com um frio de rachar.
Enfim lá surge um voluntário e o problema é resolvido.
E o Guarda Fiscal???
Era um assunto grave. Todos tínhamos de ser presentes ao Sargento no dia seguinte etc. e tal.
Depois de muita argumentação, de que nada tinha acontecido de mal, por fim
lá fomos mandados em paz, com o compromisso de que nada se soubesse.
E assim aconteceu.
Até agora..."


Obrigado por mais este testemunho de outros tempos...
Nesta aventura as miudas não participavam porque os tempos eram outros e, "à escapadela", não podia ser!!!

terça-feira, janeiro 13, 2009

A CASUARINA da minha terra.

Esta magestosa e imponente Casuarina (Casuarina Cunninghamiana MIQ.) encontra-se à beira do Rio Guadiana em Alcoutim e foi classificada como Árvore de Interesse Público, em Diário da República de 29/03/1999.Sempre a conheci assim, enorme...imponente!!!

Testemunhou a azáfama diária das gentes da terra... Viu o Guadiana sair do seu leito e beijar-lhe a copa... Deu sombra às brincadeiras da nossa infância e foi conivente c'os namoricos da nossa adolescência... Assistiu aos nossos bailaricos no cais e às nossas festas... Viu os jovens partir para a guerra e também para a cidade, em busca de melhor vida... Foi cúmplice do amor que existe entre Alcoutim e Sanlucar, de como se miram e espelham nas águas do rio na terna esperança de se enlaçarem,um dia...
Como o tempo passa!
Ela continua linda, viçosa e nós vamos perdendo o brilho... no entanto, quem tem mais de 80 anos é ela!!!
PATRIMONIO NATURAL A PRESERVAR...
As ruas das Aldeias, Vilas e Cidades da nossa terra são bem mais lindas
se de árvores se enfeitam...

domingo, janeiro 04, 2009

OS NATAIS DA MINHA INFÂNCIA

Eram o NATAL, na sua verdadeira essência...
O jantar naquela noite era melhorado, mas nada dos exageros que vivemos hoje, em que os excessos dão para quase uma semana...
As prendas eram poucas... mas consolavam, consolavam...
Não havia Pai Natal, nem renas, nem eu sabia onde era a Finlândia, a Noruega, ou o Pólo Norte...
Sabia da existência de um Menino Jesus que nascera em Belém, lá na Judeia - uma terra que não sabia ainda onde ficava, só que era lá no Extremo Oriente... Sabia que, nesse país, fazia muito frio e caía muita neve. Que esse Menino Deus não era rico e a sua primeira caminha tinha sido uma manjedoura onde o bafo da vaquinha e do burrico o mantinham quente.
Na Igreja Matriz, no início do mês, ajudávamos o Sr Padre a fazer o presépio, indo ao campo recolher musgo, porque nos Invernos chovia bastante e os campos estavam verdinhos e o musgo crescia por ali... Também por essa altura semeávamos as nossas searas de trigo , nas caixinhas vazias da margarina e da marmelada, para colocarmos depois no presépio, chegada a hora.
Nessa noite fria de 24 de Dezembro, à meia-noite, toda a comunidade se vestia a rigor e ía à Missa do Galo. O Presépio estava lindo!...A água corria da fonte, a azenha não parava, as velas giravam e até as ovelhinhas de barro, os pastors, os Reis Magos, as lavadeiras, pareciam mexer-se... A Virgem Maria, o São José e o Menino... Era um Menino Jesus muito lindo, de olhos castanhos brilhantes!...Castanhos, como os meus, pensava eu a cada ano... A dada altura, o Sr Padre convidava-nos a beijar o pé ao Menino... e nós lá íamos, adorar aquele Menino Jesus que era filho de Deus e escolhera nascer naquele lugar... tão pobre!!!
Era este menino, e eu não sabia bem como, que fazia com que eu tivesse, na manhã seguinte, os presentes no meu sapatinho ... Só no Dia de Natal é que eu os recebia ...Depois de uma noite mal dormida, mas plena de sonhos...levantava-me cedíssimo e corria para a cozinha. Não vivi aquele ritual dos grandes embrulhos em lindos papéis, nem dos grandes laços brilhantes e coloridos, porque tudo era de grande simplicidade. Na minha terra não havia nada disso. O encanto não estava no aparato dos presentes visto aos olhos, mas no pulsar acelerado do meu coração pequenino...
Estes presentes, eram sempre algo que eu andava a precisar... Nada chegava por acaso. O Menino sabia sempre...ou uns sapatos de verniz, ou uma roupa nova e, sempre, um pequeno brinquedo e algo para a escola. Estes brinquedos, simples como todos os brinquedos eram naquela época eram por mim tão apreciados que até me lembro de dormir com eles... Como nós valorizávamos cada coisa, por mais simples que ela fosse.

Hoje...é tudo tão diferente!...
A cada ano, eu digo que não alimento mais estes consumismos mas, lá vou dando sempre o dito por não dito...

domingo, dezembro 07, 2008

OS BARCOS do BAIXO GUADIANA


Em 2007, pude admirar com surpresa, no Mercado Municipal de Faro, uma exposição de réplicas de vários modelos de barcos e respectivas actividades, que sulcavam nas águas do baixo Guadiana até finais dos anos sessenta, entre Mértola e Vila Real de Santo António.
A exposição era da autoria de José Murta Pereira natural da Povoação de Guerreiros do Rio, freguesia e concelho de Alcoutim.

ALCOUTIM
Navio de carga, pertencente à Sociedade Geral, Companhia União Fabril, equipado com dois escalares, para em caso de naufrágio, serem lançados à água para salvamento das tripulações.

GUADIANA
Barco da carreira de Mértola, de transporte de mercadorias diversas que fazia a ligação entre esta vila e Vila Real de Sto. António.

CARLA
Lanchas de pesca da rede dos tresmalhos. Estas lanchas normalmente pescavam duas a duas, com dois panos de rede cada, com cerca de 30 metros e que eram interligados pelas tralhas das redes entre si e aos alforques nas extremidades.

Barcos de Penha de Águia (Povoação)
CÉLIA
Lancha de pesca da rede dos tresmalhos. Estas lanchas normalmente pescavam duas a duas, com dois panos de rede cada, com cerca de 30 metros e que eram interligados pelas tralhas das redes entre si e aos alforques nas extremidades.

DORA
Pateira, pequena embarcação de popa fechada e pouco calado, permitindo navegar com dois a três palmos de profundidade, desempenhando tarefas que outras embarcações não conseguiam, devido ao seu maior calado.

Palanqueira (Povoação)
NUSCA
Chata ou bateira, que servia de apoio às embarcações de maior tonelagem e também muito usada pelos moleiros dos moinhos movidos a água, dos afluentes do rio e nos açudes a montante de Mértola

Pomarão (Povoação)
LOULÉ
Uma das três lanchas, com cerca de 7 metros de comprimento, que se dedicava ao transporte de pessoas entre as duas margens do rio.

GUARDA – FISCAL
Lancha da secção da Guarda – Fiscal de Alcoutim, que tinha como missões principais: patrulhamentos via fluvial, rondas às guarnições dos postos da sua área e rondas oficiais.


MARIA BALBINA
Canoa de vela latina, porão aberto e duas cobertas (uma à frente e outra a ré) que fazia os mesmos serviços de outras canoas e buques existentes no Baixo Guadiana naquela época.

Montinho das Laranjeiras (Povoação)
RAFA
Bote com cerca de 4m, utilizado em pequenas tarefas, como a assistência aos barcos de carga, pequenas deslocações a povoações vizinhas, recolha de produtos agrícolas, frutícolas e hortícolas criados nas várzeas, junto ao rio,...

Laranjeiras (Povoação)
RODRIGO
Lancha dos palangres (pesca ao anzol). Deslocava-se a remos ou de vela à “carangueija”, quando o vento soprava. As espécies capturadas estavam em função da isca que era colocada no anzol.

Guerreiros do Rio (Povoação)
ROMANITA
Canoa de vela latina, mais conhecida pelo barco do correio, pelo facto de ter como missão prioritária a recolha e distribuição das malas do correio, entre Alcoutim e Vila Real de Sto. António.

LUCILIA
O Rio Guadiana era o único do país que possuía esta arte, a qual era conhecida no seu conjunto, como a lancha de pesca da rede da colher. Dedicava-se fundamentalmente à pesca da taínha e muge, embora capturasse outras espécies. Em todo o Baixo Guadiana existiam muitas destas lanchas.

PAULA
Lancha de vela latina, para transporte de pessoas e pequenas mercadorias, entre as várias localidades do Baixo Guadiana.

Álamo (Povoação)
LAGARTO
Buque barco de vela latina, de transporte de mercadorias para abastecimento das povoações marginais. Este barco tinha aproximadamente 17 metros de comprimento e carregava até 20 toneladas. Era propriedade do Sr. Henrique Miguel, natural do Monte do Álamo.

Foz de Odeleite (Povoação)
MARIA ALEXANDRINA
Canoa de vela latina, de transporte de mercadorias diversas, destinadas ao reabastecimento das populações marginais ao rio. Pertencia ao Sr. Manuel da Rocha e que tinha o nome da sua esposa.
LINO
Lancha de pesca ao candeio. Esta pesca fazia-se nos meses de Verão quando as águas estavam mais quentes e límpidas, dando origem a que os peixes, taínhas e mugues, alvorassem (viessem à superfície) e entrassem na zona iluminada pelo candeio, ao alcance do pescador, que dispunha de uma fisga ou chalavar de cabo extensivo.

Almada de Ouro (Povoação)
BOA ESPERANÇA
A este barco de vela latina, buque, foi-lhe dado o nome de Boa Esperança, por o seu proprietário se chamar Esperança. Era natural de Almada d’Ouro, onde residia e desempenhava as várias tarefas como todas as canoas e buques que operavam no Baixo Guadiana.

Castro Marim (Vila)
ZÉ MARUJO
Lancha de vela à carangueija ou a remos que se deslocava de Castro Marim, rio acima a vender o peixe às populações marginais ao rio.Os marujos de canastra à costas caminhavam para as povoações do interior a vender porta a porta o seu pescado

PÉ LEVE
Lancha do tapa esteiros, nos afluentes do rio e nas enseadas. Esta pesca nas enseadas consistia em fazer o cerco quando a maré atingia o seu ponto mais alto. O mesmo acontecia nos afluentes do rio. Esperava-se depois que a maré baixasse para retirar o peixe que ficava cercado pelas redes.

Vila Real de Sto. António (Vila)
CAMPINO

Um dos barcos que ainda sobrevive a fazer a ligação entre Vila Real e Ayamonte, no transporte de viaturas e pessoas, nesta altura já pouco procurado. Foi adquirido no Montijo, há cerca de sessenta anos e no de4correr do tempo foi submetido a várias transformações.

AGADÃO
Galeão, antigo barco de pesca do cerco à sardinha, hoje designado por traineira. Estes barcos tinham para a sua faina uma campanha de vinte a trinta homens, altura em que todas as actividades eram feitas com a força e habilidade dos seus intervenientes. Dispunha ainda de uma pequena chata como auxiliar das fainas piscatórias.

PAULO MIRA
Barco que fazia a ligação no transporte do pescado entre o galeão e o porto de descarga. Daí lhe veio o nome de enviada.

JORGE
Galeão, barco de pesca ao arrasto, sendo que mais tarde lhe foi dado o nome de arrastão.Tinha como auxiliar nas fainas uma chata ou bateira.

NORDESTE
Barcaça da arte chávega. Havia alguns em em Vila Real de Sto. António, mas era em Monte Gordo que mais se encontravam, dadas as características da costa para este tipo de pesca. A rede era lançada paralelamente à praia e em seguida arrastada contra a areia pela força do homem.

Barcos de apoio:
ESCALARES (Salva vidas)Dois que fazem parte do Navio de Carga ALCOUTIM

Chatas ou BateirasDuas pequenas embarcações, auxiliares de manobras na faina da pesca, do cerco à sardinha e na pesca do arrasto.

E quem não se lembra do São Macário e do Maria Cristina que desciam o Guadiana carregados de minério das Minas de S. Domingos e subiam-no para descarregar guano antes das sementeiras?!...
As descargas dos porões eram uma azáfama para os adultos e uma delicia para nós,os miúdos, porque animavam o cais e traziam movimento à vila!
Belos tempos!...

segunda-feira, novembro 10, 2008

O NOSSO PRESIDENTE DOUTOR...como carinhosamente é chamado!

Como este blogue não existia em 2007 só agora posso aqui deixar expresso o reconhecimento do que tens feito pela saúde das gentes do nosso concelho,reivindicando melhores cuidados de saúde, em especial para os utentes mais idosos.
Nem sempre tem sido fácil ir adiante, como muito bem sabemos…
Sei que não gostas muito destas homenagens, mas quero afirmar aqui o privilégio que é termos como Presidente um filho da terra que a ama incondicionalmente e, que depois de a ter deixado ainda na sua menince, para ela voltou já homem para a amar ainda mais vivendo nela e colocando-se ao seu serviço como Médico e como Presidente!

Francisco Amaral condecorado


O Presidente da Câmara Municipal foi agraciado com distinção honorífica do Estado Português.
Francisco Amaral, médico de profissão e Presidente da Câmara Municipal de Alcoutim, foi condecorado pelo Presidente da República com o grau de Comendador da Ordem de Mérito, no passado dia 10 de Junho, na sessão solene comemorativa do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, que decorreu em Setúbal.
A Ordem do Mérito é uma ordem honorífica portuguesa que tem por finalidade distinguir actos ou serviços meritórios que revelem desinteresse e abnegação em favor da colectividade, praticados no exercício de quaisquer funções, públicas ou privadas.
http://www.cm-alcoutim.pt/

E já agora, não resisto a colocar mais esta informação.

Funções que Desempenha Actualmente:
Presidente da Câmara Municipal de Alcoutim, desde Dezembro de 1993.
Médico Voluntário no Hospital Distrital de Faro.
Presidente da Assembleia Geral dos Bombeiros Voluntários de Alcoutim.
Membro do Conselho Directivo da Associação Nacional de Municípios Portugueses.
Dirigente da Associação Odiana (Municípios de Alcoutim, Castro Marim e Vila Real de Santo António).
Membro da Junta Metropolitana do Algarve.


Bem hajas, CHICO!...
Obrigado pela tua abnegação e pela luta que tens travado no combate à interioridade e desertificaçao do nosso concelho.
Deixo-te um beijo.

domingo, novembro 09, 2008

Conta-me essa tua façanha escolar...

Na sequência de um comentário que fiz no espaço do meu amigo Ferreira, ele ficou curioso e... escreveu:
"...conta-me essa tua façanha escolar.
Isso vindo de uma professora promete..."
Não teria sido coisa de muita importância, mas eu dei-lha.
Tinha 9 anos e andava na 4ª classe. Os meus pais tinham um Café na terra e eu fazia os deveres por ali, numa mesa ou noutra. Certa vez, a minha mãe olha para a conta que estava errada e diz-me que apague e faça de novo ao que eu respondi:
_Não faz mal, mãe! Já estou cansada de fazer tantas contas, e a profª nunca as vê...
Um café, sabes, de uma terra pequena como era a minha, naquele tempo. Não sei quem foi contar à professora. Era um local público e alguém que estava a ouvir o fez...
Ao outro dia, a dita conta continuava errada, a minha mãe andava na vida dela e pensou, decerto, que eu a corrigira...
_Menina, quero ver os teus trabalhos...
Só os meus, bolas, logo os meus ?!?!... E porquê os meus?... - pensava eu com os meus botões.
A conta, meu Deus, a desgraçada conta de dividir com 3 algarismos no divisor...
Vai lá perguntar agora a um Universitário de uma qualquer engenharia, por exemplo, se sabe fazê-la...
_ Ai sim?! Com que então, a professora não vê as contas! Estás a ver como te enganaste? Que afinal a professora vê as contas!!!
E foi assim... deu-me 12 reguadas onde descarregou toda a sua raiva e frustração!... Eu era boa aluna e senti-me humilhada e ofendida na minha dignidade... Sei que falhei, mas eu era uma miúda!...
Tenho consciência de que, naquele dia, aprendi uma lição de vida. Nunca, em todo o tempo da minha vida de professora, eu passei um trabalho de casa que ficasse por corrigir... Este episódio veio-me à memória vezes sem conta... Quando me dava a preguiça de corrigir um ou outro trabalho de casa, a minha consciência fazia ... Tlimmm...
Recordo que, naquele tempo, tal como agora havia de tudo numa sala de aula. Os bons alunos, os médios, os que estavam abaixo da média e os que estavam muito abaixo, abaixo, abaixo.... Hoje, temos um nome pomposo para os nomear "Alunos com Necessidades Educativas Especiais". Havia 2 ou 3 na minha sala... As tabuadas, tudo sobre os reinados dos Reis de Portugal, os Rios, as Serras, as Linhas de Caminho de Ferro de Portugal e ainda do tal Império Colonial... Angola, Moçambique, etc... E os problemas das torneiras a pingar água, quantos litros se gastam se pingar durante 2 horas 25 minutos e 53 segundos ?...
Nem me quero lembrar!... Coitados...
Naquele tempo era assim e, as coisas estavam " instituídas" e nenhum pai se chateava com isso!!!...Os tempos mudaram, felizmente, e as mentalidades também. Nunca senti vontade de castigar um aluno porque não aprendia. Dando eu o máximo de mim, quem não aprendia à primeira era porque não tinha certamente a facilidade dos outros. Tinhamos que chegar lá com mais trabalho dele e meu.
Mas um dia contei-lhe da minha mágoa de menina, acreditas?... Já éramos colegas e encontrámo-nos na baixa de Faro...
Não se lembrava. - disse-me.
Acho que, só depois desse encontro, a perdoei...

AGORA É ASSIM:


sexta-feira, novembro 07, 2008

CINEGÉTICA

A caça a espécies como a perdiz, a rola, o coelho, a lebre, o javali e a raposa, é praticada na região desde tempos imemoriais.
Talvez por essas raízes culturais, após a Lei da Caça ter permitido a criação de Zonas de Caça Associativas e Turísticas, a sociedade civil de Alcoutim manifestou grande dinamismo associativo e empresarial.
Alcoutim é, actualmente, dos concelhos do país com maior apetência para a prática cinegética.
No Algarve é, sem dúvida, o concelho mais cinegético, possuindo quase metade das zonas de caça turísticas existentes na Região.
A caça neste momento já representa uma importante fonte de emprego, directo e indirecto, no concelho, assim como uma considerável entrada de receitas. Por outro lado, tem contribuído para o aumento do fluxo de visitantes, facto que só por si justifica o apoio que a autarquia tem prestado a esta actividade.

Zonas de Caça Turísticas existentes no concelho
Tesouro,Afonso Vicente,Herdade da Bela Vista,Giões,Pateira,Monte da Estrada,Lutão,Marmelcaça,Finca Rodilha,Martincaça,Montinho da Revelada e Portelas do Guadiana.

A zona de Caça Turística da Finca Rodilha envolve áreas que me são conhecidas já que os meus avós maternos viviam na zona. Lembro-me de ser miúda e estar em casa dos meus avós e ouvir constantemente alguém dizer: " O Sr Presidente anda na caça..."
Era hábito o então Presidente da Republica, Almirante Américo Tomás, caçar na zona.
Não se fazia disso segredo, os tempos eram outros e não havia receio de " uma bala perdida"... porque eramos um povo de brandos costumes, naquela época!
A frase vem desse tempo, porque agora não é bem assim...
Acontece-me muitas vezes, quando lá vou na Primavera, ter de parar o carro para que uma perdiz mais os seus 6 ou 7 perdigotos atravessem, calmamente, a estrada.
Não têm receio algum de nós, já dos caçadores...será outra história!!!

quinta-feira, novembro 06, 2008

Y TE VÁS Y TE VÁS...



Cantada vezes sem conta, nos intermináveis passeios de barco a remos, no “nosso” rio.
Canção triste, mas que continha as palavras mágicas que transportavam o nosso imaginário para a outra margem a que, em principio, só tínhamos acesso consoante a disposição do responsável da Guarda Fiscal...
Mas o convívio sempre existiu. Que mais não fosse nas Festas de Alcoutim, de Sanlucar, em uma ou outra “escapada” e na época balnear na “praia “ de Sanlucar (sem pôr os pés em terra).
Fizeram-se grandes amizades e algumas paixões. Recordo com saudade a Anita, Angélica, Purita, Nines, Paquita, Maria José e tantas outras e outros, não esquecendo o German que tocava acordeão e gostava de música folclórica portuguesa.
Tempos há muito passados. Já não há barcos a remos. Nem o Chico Balbino ou o Manuel Balbino para nos emprestarem o barco. Vamos a Espanha sem autorização da Guarda Fiscal, sem Salvo-Conduto, sem Passaporte, sem Bilhete de identidade...
O romantismo acabou!...

Obrigado Zé por este belo texto.
O German deu-me as primeiras lições de francês, sabias?
Um espanhol a ensinar francês a uma "niña" portuguesa...


Cancion dedicada a todos aquellos que perdimos un gran amor,,que por circunstancias adversas al destino se fue al cielo...pero que algun dia no muy lejano ese reecuentro vendra y se unira para la eternidad... :(
Bella cancion de PALITO ORTEGA...

SAUDADES...


Gosto de caminhar pelas antigas ruas de calçada portuguesa e descobrir diferenças...
Embora tenha havido muita preocupação em preservar a traça antiga, muita coisa mudou...no contexto geral.

Sinto saudades dos rostos dos velhos que aguardavam, na escadaria da Igreja da Misericórdia, que o calor amainasse...
Sinto saudades dos telhados cobertos de líquenes escurecidos pelos anos...
Saudades da brisa, dos cheiros, dos sons...
Sinto saudades dos mergulhos na Ribeira e no Rio, ainda, sem indicios de poluição...
Saudades dos passeios na estrada porque nos divertiamos a caminhar, sem rumo, á tardinha...
Saudades das alegres gargalhadas ao entardecer, no cais, bem junto à agua...
Saudades do chilrear das andorinhas que faziam os seus ninhos nos beirais dos telhados.
Saudades das cegonhas que regressavam sempre no final do Inverno à Torre das Igrejas : Virgen de l'Arrábida em Sanlucar e Senhora da Conceição em Alcoutim...
Eram sempre 2 casais, ora numa margem ora noutra...
Ao anoitecer, cada casal regressava ao seu ninho, que é como quem diz ao seu País...

Sinto saudades ...

ARTESANATO

O Artesanato em ALCOUTIM, nos dias de hoje...

Conhecer o artesanato de uma região é abordar o seu passado, é sentir as suas tradições e costumes, é contactar com os seus valores ancestrais.
Apesar das actividades artesanais estarem a desaparecer um pouco por todo o país, no concelho de Alcoutim ainda se confeccionam as tradicionais peças de lã e de linho (mantas, alforges, etc.), bordados e rendas, tapeçaria , persistindo igualmente actividades tradicionais como a cestaria em cana e em vime, a olaria, o ferreiro de forja ou o sapateiro. Estando também em desenvolvimento um tipo de artesanato mais recente, resultante da capacidade de adoptar, adaptar e inovar técnicas artesanais, representado nas bonecas de juta (Oficina Flor da Agulha), simbolizado figuras típicas da região, e nas flores de palha de milho (Lutão de Baixo), bem como nas mais variadas peças de barro (Martinlongo e Cortes Pereiras).
Eis alguns exemplos do artesanato característico do concelho de Alcoutim:

Arranjos Florais

Feitos de palma de milho e decorados com ervas campestres. São peças feitas com paciência, dedicação e muita sensibilidade.
Este tipo de artesanato requer muita destreza manual para dar formas de pétalas às palmas de milho, de onde surgem lindas flores.
Bonecas de Juta

Representando figuras típicas da região, são feitas de serapilheira, com o corpo armado em estrutura de arame. Com linho são feitas as cabeleiras e com chitas, o vestuário que as enfeitam. Os adornos, que caracterizam a actividade que representam, são miniaturas feitas em metal, madeira ou barro.
Cadeiras
Executadas com materiais da região, estas cadeiras são autênticas obras de arte popular. São de vários tamanhos, feitas de madeira de oliveira, as costas e os pés de loendro e o tampo é tecido com junça, uma planta que nasce espontaneamente na região.
Cestaria
Com as canas apanhadas junto do rio e das ribeiras, fazem-se cestos, cabazes e canastas, que antigamente serviam de transporte dos produtos agrícolas e do peixe.
Têm hoje em dia outras finalidades, sendo muitas vezes meramente decorativas. Alguns artesãos fazem também chapéus de cana.
Calçado

No concelho de Alcoutim ainda se confeccionam sapatos, botas e sandálias de forma artesanal. Esta técnica mantém intactas as suas características, quer do ponto de vista da matéria-prima a utilizar, quer ainda das técnicas ancestrais, aplicadas na manufacturação do calçado.
Cerâmica
Ressurge no concelho de Alcoutim com novas formas e cores. Umas vezes vidrada com cores fortes, outras recriando peças ancestrais.
Representam o aparecimento de jovens artesãos com perspectivas actuais, baseadas nas mais antigas técnicas de tratar o barro.
Tecelagem
É uma das mais antigas expressões do artesanato algarvio, nomeadamente de Alcoutim. Hoje em dia, ainda é feito nos teares manuais e de forma tradicional, desde a montagem da teia e da trama até ao corte e cosedura.
Entre os vários artefactos produzidos, contam-se as mantas feitas de retalhos, lã ou linho. Além destas, fazem-se também, colchas, toalhas de linho, alforges, sacos, tapetes e muitos outros artigos.
http://www.cm-alcoutim.pt

TODOS OS CAMINHOS VÃO DAR AO RIO...

"TODOS OS CAMINHOS VÃO DAR A ROMA" - frase corrente aquando da expansão do Grande Império Romano por toda a Europa...
É assim em Alcoutim,TODOS OS CAMINHOS VÃO DAR AO RIO... A atracção que exerce sobre o Alcoutenejo é enorme.Todos os dias temos que o ver, estando lá, é bálsamo...
O João André adora ir a Alcoutim e, desta vez, mal chegámos fomos direitinhos ao rio, é assim que sempre acontece.
No cais velho há uma escadaria de pedra da região, conheço-a assim desde sempre, e descemo-la com algum cuidado. Abeiro-me da água, descalço-me e ele olha-me admirado.
_ Vais molhar os pes?
_ Claro, descalça-te tambem...
E ali ficámos sentados a chapinhar,com as pernas a balançar na água, observando os barcos que passavam, que chegavam e partiam para Sanlucar. Alguns garotos mergulham rio jnto do cais novo, mesmo ao lado onde uma corveta da Marinha está ancorada desde a véspera.

Vou-lhe contando histórias, retalhos de cenas vividas por ali em cada palmo de chão, e de repente digo:
_Queres ir a Sanlucar? É só ir e regressar...
Claro, ele está ali para concordar com tudo e adora as minhas " surpresas". Calçámo-nos à pressa porque acabava de aportar um pequeno barco.
E lá vamos nós...A viagem é rápida e quem encontro logo em Sanlúcar mal ponho o pé em terra? O JESUS, um dos meus amigos espanhóis!!!...Bom, já valeu a pena. Eu começo a falar castelhano com ele e ele a falar português comigo...Mal nos demos conta, desatámos a rir à gargalhada...


Sanlúcar continua parada no tempo!
Era hora do calor, hora da " siesta" e não se via ninguén.
No Bar do Estrela, que agora tem outro dono, o som do flamenco...
Comprámos umas guloseimas e regressámos.
***
Do João, meu amigo POETA

Se foste até Sanlucar
O “ Jesus “ foste encontrar
- Esse gordinho a teu lado;
Se um dia tirares assim
Uma foto junto a mim
Já não fico…envergonhado!...

Também me hás-de lá levar
E havemos de ir ao tal Bar
Num belo fim-de-semana;
E depois para relaxar,
Eu também quero molhar
Os pés no teu Guadiana!

Falas do teu Alcoutim
Com tanto carinho, enfim,
Que estou morto por lá ir;
Mas eu tenho a sensação
Que se pisar esse chão
Já de lá não vou sair!...

Um beijo, e não te assustes...
Teu amigo João.

quarta-feira, novembro 05, 2008

COMO IR E ONDE FICAR

Turismo

O concelho de Alcoutim, com os seus 576,57 quilómetros quadrados, pertence ao distrito de Faro e situa-se no canto nordeste da região natural do Algarve, no denominado Sotavento Algarvio.
Tem a ribeira do Vascão a separá-lo dos concelhos de Mértola e Almodôvar a norte, faz fronteira a oeste com Loulé e a sul com Tavira e Castro Marim. Longe das multidões e da agitação dos centros turísticos do litoral algarvio, Alcoutim é um paraíso de tranquilidade entre a serra do Caldeirão e o rio Guadiana, fronteira natural com a vizinha Espanha.
A vila de Alcoutim é a sede deste município com apenas 3 770 habitantes (2001) e que se subdivide em 5 freguesias – Alcoutim, Pereiro, Giões, Martinlongo e Vaqueiros.
A região mantém bem vivo o seu artesanato, eminentemente ligado à vida rural, com peças que vão das tradicionais mantas de lã ou de trapos, à cestaria em cana e vime, olaria, bordados e rendas, toalhas de linho, arranjos florais em palha de milho, bonecas de juta, e tantas outras. A caça, a carne de porco e de borrego, e o peixe do rio constituem a base de uma rica e diversificada gastronomia, onde se destaca também uma apetitosa doçaria que reflecte, em grande parte, a abundância de mel, figos e amêndoas do Algarve.
Como chegar
O concelho é servido por dois eixos de estradas. Um no sentido norte-sul, a Estrada Nacional 122, que o liga a Mértola, para norte, e a Vila Real de Santo António, para sul; o outro, no sentido nascente-poente, a Estrada Nacional 124, que liga a sede de concelho a Martinlongo, Cachopo, Barranco do Velho, com ligação à antiga estrada do Algarve.Os dois eixos cruzam-se a 6 quilómetros da vila de Alcoutim, nas chamadas Quatro Estradas. O troço que liga o cruzamento à vila é a Estrada Nacional 122-1.
A grande novidade do acesso terrestre a Alcoutim é, desde Junho de 2005, o IC 27, uma via rápida com ligação directa à EN 122, em Monte Francisco, para sul e que, quando estiver concluída, ligará ao IP2, em Albernoa, a uns 15 quilómetros de Beja. Por enquanto, o IC 27 só chega ao nó de Alcoutim, situado a 8 quilómetros da vila, sendo a ligação a esta assegurada no essencial pela EN 122-1. Com esta nova via, Alcoutim fica a pouco mais de 20 minutos do litoral e das suas praias. A Estrada Municipal 507, marginal ao Guadiana, é outra acessibilidade especialmente recomendada pelas magníficas paisagens que o rio e as suas margens proporcionam. Para quem vem de Mértola, pela EN 122, pode ser tomada logo a seguir à povoação de Santa Marta. Para quem vem do Sul, pela mesma EN 122, pode ser tomada uns quilómetros a seguir ao Azinhal. O IC27 também tem uma ligação à EM 507 assinalada com a indicação Foz de Odeleite.

http://www.cm-alcoutim.pt

Reminiscências de um tempo distante...

Todos suspirávamos pelo Verão...
Havia os que estudavam em Faro, em Beja, em Huelva...
Naquele tempo, na província, não tínhamos as escolas que há hoje e apenas nas capitais de distrito havia Liceu. Com o término das aulas, que em Espanha coincidia com o nosso, toda a juventude confluía para as suas terras.Íam ser 3 meses de alegria, de sã camaradagem e, se o responsável da Guarda Fiscal nos deixasse, ía ser um ir e vir. Não estávamos na U.E. e as fronteiras estavam fechadas...


Revivo com saudade os banhos no rio e na ribeira, os passeios de barco a remos, os encontros à tardinha cá ou lá... As idas p'ró cais ao pôr do sol, os pés na água...o som da corrente nos pilares do cais, aquele cheiro do rio, as garças brancas a esvoaçar... Que saudades!...

Recordo as sevilhanas, o flamengo... aquela música que tanto nos fazia vibrar...A música deles, suplantava a nossa em ritmo, em alegria. Também cantávamos muito as modas alentejanas... Nada de danças e cantares algarvios... nós ali, estávamos muito longe do outro Algarve... Na raia com a Espanha, na fronteira com o Alentejo... era ali que estavam as nossas raízes. Recordo muitas - " Trigueirinha alentejana", "Moreanes é meu povo", "Lírio roxo do campo", "Fui colher uma romã", etc... ninguém se lembrava da "Tia Anica de Loulé"..., nem do "Baile de roda mandado"...

Por isso, sinto uma grande atracção pelo Alentejo e tambem pela Espanha, embora adore o meu País. Quando é possível, perco-me na noite de Sevilla ..." siempre me voy en las bodegas de la ciudad ya que me encantan el flamengo y las sevillanas ..." e do Alentejo "os comeres" - Pézinhos de coentrada, as açordas, as sopas de tudo: de peixe, de batata, de tomate com ovo escalfado... Bolas, começo a ficar com fome!!!!!!!!!!!!!!!

Mas continuando... Tinha uma amiga, a Irene, que morava fora de Sanlucar. Na 2ª curva, subindo o rio, ficava a casa dela. Muitas vezes, aos domingos, metíamo-nos num barquito a remos e lá íamos lanchar com ela; ainda fico com água na boca ao recordar o gostinho do chouriço feito em casa... como ela vivia muito isolada, a mãe que era de origem portuguesa, adorava que a visitássemos.
E o Diego que casou neste lado...nunca vi paixão assim...
E o Julio... Não era o Iglésias, era outro...Foi a minha primeira paixão, mas não foi o meu primeiro amor...prova provada de que nem sempre uma paixão se transforma em amor. Nunca mais o vi...Tínhamos 13 anos e num passeio de Catequese ... (quem ainda se recorda do Franciscano César??? ) fomos num piquenique ao Castelo de Sanlúcar... de mão dada, imaginem, na década de 60!...
Depois havia o "cara larga", como era feiozinho, nem o chamávamos pelo nome...mázinhas!!!...
O Jesus que continuo a ver, a Angélica, o Miguel Angel e outros ainda do lado espanhol que o tempo foi apagando...
Estas lembranças são retalhos de vida que me dão muito, muito prazer recordar!...

SITUAÇÃO GEOGRÁFICA, Interesses e Gastronomia

O concelho de Alcoutim situa-se no algarve e ocupa uma posição fronteiriça com Espanha.
A sede de concelho, com o mesmo nome, encontra-se na margem direita do Rio Guadiana, em frente a San Lucar del Guadiana.
Noutros tempos, a vila de Alcoutim serviu de palco para muito contrabando, o que reflectiu nos dias de hoje grandes laços culturais e amizades com os vizinhos espanhóis da margem esquerda do rio.

INTERESSES
- caça
- artesanato tradicional
- arranjos de flores
- renda de bilros
- tecelagem
- olaria e cerâmica
- cestaria
- empreita
- produção de aguardente de medronho

GASTRONOMIA
- Açorda de galinha com grão de bico
- Caldeirada de lampreia
- Doces de amêndoa e figo.

(alcoutim.net)
E mais coisas... DIVINAIS!!!... que vos digo eu!...
Cozido de grão, ensopado de cabrito, peixinho do rio cozinhado de muita maneira...
As filhós e os nógados de mel e amêndoa que nunca comi em mais lado nenhum...
(A grande especialista era a D. Ana Brandoa, só ela sabia o segredo, mas transmitiu-o às amigas, felizmente!)

De fazer crescer água na boca!

sábado, novembro 01, 2008

Origens e História


Longe do bulício das praias do Litoral, Alcoutim ainda conserva muitas das tradições enraizadas por uma cultura milenar. A sua paisagem singular, com o Rio Guadiana serpenteando as vilas ribeirinhas, dão-lhe um cariz nostálgico. Alcoutim é um concelho com história, patente no harmonioso Castelo e nos inúmeros vestígios arqueológicos, localizados nesta terra, escolhida
por diferentes civilizações. Uma terra com carisma, onde o artesanato tradicional representa o elo de ligação da sua cultura através das várias gerações de Alcoutenejos. É assim Alcoutim, uma reserva turística para aqueles que são atraídos pelo pitoresco, pela natureza e pelas tradições.
História
As origens de Alcoutim devem remontar ao Calcolítico, onde se terá fixado uma tribo celtibética, Nos princípios do século II a.C. foi ocupada pelos Romanos, que lhe deram o nome de Alcoutinium. Em 415 foi conquistada pelos Alanos e um século depois pelos Visigodos. Durante 73 anos esteve sob domínio bizantino, entre 552 e 625. Nos princípios do século VIII passou para o domínio dos Mouros, que fortificaram a povoação. Em 1240, no reinado de D. Sancho II, Alcoutim é integrada no território português e em 1304, D. Dinis dotou-a de foral, mandando reedificar as muralhas e o castelo. Este monarca doou a vila à Ordem Militar de São Tiago. Aqui foi celebrado um tratado (Paz de Alcoutim) entre o rei de Portugal D. Fernando I e D. Henrique, rei de Castela, que pôs fim à primeira guerra fernandina. Em 1520, D. Manuel reformou o anterior foral e elevou a vila a condado a favor dos primogénitos dos Marqueses de Vila Real. O facto de os donatários terem seguido o partido espanhol durante o período de dominação filipina, levou a que os seus bens revertessem, a partir de 1641, a favor da Casa do Infantado. Entretanto Alcoutim foi palco de escaramuças militares durante a Guerra da Restauração, podendo-se destacar, em 1642, o duelo de artilharia travado com S. Lucar del Guadiana. Esta localidade chegou mesmo a ser ocupada militarmente durante algum tempo pelas forças portuguesas no ano de 1666. Os últimos conflitos aconteceram entre Liberais e Miguelistas que disputaram a posse do rio Guadiana. Diz-se que o célebre Remexido incendiou algumas repartições da vila. Nos meados do século XIX ainda mantinha as muralhas com as suas três portas: a do Guadiana, a de Mértola e a de Tavira.
http://www.portugalvirtual.pt/_tourism/algarve/alcoutim

sexta-feira, outubro 31, 2008

A guerra colonial...


  

A Guerra Colonial marcou muito a minha juventude...
Naquela época, quem partia levava saudades de quem ficava e quem ficava consumia-se de saudade e de medo.
Muitos pais perderam os seus filhos em terras de África- Angola, Moçambique, Guiné -, muitas esposas perderam os seus maridos, muitas jovens perderam os seus irmãos, afilhados de guerra, namorados...

Ao cimo da minha rua ficavam os CORREIOS e o Carteiro trazia as cartas e os aerogramas rua abaixo e perguntava-me:
_Queres mais Afilhados de guerra?... e eu escolhia-os pela letra...
Os Sargentos e Oficiais escreviam em cartas e as Praças em aerogramas. Entende-se o porquê, pois o aerograma custava $20 e o selo 2$50.
Endereçavam assim: 'Sr. Carteiro entregue à menina mais bonita que encontrar... entregue à primeira jovem que encontrar, etc...'
Eu era o filtro e, só passavam além de mim, os que tinham a letra feia...

Tive o meu namorado na Guiné e vários afilhados nas 3 zonas de guerra. Ao namorado escrevia todos os dias e aos afilhados sempre que possivel, mas no minimo 2 ou 3vezes por semana. Sabíamos o quão importantes eram para eles as nossas cartas, sabíamos quão grande era a decepção e a tristeza se o seu nome não era proferido na hora da distribuição do correio. Era tão pouco e significava tanto para eles...
"Angola é nossa
Angola é nossa,
Angola é nossa..."
Isto era o refrão de uma música interpretada pelo Coro e Orquestra da Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho (F.N.A.T.)
Lembro-me de ouvir isto e sempre ouvia a minha mãe falar entre dentes:
_A parte que eu lá tenho, dispenso-a.
O meu irmão nasceu aquando do inicio da guerra e era um rapaz... e ela tinha muito, muito medo que a guerra se prolongasse no tempo!!!

Quando ouço os saudosistas apelarem ao 24 de abril, ainda sinto um misto de desconforto e de raiva. Eu sou saudosista dos nossos jovens militares que partiram cheios de esperança no regresso e não voltaram com vida ou voltaram feridos, estropiados ou tão abalados emocionalmente que nunca conseguiram recuperar. Sinto saudades das lágrimas misturadas com sorrisos, que retenho na memória, aquando da partida, sorrisos que queria rever e que não aconteceram.
Tambem vivemos o nosso lado da guerra, eu e todas as jovens da minha terra.
Perdemos familiares, amigos e namorados...
A todos dedico este escrito de SAUDADE!...

quinta-feira, outubro 30, 2008

Algarve - ALCOUTIM - Beira Baixa


ALCOUTIM para mim era única. Só havia uma terra com este nome e era a minha. Eis senão quando, num passeio de Abrantes à Sertã, encontro outra Alcoutim. Olho para a placa, poso para a foto e, não resisto, vou até lá.
Nos três carros que me acompanham, só eu me identifico com aquele nome no entanto, todos sabem porque quero lá ir...
Chegamos e fico olhando num misto de admiração e encanto, aquele pequeno lugar de pouco mais de uma vintena de casas. Apenas uma rua que subimos em fila. No cimo, paramos. Aparece o Sr. Manuel Antunes de oitenta anos seguido, de perto, pela esposa.
A porta da adega abre-se logo para os homens e às senhoras recomenda-se a habitação. Pela porta entreaberta podemos ver as paredes cobertas de calendários e logo percebemos...Acabamos todos sentados na escadaria, bebendo e conversando, num alegre convívio que trouxe reminiscências do passado ao dono da casa.
Havia outra Alcoutim, ele sabia. Já lá tinha trabalhado perto, na ceifa do Alentejo quando era jovem. Tinha sido um " ratinho das Beiras ",como eram chamados pelas moçoilas alentejanas. Diziam elas que eles só comiam pão e queijo...
_Não gostavam de nós, os alentejanos. Eram tempos difìceis e nós íamos fazer baixar as jornas e tirar-lhes algum trabalho - dizia o sr. Manuel.
Nesse tempo, chegado que foi ao Alentejo, escreveu à namorada que ficara na terra. Essa primeira carta foi parar, imaginem, a Alcoutim do Algarve.
Assim, aprendeu que havendo outra, tinha que identificar melhor a sua:
Alcoutim ... da Cumeada - Sertã - Castelo Branco.
E nunca mais qualquer carta se perdeu!...

Hoje teria que ser assim:
Alcoutim
6100-352 CUMEADA

Do João Manuel, meu amigo POETA:

Pode haver outro Alcoutim
Se tu dizes, acredito,
Até mais perto de mim
Mas o teu... é mais bonito!

O da Beira, não conheço,
Mas no teu já lá passei;
A grande pena, confesso,
É que então...não te encontrei!

A vida prega partidas
E fico aqui a cismar...
Se numa das minhas idas
Não te irei lá encontrar!

O Mundo rola e rebola
Em constante rotação;
E tudo se desenrola
Mas sem estar na nossa mão!...

Se se encontra uma pessoa
Como tu, tão cativante,
a gente a vida abençoa
Por nos dar um diamante!

Parabéns a Alcoutim
Que afinal te viu nascer;
Só num lugar belo assim
Tu poderias crescer!

E a pureza que inspira
Essa terra linda e calma,
E que a gente admira
Na limpidez da tua alma.

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Obrigado pelo carinho, João.
Beijo

A LENDA da MOURA do CASTELO VELHO de ALCOUTIM

Junto a duas azinheiras que ainda existem perto do Castelo Velho, que foi em tempos uma antiga fortaleza islâmica, vive uma moura encantada, transformada em serpente que guarda um tesouro...
No tempo do Rei D.Sancho II (1240) o castelo terá sido conquistado aos mouros por D.Rui Gomes, de forma pacífica. Aí encontrou o ex-Alcaide mouro e a sua sobrinha Zuleima, prometida ao jovem mouro Hassan que fugira para não assistir à derrota.
D. Rui e Zuleima apaixonaram-se e foram felizes durante algum tempo. Certo dia, o cavaleiro português, convencido de que ía encontrar-se com um mensageiro do Rei, foi levado a uma emboscada e apunhalado pelo próprio Hassan.
O mouro levou Zuleima no seu cavalo e foi perseguido por quatro soldados. Os dois acabaram por ser mortos ao pé das duas azinheiras.
Ainda há quem ouça o soluçar da Moura Zuleima que por lá ficou encantada..., chorando o seu amado Rui. Conta-se que já foi vista, em noites de lua cheia, em cima da azinheira, penteando os seus longos cabelos...
Diz a lenda que o candidato a desencantador da bela Moura, terá que lá aparecer numa dessas noite de S. João, à meia noite - hora em que a Moura, se transforma em serpente e desce ao Rio.
Terá que ir armado apenas com um punhal e terá que acertar na enorme mancha negra que a serpente tem no dorso... aí sim, quebrar-se à o encantamento e, como recompensa, além do amor da bela Moura, terá também um tesouro... 

Obs: Esta lenda dá o nome a este Blogue.
Até aos meus 18 anos vivi nesta linda terra e sempre ouvi contar esta lenda.
Até hoje, ninguém se atreveu a desencantar a moura que por lá continua a chorar e a banhar-se no rio, em noites de S. João...