segunda-feira, novembro 15, 2010

A minha ESCOLA

Era assim a minha Escola...  dois edifícios simétricos... duas salas de aula. Em baixo, a residência da Sra professora. Os tempos eram outros, mas os professores até tinham casa...e  também recebiam, de vez em quando, uns ovitos embrulhados em papel de jornal, uma galinha caseira e umas batatitas ou feijão verde...
A Escola situava-se a nascente da Praça da República, o Rio ao fundo e Sanlúcar mais além. O nosso recreio era toda a Praça... na Rua do Município, do lado esquerdo a seguir à Câmara era a minha casa, inicialmente, porque depois mudámos para a casa nova , a poente da praça, pouco depois de o meu irmão nascer.
 Actualmente a Praça está diferente - mais moderna, mais acolhedora. As casas que a ladeavam foram dando lugar a edifícios mais altos. Restam apenas o Edifício da Câmara, a casa dos meus pais e a velha Escola que, há muito deixou de vibrar ao som dos risos e gargalhadas dos miúdos, dado que outra foi construída, há muitos anos, na parte de cima da Vila.
Não é só a Praça da República que está hoje mais bonita,  também a minha Escola foi recuperada, por  fora e por dentro, mantendo-se a traça de outrora.
Perco-me a olhar para ela... desfio muitas recordações boas e algumas menos boas - que também as houve...
Naquele tempo, como já disse noutro post, a régua trabalhava!!! Foi pena!... Não fosse isso e as reminiscências seriam, todas elas, divinais...
Há pouco tempo, em Setembro voltei a ver a minha primeira professora a D.Adélia. Uma boa professora, uma boa amiga que nos acompanhou ao longo de 2 anos. Dela guardo as melhores recordações desse tempo. no final da minha 2ª classe, como então se dizia, concorreu e foi viver para Olhão e eu senti-me um pouco abandonada...  Veio depois outra professora, a D. Mª Antónia, para o seu lugar vazio...
Era muito o que tinhamos que aprender nos últimos 2 anos da primária:
Matemática - saliento os terríveis problemas das torneiras que pingavam horas a fio e quanto mais pingavam maiores eram as contas..., as áreas daqueles terrenos enormes que só havia no Alentejo, e que muitas vezes tínhamos que cercar com 6 fiadas de arame de 2$00 o metro... as multiplicações e divisões com números de meter medo que nunca consegui entender para que serviam, nem hoje consigo..., a História de Portugal, 4 dinastias - Afonsina, de Avis, Filipina e Bragança - 34 Reis  com um ou mais Cognomes que nos obrigavam a fixar - D. Afonso Henriques o Conquistador, o Fundador, o Grande... D. Dinis o Trovador, o Lavrador, o Poeta, o Rei-Agricultor... D. Pedro I  o Justiceiro, o Cruel, o Cru, oVingativo, o Tartamudo, o Até-ao-Fim-do-Mundo, o Apaixonado..., D. Manuel o Venturoso ou Bem-Aventurado, D. Sebastião o Desejado, o Encoberto, o Adormecido...  Os nomes e as datas e quem comandava as tropas, de um lado e de outro, nas inúmeras batalhas contra os Mouros, Castelhanos, invasores Franceses, etc... Os Tratados, as Terras descobertas, as Conquistas... E a Geografia de Aquém e de Além-mar em África - as Linhas de Caminho de Ferro, as Serras, os Rios e afluentes... enfim!!! Uma loucura de matéria para crianças tão pequenas!!! Nem sei como não tinhamos esgotamentos...  Não tínhamos porque ainda não era moda essa doença, do foro psiquiátrico, que haveria de surgir anos mais tarde...
Sempre fui boa aluna, no entanto, a contas de uma malfadada conta de multiplicar também experimentei as carícias da Sra D. Palmatória  uma vez, uminha só... como já contei neste blogue. Nunca esqueci, mas já perdoei a injustiça...(se ainda continuo a falar dela é porque a coisa ainda não está bem resolvida..., diria hj o Psicólogo da Escola).
Havia alguns alunos que eram, diariamente, castigados porque ou erravam as contas, ou falhavam as Tabuadas,  esqueciam a data da tal batalha ou o afluente daquele rio no norte de Moçambique ou ainda porque não faziam a mais pequena ideia do percurso da linha de caminho de ferro de Benguela em Angola...  Quanto aos erros ortográficos - era uma palmatoada por cada erro...
Fiz exame de admissão ao Liceu e, em Outubro de 1963,  passei a frequentar o Liceu Nacional de Faro e a integrar a turma J onde era o nº 34.  No total eramos 39 alunas... Usávamos bata branca, com uma fita verde presa com 2 molas. ( era o distintivo do 1º ano... no 2º vermelha, 3º cor de rosa, 4º amarela, 5º azul que punhamos bem escuro para confundir com o preto que era a cor do 7º ... e o 6º era castanha.)Tive saudades da pequenês da minha Escola, saudades que foram passando à medida que me fui ambientando e criando novas amizades.
Nunca mais vivi 365 dias seguidos em Alcoutim... mas o cordão umbilical nunca foi, completamente cortado... Continuo presa, às raízes...

quinta-feira, outubro 28, 2010

A minha AVÓ ISABEL

Sempre a conheci assim, de negro vestida. Enviuvou antes de eu nascer e, posteriormente, perdeu o filho mais novo, o meu tio Vanderdil, com 35 anos de idade. Cem anos vivesse que sempre de preto se vestiria. O preto simbolizava a dor, a ausência, a saudade dos que haviam partido...marido e filho.
Quando era miúda adorava dormir com a minha avó, bem aconchegada a ela, aquecidas com as mantas de montanheco/de pura lã de ovelha e tecidas lá em casa no velho tear do meu avô Baltasar. Lembro-me dos Invernos ventosos, da chuva a bater nos telhados, das histórias de vida que me contava enquanto o sono não chegava.
Contava-me que o meu avô assinava um jornal que chegava ao monte pelo correio. Depois de passada a palavra de que o jornal chegara, toda a vizinhança confluía para o Castelo (era assim que se chamava a zona mais alta do monte) onde os meus avós moravam.
Mais tarde, seria outro o meio de comunicação que traria as pessoas ao castelo... um rádio comprado pelo meu pai, receptor de notícias faladas, sinal da evolução dos tempos.
Quando, anos mais tarde, fomos morar para Alcoutim e regressávamos ao monte, em visita, lembro-me de a ver, sempre, no canto do muro do quintal esperando por nós... Quando o carro passava a portela, os seus excelentes ouvidos davam conta e ela apressava-se a ir ao sítio onde a minha mente, mil vezes a visualiza... para ver se seriam os seus. Guardo esta imagem como se fosse ontem...

CONCEIÇÃO

Nem tu imaginas que posso guardar uma relíquia destas... Não sabia quem era a jovem desta foto. A verdade é que não me lembro muito de ti quando era miúda. Eu saí de Alcaria Alta por volta dos 5 anos e tu também te deves ter ido embora por essa altura. Foi agora, depois de nos termos reencontrado em Sta Marta de Corroios, que identifiquei esta foto. Sei, porque me disseste, que és visitante deste blogue e de todos os que falam de Alcaria Alta e de Alcoutim, Pensei então publicá-la, expressamente, para ti.
Ofereço-ta de coração!...

sexta-feira, outubro 22, 2010

Os meus Pais e Irmão em 1961

A minha mãe não gosta de se ver nesta foto, ela vai-me matar..., mas eu não tenho outra assim, antiga, onde eles estejam os três... Foi tirada por mim junto à Igreja, a dois passos da nossa casa pois residíamos onde é hoje o Restaurante Soeiro.

Fui filha única durante 8 anos, mas pedia constantemente aos meus pais que me mandassem vir um mano... Todas as minhas amigas tinham um irmão mais novo. A Zézinha e a Gracinha tinham irmãos, a Teresa tinha irmãs, a Angelina tinha os irmãos e os primos e eu... ninguém!... Pode parecer uma coisa sem importância, mas era grande a falta que ele me fazia... Tanto chateei... que lá me fizeram a vontade.

Foi na madrugada de 28 de Maio de 1961, que ele chegou. Não sei se a cegonha veio do norte ou se veio do sul. O que sei é que colocou-o, de mansinho, ali em cima do telhado da nossa casa. No 1º andar morava outra menina que também não tinha irmãos, a Fatinha, cujo pai era Guarda Fiscal Ela dormia até mais perto do telhado, mas foi para a minha casa que ele veio. Pensei que talvez ela não gostasse tanto dele como eu e, assim, ele escolheu-me a mim. O acordar dessa manhã trouxe-me uma alegria imensa e, mercê desse acontecimento, passei a ser a menina mais feliz do Mundo!...

Nessa época o dia 28 de Maio era feriado nacional - assinalava a revolta de 1926 que pôs fim à 1ª República Portuguesa. Portanto só a 29 eu fui para a escola. O coração batia apressadamente no meu peito e o contentamento era imensurável. Percorri esses 100 metros que me separavam da escola num segundo. Já tinha espreitado mil vezes para ver se tinham chegado cedo, pois era grande a pressa de poder dizer a todos que tinha um mano lindo lá em casa...
Consta que me esqueci da pasta em casa e tive que voltar para trás... mas finalmente era chegada a hora. Antes da Sra professora nos mandar entrar já eu tinha todos em volta de mim e acabava de organizar a 1ª excursão à minha casa...
_ Então vamos lá, com sorte a Sra Professora atrasa-se hoje... e lá fomos muitos, todos...
Abri a porta, a casa encheu-se de gente miúda a querer ver o benjamim da família, o mano tão desejado da amiga. A minha mãe, ainda a recuperar, estava meio adormecida. Quando entrámos, de rompante, no quarto ela despertou quase assustada e disse:

_ Santo Deus! Ó filha, mas tu trazes-me tanta gente para o quarto, olha que o menino acorda! Tínhamos combinado que seria mais tarde na hora do intervalo e nunca todos ao mesmo tempo...

_ Ó mãe, é só um instantinho...

Nesse dia mesmo o meu pai entra na Conservatória do Registo Civil ali ao lado e baptizou-o com o nome do meu avô paterno, Baltasar. "Esqueceu-se" de consultar a minha mãe, era uma coisa que tinha que ser feita depressa para que lhe pagassem ainda o abono referente a esse mês. Tinha que se apressar...Quando chegou a casa e disse à minha mãe que o nome do franzino bebé era Baltasar ela ficou zangada por 2 motivos:

1º - Não a havia consultado;

2º - Considerava que Baltasar era um nome grande para um bebé tão pequenino, não gostava do nome mas já não havia nada a fazer...

A partir daí e, para demonstrar a sua total discordância, passou a chamá-lo de Guerreirinho. Sempre era um nome "mais pequenino", apesar de conter mais letras... E foi assim que o meu irmão passou a ser chamado por toda a gente nos anos vindouros. Ainda hoje, em Alcoutim o chamam de Guerreirinho. Em família, já adolescente, passámos a chamá-lo de Baltasar (a gosto dele), inclusivé a minha mãe que hoje já gosta do nome. Eu gostei sempre, Baltasar era o nome do meu avô e além disso era também o nome de um dos Reis Magos do presépio...

E foi assim que passei a dividir o amor dos meus pais com um irmão muito desejado.

Ainda hoje adoro o puto!..

quarta-feira, outubro 20, 2010

Ontem FLOR do campo, hoje da cidade!...

Flor - É a minha única prima, em 1º grau, do lado paterno. Sempre a vi como uma irmã mais velha. Comungávamos do grande amor da nossa avó Isabel, que recordo com muita saudade, embora tenha perdido a contagem dos anos que já passaram, sem ela. No tempo da castanha havia sempre um presente para as netas vindo da feira de Castro. Mesmo que não fosse à feira, e nunca dei conta que ela fosse, arranjava sempre um vizinho que as trazia. Sempre que passo a Castro Verde, recordo a minha avó Isabel e o seu presente de castanhas.
A Flor era também, evidentemente, a única sobrinha do meu pai e filha da minha tia Maria Teixeira e do tio Afonso. Tínhamos outro tio, a quem já me referi neste blogue, que faleceu jovem. Felizmente a minha tia foi de boa cepa. Rumou à cidade grande e passa os dias a ver Tv e a fazer o seu crochet...
Esta foto, tirada pelo meu pai, como todas as antigas que aqui publico, retrata uma jovem bonita e feliz, em plena década de 60. Cintura de guitarra bem apertada... Eram bonitas as moçoilas serranas, nas quais me incluo!...
Para quem conhece a filha, as semelhanças são evidentes!

terça-feira, outubro 19, 2010

Um adeus dói sempre!...

Odília e Isabel em 1959 - Gostei de te abraçar, miúda!!!

Hoje foi um dia difícil porque são sempre dificeis os dias de dizer adeus a alguém, para sempre!... Há rasgos de muita saudade nestas alturas, saudades dos que vão e dos que já foram. Saudades das vivências que perduram nas nossas memórias mais recônditas e são recordadas aqui com uma prima, ali com um amigo de infância, além com alguém conhecido. Saudades dum tempo que se esfuma a cada dia e em cada amigo que parte...
Impreterívelmente, essas horas em que revivo o passado levam-me sempre à infância e causam-me um misto de alegria e tristeza. Alegria porque recordar é viver 2 vezes; tristeza porque a realidade, neste caso, é sempre sinónimo de ausências...
Hoje, o meu pai esteve ainda mais presente no meu pensamento... porque o João era um primo especial, por quem ele nutria grande estima. É nestes momentos de grande interiorização em que estamos ali pensando em tudo e em nada, aguardando sem relógio e sem pressas que conseguimos apreender o que afinal tem significado: os vínculos que unem as pessoas, as lágrimas sentidas, os pequenos gestos, os parcos dizeres...
E para finalizar, a certeza de que são consolo hoje, os sorrisos que nos aguardam, algures, no amanhã distante!...

quinta-feira, agosto 05, 2010

Obrigado, Sr António Rúbio, bem haja!...


Vindo do Porto, hoje ao princípio da tarde, apanhei um táxi à porta da gare do Oriente. Expliquei ao motorista para onde queria ir, e notei o seu sotaque, que me pareceu alentejano. Perguntei-lhe de que terra do Alentejo era, e o senhor disse-me que era algarvio, ao que eu respondi que por vezes a entoação da voz se confundia.Então ele disse-me que não era do Algarve das praias e dos turistas, que era do nordeste algarvio, de Alcoutim, terra onde nunca estive, mas que muitas vezes vi o desvio, no caminho do de V.R. de Santo António para Mértola, a caminho de Lisboa ou de Aldeia Nova de S.Bento, no Alentejo.Falou-me da terra e da figura do médico Dr. João Dias, agora à noite estava às voltas com twitters, FB e outlook express e lembrei-me de procurar a terra e o médico. Fui parar ao seu blogue e do sr. Varzeano, ficando encantado com todo o vosso amor à terra e ao personagem médico e à figura de seu pai.É tão bom que se mantenha a memória, das pessoas e das terras, das nossas infâncias e recordações.Bem hajam pelo que fizeram e que mais venham a fazer, parabéns!


De facto, é assim, tanto eu como o Sr José Varzeano temos um grande amor àquela terra, minha terra natal e dele terra adoptiva, mas muito amada. Não se comparam o meu blog e o dele... O meu é muito emoção/coração/sentimento, mas o dele são testemunhos, é património - riquezas de um povo.

Mas Alcoutim é assim, prende-nos... Quando for possivel desça até lá, vai ver que é uma terra linda e vai ver que vale a pena...

Vindo de VRSA entre na marginal, antes da barragem de Odeleite, sempre ao longo do Guadiana. É o Rio ali sempre ao lado e as paisagens que são agrestes, mas naturais e lindas. Vindo de Mértola, desça na nacional antiga e continue então pela marginal. De um lado ou de outro é sempre bonita.


Obrigado pela sugestão, quando fôr visitar um irmão que vive (...)perto, irei mais abaixo e espreitarei com atenção a vossa estimada terra.Vim muitas vezes de Cabanas de Tavira para Lisboa via Mértola e Vale de Mortos, para fugir ao trânsito da antiga estrada do Algarve, e via o desvio para Alcoutim.Também já vi artigos em revistas, sobre o desenvolvimento social e turístico da vossa terra.


Um "quase" diálogo de 2 pessoas que não se conhecem, mas que encontraram um ponto em comum: ALCOUTIM.

Obrigado Sr Rubio e visite-nos. Será sempre bem vindo.

quinta-feira, junho 10, 2010

25ª FEIRA DE ARTESANATO e ETNOGRAFIA - ALCOUTIM


Nos próximos dias 12 e 13 de Junho, tem lugar a 25ª Feira de Artesanato e Etnografia de Alcoutim e realiza-se mais uma vez no espaço envolvente da Praia Fluvial do Pego Fundo decorrendo entre as 16 e as 24 horas.
É uma verdadeira viagem ao passado do concelho e das suas gentes. Podemos ver os artesãos a trabalhar ao vivo e apreciar uma grande variedade etnográfica, usufruir de muita animação musical e da excelente gastronomia da região. De salientar as Tasquinhas típicas repletas de sabores divinais, misto de aromas da nossa gastronomia. São uma tentação aos olhos, um adoçar de boca e um consolo de alma... e a dieta, como sempre, recomeça na segunda feira!...

Na música, não quero de modo algum perder os Cottas Jazz Band que estarão presentes no sábado e também no domingo... (e ainda bem porque no sábado não posso ir... e sou mana dum dos cotas...), mas também actuam os Arranca Telhados...(?!), a Brigada 14 de Maio, os Balasom, Os Maltezes e José e Vitor Guerreiro...
Baile no sábado...e eu sem poder ir!!!
Tudo isto devemos agradecer à Associação A Moira, à Câmara Municipal de Alcoutim e à Caixa de Crédito Agrícola do Sotavento Algarvio.
BEM HAJAM!...

quinta-feira, junho 03, 2010

ANGELINA


1 de Junho, 9 anos...tantos!!! Sem ti...
O tempo passa, mas a saudade fica!
Porque morei em Faro de 1997 a 2008, reavivámos a nossa amizade de infância e passámos a estar juntas muito tempo. Um dia, vem a má notícia e por imperativos disso, ainda passámos a estar juntas mais tempo. A nossa amizade que já era grande, cresceu ainda mais e ela agarrou-se à vida porque a amava e eu agarrei-me ainda mais a ela porque não a queria deixar ir...

Foram 2 anos de luta intensa, mas quem a conheceu sabe da sua força e coragem. Ela nunca perdeu a fé, a esperança, nunca!...

Eu trabalhava na Escola Dr José Neves Júnior, que ficava a 5 minutos da casa dela e, ir fazer-lhe companhia era o que me apetecia a cada dia, ao final da tarde. E era isso que,quase sempre acontecia.

Não eram tardes de tédio, as nossas. Eram tardes agradáveis em que viajávamos pelo passado e pelas vidas de cada uma e projectávamos um futuro repleto de alegrias. Foi uma cumplicidade enorme. Deixámos de ter segredos, dividimo-los, repartimos alegrias e tristezas e assim nos apoiámos um dia e outro e outro...
Quando ela foi, foi um pouco de mim... ficou uma saudade imensurável, porque ela era assim, dáva-nos tanto que deixou um vazio enorme nas nossas vidas.
Sempre que se aproxima o 1º de Junho, relembro-a ainda mais... no passado mais recente, no mais distante, nas horas felizes da nossa infância...

Naquela tarde longínqua, havia pinturas em minha casa. Morávamos ali, onde é hoje o Minimercado. A D. Angelina/tia estava a ajudar a minha mãe nessa azáfama e nós, miúdas de 7 ou 8 anos, fomos brincar para o rio. Havia um canavial ali a montante, entre o cais velho e a foz da Ribeira dos Canaviais e foi aí que construímos uma Cabana com canas. Recheámo-la com as nossas bonecas, miniaturas de panelas de alumínio e um fogão, tudo acabadinho de comprar na feira de S.Marcos e preparámo-nos para brincar uma tarde inteira...
Ja fazia calor... De repente, ela começou a sentir comichões nos braços e nas pernas, por todo o corpo e, num ápice ficou cheia de babas em cada centimetro de pele. Muito vermelha ela, muito assustadas as duas... corremos para casa pedindo ajuda. Mal nos viram, a minha mãe e a D. Angelina logo perceberam que era uma grande alergia ao pó das canas. A toda a velocidade a minha amiga foi despida e metida dentro de um alguidar de zinco para onde deitaram água quente e quase meia garrafa de vinagre...
_ Vá, agora um banhito malcheiroso de água com vinagre...
No meio das nossas gargalhadas e molhadelas aquilo passou a ser a continuação da brincadeira interrompida. E eu a morrer de pena por não ter babas, para estar lá dentro também...
Rapidamente as babas esmoreceram e ela depressa ficou boa.
_ És alérgica ao pó das canas, menina. Não voltes lá.
_ E eu?
_Tu não és, está visto...

Recordar e viver 2 vezes, amiga!...

domingo, maio 16, 2010

Quatro bons amigos.


Dos presentes, quem não tem hoje cabelos brancos, é porque os pinta!!!
Só identifico 4... Passaram-se 40 anos, desde que foi tirada esta foto...


Em cima, à esquerda, de óculos - o Duarte.
Tenho saudades tuas, miúdo. Nunca mais soube de ti, que fazes, onde andas??? Recordei-te a vida inteira. Durante muitos anos trabalhei numa escola onde havia a Unidade de Surdos e para onde eram canalizados os miúdos de todo Algarve. Nem imaginas as vezes que me vieste à memória, nem os sorrisos silênciosos que me afloravam aos lábios, quando "te via" nesses miúdos, meus alunos... Perdi-te no tempo e no espaço, bem gostaria de te voltar a ver...
À direita, de olhos quase fechados(!!!), estou eu...
O fotógrafo, meu pai, bem podia ter esperado por melhor pose da sua filha...
Em baixo, "a minha parente" Candinhas por quem os meus pais e eu própria temos uma grande amizade e um carinho muito especial. Sempre nos tratámos assim...por parentes. Talvez isso quisesse dizer que, não sendo familiares, éramos quase...dado que a amizade que nos uniu e une, ainda hoje, é muito grande.
Por último, o Aníbal - nosso grande amigo e enfermeiro, à epoca. Ele continua igual. Tive o prazer de o encontrar no ano passado e de termos posto, um pouco, a conversa em dia.

Gosto de olhar as fotos antigas e descobrir semelhanças.
Gosto de recordar a minha meninice, os meus amigos.
Gosto de lembrar, como éramos todos tão amigos e tão felizes.
Gosto de ALCOUTIM, gosto mesmo!...

sexta-feira, maio 07, 2010

RIBEIRA dos CADAVAIS - Praia Fluvial de Alcoutim

PEGO FUNDO
Ribeira dos Cadavais há 40 anos...
Alguns dos meus amigos aprendiam a nadar aqui neste local ou um pouco mais abaixo onde fica hoje a ponte. Nunca tive essa sorte porque a minha mãe tinha um medo terrível que me afogasse. Devo ter sido das poucas miúdas que não aprendeu a nadar na ribeira!!!
Deste local em especial, ainda me lembro de ir com a Gracinha à horta apanhar laranjas e, no regresso, brincarmos aqui e apanharmos enguias minúsculas...
Mais tarde, já no Liceu, aprendi que as enguias adultas desovam no Mar dos Sargaços depois de uma longa viagem migratória com origem nos rios da Europa e da América. As larvas eclodem no mar e, após algum tempo, são levadas pela corrente do golfo e, já perto da costa, encontram os mesmos rios de onde vieram os seus progenitores. Sobem o rio e iniciam a vida adulta...
Recordei, nessa aula de Zoologia, a nossa " pescaria de enguias bebés" e pensei que só podiam ser cobras de água...
Senti um calafrio... se há bicho que me apavora, é cobra...

PEGO FUNDO
Ribeira dos Cadavais hoje...
Local de recreio e lazer, por excelência, é hoje a Praia Fluvial do Pego Fundo um dos maiores atractivos do concelho. Situada já próximo da foz com o Rio Guadiana, é uma praia de areia dourada bastante bem equipada com um vasto leque de infraestruturas e serviços.
Para além do apoio de praia com nadadores salvadores, bar, sanitários, duches, parque automóvel e acessos adaptados para deficientes, a Praia dispõe ainda de um parque de merendas, de parque geriátrico, campo de voleibol e uma área para actividades lúdicas e desportivas.( fonte C.M.A)
Um belo sítio para passar uma tarde em família... digo eu!...
Obs: A primeira foto foi tirada pelo meu pai/ João Baltazar Guerreiro, há mais de 40 anos...
A segunda foi retirada da Internet.

quarta-feira, março 03, 2010

Ao meu PAI


Foi em Março que partiste,
num dia triste
que nunca esqueço.
Deixaste o vazio
que deixam os pais quando partem.
Deixaste uma dor imensa
no meu coração de filha
que menina queria ser
para, de novo, te ter...

O tempo passa, Pai ...
Vem outro ano, chega outro Março

e eu, só queria poder abraçar-te...
apagar velas, beber champanhe
e festejar contigo
a vida que me deste.


Ironia do Destino...

No meu dia, falta-me agora o teu sorriso
e, nesta data, levo-te rosas em vez de beijos...
Como é grande e imensurável
a falta que tu me fazes!...
Estarás no Céu, certamente,
mas a Saudade ficou
no meu coração
ETERNAMENTE!...


..%%..
FOTO:
O meu Pai, o meu irmão e eu.
Teria os meus 9 anitos.
Esta foto foi tirada junto da Igreja Matriz em Alcoutim.
Reviver é viver duas vezes... diz-se!...

terça-feira, março 02, 2010

Como eu vivia as cheias do Guadiana...

Sempre senti um carinho muito especial pelo meu rio. Há dias passei por ele em Badajoz e não pude deixar de pensar que, apesar de o País ser outro, ele continua a ser um pouco meu... onde quer que com ele me cruze.
Os romanos chamaram-lhe Anas ao que os árabes juntaram uádi (a palavra árabe para rio) sendo então o Úadi Ana, abreviado para Ouadiana, depois Odiana e mais tarde Guadiana. Foi este importante curso de água o eixo do al Gharb al Andalus, que em árabe quer dizer o ocidente da Hispânia englobando, grosso modo, a Andaluzia hoje na Espanha e os nossos Alentejo e Algarve.
Estas 2 fotos são muito antigas, terão mais de 40 anos. Fazem parte do espólio de muitos negativos que o meu pai guardou nas suas gavetas e que guardo agora num CD.
Naquele tempo, o Guadiana mostrava-se assim... um rio calmo que corria tranquilamente pelos campos fora. Havia em Alcoutim alguns barcos de pesca, era via de comunicação e servia de fronteira. Tambem era morada de algumas famílias de pescadores, recordo-me de algumas familias que viviam nos barcos...


De vez em quando chovia bastante e, ele enchia, enchia... tapava o cais e subia. Beijava os pés da Casuarina, inundava-lhe o espaço e, algumas vezes que me lembre, empoleirou-se-lhe na copa.
Lembro-me de uma vez em que chegou aos degraus da minha casa (onde é hoje o minimercado), inundando também os degraus da minha Escola e a Capela de Sto António - minha vizinhança da frente...
A aflição dos nossos pais era enorme com o rio a subir, a subir...
Depois de algumas horas de angústia e de muitas orações também, as águas começavam a baixar. Os resíduos que ficavam - muitos galhos, canas e muita lama eram uma maravilha para nós. Calçávamos as botas de borracha pretas (hoje galochas coloridas, coisa bem mais chique), a miudagem divertia-se à grande porque até ser tudo removido, esperavam que a lama secasse, aquele era o centro das nossas brincadeiras. as nossas mães zangavam-se, a roupa ficava enlameada e os pés dentro das botas ficavam malcheirosos, brancos e franzidos...

Por me lembrar sempre disso, nunca comprei dessas botas aos meus filhos. Certo dia, já a minha filha era mulher, estávamos a ver uma montra onde estavam expostos vários pares de galochas coloridas. Com um ar nostálgico, disse-me que sempre guardara alguma mágoa por eu nunca lhe ter comprado umas, já que todas as amigas tinham... Tive uma vontade enorme de lhas comprar, mas agora era tarde.
Tinha passado aquele sonho de menina...

terça-feira, dezembro 08, 2009

Recordar um alcoutenejo - João Baltazar Guerreiro/ Meu Pai



Agradeço, José Varzeano, o que escreveu sobre o meu pai no blogue Alcoutimlivre
É gratificante tomar conhecimento de coisas que desconhecia e o orgulho que sinto, ao ler o que sobre ele escreve, é imensurável... Obrigado e bem haja.

Estatura média, para o forte. Barriga um pouco saliente. Feições gradas, olhos grandes, cabelo preto e hirto. Um timbre de voz não vulgar e inconfundível.Devia de andar na casa dos quarenta.O cachimbo e as fumaças caracterizavam o seu porte. Vestia sempre fato completo.Conheci-o logo que cheguei à vila de Alcoutim em 1967. Já lá vão uns bons anos!Era natural do concelho, mais propriamente do monte de Alcaria Alta, onde nasceu em 1926.É na sede da sua freguesia, a aldeia de Giões, que faz a 4ª classe sendo sempre bom aluno. As dificuldades em todo o país eram muitas e em Alcoutim, pelo que se conhece, ainda era pior. Poucos conseguiam fugir da ocupação agrícola ou do pastoreio para a casa ou para o patrão.Quem possuía uma arte já estaria um pouco melhor mas a diferença não era muita. João Guerreiro aprendeu com os pais a arte de tecelão. Teciam linho com que se faziam toalhas de rosto, lençóis, colchas, etc. A lã dava origem a belíssimos cobertores e mantas, entre outras peças.Nesta altura a freguesia de Giões era a mais têxtil do concelho com teares rudimentares espalhados por todos os montes, havendo igualmente na aldeia grande actividade nesta arte artesanal como já tenho tido oportunidade de referir noutras ocasiões.Depois, como pessoa sempre interessada em saber coisas novas, aprende a técnica da destilação e instalou um alambique no monte natal onde destila principalmente medronho e figo. Pelos 24 anos procura companheira, com quem casa e foi buscar a um monte relativamente perto, mas da freguesia de Vaqueiros. Foi a mãe de seus filhos e um pilar onde sempre se apoiou. Chegou à Vila de Alcoutim para tomar posse do lugar de Aferidor de Pesos e Medidas da Câmara Municipal o que veio a acontecer em 21 de Julho de 1952 e onde vencia uma ridícula importância mensal. Verdade seja que não cumpria o horário normal do funcionalismo, pois não ganhava para isso por um lado e o trabalho igualmente não o justificava. Ia à Câmara quando era preciso e não mais. Tinha contudo o serviço anual de aferição que se realizava no princípio do ano, se não estou em erro e que naturalmente efectuava percorrendo todo o concelho.Deslocava-se diariamente de Alcaria Alta, à vila e só por volta de 1958 se fixou na sede do concelho com a família. Monta entretanto uma pequena relojoaria, consertando e vendendo relógios em nome da esposa já que como funcionário não a podia possuir. Isso acontece numa pequena casa situada na Rua Portas de Mértola e onde paga 60$00 de renda.Cerca de um ano depois muda-se para a Rua do Município onde é hoje o Bar Miragem e parte do Minimercado Soeiro, onde igualmente fixa residência.Tendo sido posto em venda o edifício comercial que foi desde tempos imemoriais a chave do comércio da vila, sendo no século XIX propriedade da Família Torres, passando depois para a Família Serafim, foi a esta que João Baltazar Guerreiro o adquiriu.



[JBGuerreiro no seu estilo inconfundível despachando um café no seu estabelecimento comercial. O cachimbo lá estava]

Quando conheci o estabelecimento comercial compunha-se de mercearia e venda, vendendo também relógios, rádios, balanças e fogões a gás, que eu me lembre.Como já aqui informei, numa pequena divisão que tinha porta para a Rua Dr. João Dias, montou um pequeníssimo café com duas ou três mesas e em que a máquina só tirava um café de cada vez.O Café veio pouco tempo depois a motivar toda a reorganização do espaço comercial, pois foi o ramo que passou a ocupar maior espaço, já com uma máquina moderna e com dez ou doze mesas.Se não estou em erro, pertenceu a João Baltazar Guerreiro, que usava muito na escrita e na palavra JBGuerreiro, a iniciativa de mostrar a televisão acabada de chegar, o que não era fácil devido a muitos condicionalismo, que já aqui referi, de ordem técnica e geográfica. Funcionava nessa altura na parte alta da vila, na Rua D. Sancho II, em casa que foi de Leopoldo Martins um aparelho de TV, havendo cadeiras para as pessoas se sentarem, pagando-se por isso 1$00 que revertia a favor da Santa Casa da Misericórdia. A imagem era naturalmente muito deficiente mas mesmo assim tinha sempre casa cheia.Fui lá duas ou três vezes, uma delas para ver o famoso Zip Zip, com Raul Solnado, Fialho Gouveia e Carlos Cruz. A instalação deste aparelho teve por base o interesse e desenvolvimento de JBGuerreiro.

Carteira de fósforos que me ofereceu JBGuerreiro, cuja capa reproduzia o seu jovem filhote que todos conheciam por Guerreirinho e que mantenho intacta]

Ainda há poucos anos tive conhecimento que também tinha sido ele que no moinho da Pateira, perto de Afonso Vicente, instalou antena e aparelho dando assim oportunidade às pessoas desta zona, que na altura eram muitas, de ver pela primeira vez imagens televisivas. Pagavam, segundo o meu informador, 1$00. Numa destas tarefas, vieram jantar à vila para depois continuar a sessão. Por precaução, decidiram tapar o gerador com uma serapilheira. Ao regressarem para continuar o trabalho, como o motor estava quente, a saca ardeu queimando a máquina. Ficou realizada a sessão da noite!João Guerreiro teve sempre tendências para estas coisas: relógios, máquinas fotográficas, rádios, televisores, fogões, etc.


[Velho Fiat de JBGuerreiro]


Dos seis automóveis então existentes na vila, um deles era o seu Fiat .Foi João Guerreiro que teve a iniciativa nos primeiros anos da década de 60 de fomentar a edição de uma colecção de postais representativos da vila, o que até aí nunca tinha
acontecido.
Ainda que a escolaridade fosse a própria da época (4ª classe), João Guerreiro gostava de ler e com isso ia aprendendo, já que era uma pessoa inteligente. Depois punha em prática o que aprendia para admiração dos outros. Dizia muitas vezes:- Isso é fácil de fazer, é preciso é ter as coisas que por vezes não se arranjam. Era um “engenhocas” no sentido positivo do termo.Tinha também outros interesses, talvez menos conhecidos e de que eu me apercebi com alguma admiração. Gostava de saber as coisas do passado, interessava-se pela história, arqueologia, pelas lendas, pelos monumentos, velhas minas, etc. e algumas pistas sobre determinados assuntos foram-me dadas por ele.Como já aqui referi foi na sua mão que vi pela primeira vez uma parte do livro do Visconde de Sanches de Baêna, Famílias Nobres do Algarve, 1900, que eu então desconhecia completamente. Mostrou-me também um código de justiça que penso ser do começo do período liberal e outras velharias que agora não posso precisar.Não era fácil encontrar nessa altura na vila uma pessoa que se interessasse por estes assuntos.Era no seu estabelecimento comercial, por deferência do casal Guerreiro, que para o efeito me mandavam chamar e que eu ia atender as chamadas da minha então namorada.Os telemóveis estavam ainda muito distantes!Era um “bon vivant”, adorando um petisco com os amigos e que tinha muitas vezes lugar na rua, frente à porta do primitivo café. Tudo servia para a petisqueira para se beber um copo e onde nunca faltava, porque também era admirador, as cantorias, ora os cantares alentejanos que praticava, ora o fado tanto de Lisboa como de Coimbra, conforme os convivas se ajeitavam e havia sempre quem fizesse uma perninha. Isto por vezes entrava pela noite dentro, com os naturais protestos da D. Cesaltina.João Guerreiro era um homem solidário e não me esqueço que em 1970 quando fui levar a minha mulher para nascer o meu filho, no regresso, nas descidas da ponte da Foupana, saltou uma roda ao táxi e se nada de grave aconteceu, foi porque não calhou.Tendo-se sabido isto na vila, João Guerreiro meteu-se no carro com o Dr. João Dias e foram ao nosso encontro para o que fosse necessário. Encontrámo-nos ao Celeiro. Nunca me esqueci disto.Em conversas recatadas, mostrou sempre a sua discordância com o regime político vigente.

[Estabelecimento comercial na Praça da República e pertencente aos Hºs de JBGuerreiro, 2009]

Exerceu durante alguns anos as funções de tesoureiro da Santa Casa da Misericórdia de Alcoutim.Foi correspondente do jornal diário O Século.Em 1972 e após a saída do Dr. João Lopes Dias, de quem era amigo, para S. Brás de Alportel, resolveu pedir a sua transferência para a Câmara Municipal de Loulé, onde já tinha um vencimento compatível e possibilidades para os filhos continuarem os estudos.Aqui se reformou em 1990, tendo falecido nove anos depois.A última vez que com ele contactei foi no Convívio de Naturais do concelho de Alcoutim na Amora, penso que em 1986, onde me desloquei a convite da organização e onde ele tinha ido também com o Dr. João Dias.Recordar aqui este alcoutenejo é uma pequena e justa homenagem que lhe prestamos.Nota BreveAgradeço à Família, nomeadamente a sua filha Odília e viúva D. Cesaltina, a colaboração prestada.


sábado, setembro 05, 2009

FESTAS de ALCOUTIM 2009


As Festas de Alcoutim realizam-se no mês de Setembro.
A par dos tradicionais festejos com espectáculos musicais, fogo preso e aquático e actividades desportivas no rio Guadiana, a autarquia, entidade organizadora do evento, promove um variado programa de actividades todas elas relacionadas com os temas a que estão subordinados os cinco dias de festa.
Com entrada livre, são o maior acontecimento festivo do concelho, dirigido sobretudo aos filhos da terra que aqui se juntam nesta altura do ano.
O destaque vai para o Dia de Espanha, no sábado e o Dia da Juventude, no domingo, em que a animação é redobrada e conta com a participação de muitos espanhóis oriundos da Andaluzia.
A praia Fluvial de Alcoutim, o castelo, e o cais do Rio Guadiana são os palcos privilegiados das festas, que se estendem um pouco por toda a vila.
São festas caracterizadas pela sua força e vitalidade e também por durarem noite dentro.
Lá estarei...

quarta-feira, agosto 12, 2009

Obrigado ALCOUTIM LIVRE

A entrada que se segue foi-me enviada pela minha filha que está sempre atenta... Não posso deixar de " copiar" com os devidos créditos, este testemunho de tempos felizes que não voltam...
http://alcoutimlivre.blogspot.com/2009/06/1-cafe-de-alcoutim.html

Agradeço uma vez mais, ao autor do blogue Alcoutim Livre, esta foto que já me havia enviado por email.
O Sr também está presente e olhe pelo que sei, estamos todos bem de saúde.

1º Café de Alcoutim
Esta fotografia tirada, não sei por quem, em Setembro de 1967, retrata o que era o 1º Café de Alcoutim, acabado de inaugurar.Um pequeno espaço com quatro ou cinco mesas e porta para a Rua Dr. João Dias. Uma pequena máquina que tirava um café de cada vez!Era propriedade do comerciante local e já falecido, João Baltazar Guerreiro. Virado para a Praça da República e no prédio, na posse dos seus herdeiros, que foi sempre o ponto fulcral do comércio alcoutenejo tinha mercearia e taberna, vendendo fogões e relógios.Para satisfazer meia dúzia de fregueses, quase foi “obrigado” a montar nesta pequena dependência o que para a vila constituiu uma novidade: - UM CAFÉ!Lembro-me muito bem, um café custava 1$20, o que na moeda de hoje dá € 0,06.Foi lá que bebi o primeiro café com aquela que veio a ser minha mulher.Dos doze fotografados, é tudo gente na reforma e dois nada têm a ver com Alcoutim, pois encontravam-se em trabalho periódico do Instituto Nacional de Estatística de que eram funcionários. Dos restantes dez, só dois ainda residem na vila, ainda que mais dois residam no concelho.Não me lembro, mas possivelmente alguém faria anos.Cerveja e licor parecem terem sido as bebidas.Quem os reconhece?Posso dizer que está lá a “Marlene”, que ninguém sabe quem é, a não ser a própria.Pouco tempo depois o CAFÉ passou para o maior espaço virado para a Praça, substituindo a mercearia.N.B. - Informacão acabada de chegar do colaborador deste blogue, Eng. Gaspar Santos, dá-nos a conhecer que houve na década de 50 uma primeira tentativa de CAFÉ que foi mal sucedida. Situava-se curiosamente em frente deste.
Publicado por José Varzeano
Tema:

E continuando esta informação...

A " Marlene" está presente, sim...sei bem quem ela é...
A seguir ao Duarte, o miúdo dos óculos, era a mais novita do grupo. Em 1967, tinha portanto 14 anos...
A alcunha" Marlene" era um tributo à Dietrich a tal que Hitler convidou para protagonizar filmes pró-nazistas?!..., vim a conhecer-lhe a história mais tarde e a admirá-la porque soube recusar o " honroso"convite. Apressou-se a deixar a Alemanha e tornou-se uma cidadã dos EUA. Hitler tomou isso como um desrespeito para com a pátria alemã e chamou-a de traidora...

O Café era do meu pai e era de facto assim. Era o centro de tudo naquela década de 60... foi café onde a TV estava sempre ligada desde o inicio até ao fim da emissão... foi casa de petiscos quando os clientes que eram todos amigos do meu pai se juntavam e em sã camaradagem comiam, bebiam e cantavam modas do Alentejo, fados de Coimbra e de Lisboa...até altas horas, foi agência e ponto de paragem dos autocarros da Rodoviária Nacional, foi casa de jornais e revistas... foi tanta coisa!!!
E já agora a foto foi tirada pelo meu pai. Conservamos ainda muitos negativos desse tempo e a minha filha que gosta de preservar tudo o que encontra em casa do avô, tem-os guardados em grande estima.

Obrigado Sr Nunes e bem haja pelos testemunhos que tem escrito sobre Alcoutim - sua terra adoptiva, mas não por isso menos amada.E também pela alcunha... ela era de facto uma mulher bonita. Isso queria dizer que os meus olhos eram como os dela? ou seria o facto de eu ser assim... "um pouco rebelde"?

domingo, julho 19, 2009

A CASA do MONTE / Alcaria alta


É um refugio onde se acorda de manhã com o chilrear dos pássaros, onde nem se dá pelo passar das horas e onde ainda se deixa a chave na porta ...
É uma casa humilde, como humildes eram os meus avós. Mas é um local onde impera a paz e o sossego!...
Gosto de cá vir… aqui retempero forças!!!
Está um dia quente. O carro marca 38º C… Mal chego, bebo água fresca e descanso um pouco. Como só cá estou hoje, não tenho muito tempo para esperar que o calor abrande. Apetece-me um figo da Índia... Pego numa lata de zinco, que em tempos serviu para tirar água do poço e numa tenaz. Desço o carreiro até à Figueira da Índia mais próxima. Em tempos vi-os à venda no Continente a 18 euros o quilo, sim 18 euros… Não sei de onde vêm, mas aqui ninguém os aproveita a não ser num “ matar de desejo” que é o caso.
Encho a lata bem apinhada e deito-os na areia onde “sabiamente” lhes retiro os picos muito finos, mas agressivos. Depois, cumprindo o ritual, lavo-os e coloco-os no banco de pedra para secarem do excesso da água. Coloco-os no frigorífico para arrefecerem..." Quentes, fazem mal à barriga" - dizia a minha avó Isabel.

Estes bancos de pedra, construídos nas fachadas das casas, tinham muitos fins…serviam para a secagem de frutos, descanso das caminhadas, pousar dos cântaros, contemplação do céu estrelado ao fresco da noite… Gosto de me sentar neles ao cair da tarde e noite dentro. Trazem-me lembranças dum passado longínquo. Ali, ao relento, na noite de um distante verão ouvi muitas histórias contadas pelo meu tio Vanderdil ( Parece um nome estranho, mas não é se eu vos disser que o Padrinho foi veterano da 1ª Grande Guerra em França ). Este meu tio era o irmão mais novo do meu pai. Ainda hoje me lembro de muitas coisas que ele me ensinou e... eu tinha apenas 5 anos quando ele morreu aos 35 anos de idade. Ensinou-me a coaxar como a rã e a cantar como a perdiz, ensinou-me a contar até 20...e ensinou-me o Jogo das Pedrinhas... ensinou-me muitas outras coisas que, na minha memória de menina, se perderam.
Nem tudo são boas recordações… quando regresso ao passado.
Um dia, vi trazerem-no inerte em cima duma égua. Ainda hoje consigo visualizar toda essa dramática cena. Eu adorava o meu tio Vanderdil... Ele foi a primeira grande perda da minha vida.
Descobri que o coração da gente se cansa de bater e pára...tinha apenas 5 anos!

A casa foi agora pintada com barras de azul alentejano! Deixo que ponham tudo ao gosto deles. Gostam de lá ir passar os dias de folga, caminhar, pedalar, descobrir... Deram uso aos cântaros, aos alguidares de barro, aos chocalhos, às esparrelas para pássaros, às panelas de barro, às trempes e aos candeeiros a petróleo,etc... trouxeram para a luz do dia toda a tralha que encontraram na despensa. Mas eu não me importo que eles ponham a casa ao gosto deles.O forno é que eu preciso de cuidar, recuperar, caiar... É um forno comunitário, pertenceu a 4 famílias cujos herdeiros ainda vivem... uma delas, sou eu.
Vai ser a minha próxima preocupação!...

O amor ao monte, permanece nos meus filhos.
Consegui transmitir-lhes isso...
Fico FELIZ!...


domingo, maio 10, 2009

Combate à SURDEZ

No âmbito do Programa de Recuperação de Audição, que visa combater a surdez no concelho, a Autarquia disponibiliza 100 mil euros para a compra de aparelhos auditivos.

Alcoutim é um concelho pobre e as pensões da população idosa são muito baixas. Qualquer pessoa, por si só, não conseguiria sem a ajuda da Autarquia. A comparticipação do Estado para a compra de próteses auditivas é de 22 euros, quando elas custam mais de mil... É ridículo na verdade!...
Felizmente Alcoutim tem o privilégio de ter um Presidente-Médico sempre atento aos problemas dos idosos do concelho.
Bem hajas, Chico!...
Muitos dos nossos idosos voltaram a ver graças a ti. Agora, outros voltam a ouvir...

terça-feira, abril 28, 2009

Joselito / Filmes da minha infância...



JOSELITO tinha uma voz linda!
Tornou a minha infância mais bonita, ensinou-me a sonhar e mostrou-me que o Mundo ía muito para além da minha terra natal.
Recordo todos os filmes que vi dele, ao ar livre, no Cais juntinho ao Rio e também as lágrimas que teimavam em cair das nossas faces quando as aventuras eram um pouco mais dramáticas...

Agora que sou adulta, continua a ser impossivel esquecer esta tremenda voz, esta doçura em cara de anjo…
Tenho um CD dele no meu carro e todas estas canções andaluzas fazem, ainda hoje, parte do meu reportório...
(Ja pedi perdão ao nosso cancioneiro...)

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

A GRANDE CHEIA DO GUADIANA


Esta placa encontra-se no edificio onde existia, à epoca, a velha cadeia.
A distância a que está do rio e a altura que assinala, causam admiração.
Na minha casa, atendendo a esta placa, a água submergiu todo o rés do chão...

Ainda hoje, quem percorre as povoações ribeirinhas do “grande rio do Sul” encontra uma série de placas que atestam a altura, quase inacreditável, que as águas do Guadiana tomaram naqueles dias, seja em Mértola, Alcoutim ou na margem Espanhola. A imprensa da época, através de correspondentes locais, não deixou de noticiar tão nefasta tragédia.
A «Gazeta do Algarve», jornal publicado em Lagos, na edição de 13 de Dezembro de 1876, citando o correspondente de Alcoutim, em carta datada do dia 6 daquele mês, refere que «O Guadiana há 3 dias que traz uma corrente assustadora e devastadora – mede a velocidade de 11 milhas por hora e tem alagado completamente todos os campos marginais». Aquele periódico menciona igualmente que «o Pomarão desapareceu. Todas as casas foram arrasadas, e nem se conhece o lugar onde existiam. A estação telegráfica desapareceu também, indo a mesa dela dar às margens de Ayamonte. Em Alcoutim houve perdas consideráveis, os campos estão debaixo de água, que entra dentro da vila em muitas casas e quintais. As carreiras a vapor foram interrompidas».
Também o «Correio do Meio Dia», publicado na então Vila Nova de Portimão, na edição de 17 de Dezembro, foca a grande tragédia, transcrevendo do «Comércio do Sul» (Faro) a narração dos acontecimentos: «No dia 7 recebemos a seguinte comunicação de José Francisco Bravo de Alcoutim, “uma exposição singela, mas verdadeira dos horríveis estragos e imensas apreensões de que todos nós por aqui nos achamos possuídos pelos efeitos do extraordinário temporal que há bastantes dias nos tem perseguido, chegando agora a um grau mais elevado. O rio saiu fora do seu leito. Desde ontem das 10 horas da noite por diante, seguiu a passos agigantados e assustadores que já hoje ás 10 horas da manhã chega, mas de um modo aterrador, à praça pública desta vila (Alcoutim) – 30 metros senão mais por diante do princípio das habitações dela. Tudo aqui se vê em desarranjo, todos deixam ver no semblante o medo pela tempestade que ameaça sorver-nos. Espessas nuvens toldam o horizonte e todos os sinais nos parecem anunciar próxima e mais grossa nova tormenta».
E de facto assim foi. «Em data de 8 nos dizem da mesma vila o seguinte: São 10 horas da manhã e a maior parte desta vila está debaixo de água. Não há por aqui notícia do Guadiana ter engrossado tanto como nesta ocasião. A igreja de Santo António está já meia coberta e a linha telegráfica está submergida. Têm abatido grande número de casas, embora estas ainda não se vejam na totalidade. Todas as repartições foram a terra, a alfândega foi a que sofreu mais porque não se pôde salvar um único papel e supõe-se que não ficarão nem vestígios dela. Em Mértola também a cheia foi assustadora fazendo desabar bastantes casas e causando subidos prejuízos».
De alguns pontos, salienta ainda aquele jornal, «foram vistos arrastados pelas águas alguns cadáveres humanos – uma mulher agarrada a um tronco de uma árvore, uma criança de tenra idade num berço e um homem». A estas perdas de vidas humanas, juntaram-se ainda as tripulações de várias embarcações, que foram arrastadas pela corrente e naufragaram (11 mortos).
A gravidade dos acontecimentos dominou ainda a Sessão da Câmara Municipal de Alcoutim, de 21 de Dezembro de 1876, também ela privada de edifício próprio, que reuniu em sala provisória, onde «o Sr. Presidente José Joaquim Madeira relatou os tristes acontecimentos ocasionados pela extraordinária cheia do Rio Guadiana nos dias 6 e 7 do corrente que fez desabar mais de 60 prédios nesta vila e montes do rio, tornando também infrutíferas todas as fazendas marginais por lhe haver arrebatado o arvoredo, não deixando mais do que montes de areia. Neste aflitivo estado é de toda a urgência empregar os meios ao nosso alcance para que sejam minorados tão tristes efeitos em assunto de tanta magnitude. Na Sessão foi por todos reconhecida a necessidade de elevar um brado ante o trono de Sua Majestade fazendo-lhe sentir os nossos infortúnios e pedindo lenitivo às nossas desgraças».
Foi então determinado representar ao governo, «pedindo um empréstimo para se poderem levantar os prédios que se abateram pela inundação, bem como pedir o dinheiro existente no cofre de viação municipal e que a ele possa pertencer durante os dez anos seguintes para a edificação dos novos Paços do Concelho».
E finalmente «que não sendo conveniente a edificação no local em que se achavam por estarem sujeitos às cheias do rio se representasse pedindo o castelo, onde sem receio das enchentes se podem construir não só os Paços do Concelho como as demais repartições e escolas». Estes pedidos de ajuda acabariam por surtir efeito, e em Sessão de 17 de Março de 1877 foram concedidos os primeiros apoios para a reconstrução das habitações, num total de 9 926 000 réis. Estas não deveriam ser reconstruídas em taipa, «causa principal da maior parte dos desmoronamentos» durante a inundação.
Na Sessão de 24 de Abril do mesmo ano são atribuídos mais 19 470 000 réis aos agricultores das margens do Guadiana, num total de 147, cujos nomes e quantias se encontram discriminados na Acta daquela Sessão.
Foram ainda concedidos 500 000 réis «para matar a fome e o frio aos inundados». Apesar das consequências terríveis da cheia, esta permitiu pôr a descoberto inúmeros vestígios arqueológicos ao longo do rio, particularmente em Mértola, Montinho das Laranjeiras e Álamo, locais pouco depois escavados pelo arqueólogo algarvio Estácio da Veiga.
Volvidos 130 anos, a memória da cheia reparte-se essencialmente pelos documentos de então, sejam jornais ou Actas de Vereação, impregnadas de desolação e terror, e pelas placas de mármore facilmente observáveis um pouco por todo o vale do Guadiana. Na memória dos homens, a grande cheia não passa hoje de um facto passado e inatingível para muitos, nos nossos dias.Contudo, e se é verdade que a Barragem do Alqueva permitiu, em conjunto com as suas congéneres espanholas, dominar de certa forma o Guadiana, convém não esquecer que, se estiverem completamente cheias, a inundação a jusante será inevitável. Afinal, as muitas barragens do Douro não debelaram as cheias das zonas ribeirinhas de Gaia e do Porto...Por estas razões, as margens do Guadiana não deverão ser ocupadas, sob pena de virmos a lamentar uma nova da catástrofe. Tal como as secas, as inundações são fenómenos cíclicos normais no nosso clima, quer queiramos quer não.
Fonte: BARLAVENTO
P.S.- Assisti a algumas cheias durante a minha infância... A maior de que me lembro, ainda bem novita,"beijou" os degraus dos Paços do Concelho. A preocupação dos adultos, constratava com a nossa curiosidade...e o desejo, inconsequente, de que subisse, subisse...

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

SENTINELAS VIGILANTES


Durante séculos, Alcoutim e Sanlucar del Guadiana enfrentaram-se como sentinelas vigilantes, cada qual guardando a sua margem.
A História passou por aqui em 1371, quando os reis de Portugal e de Castela (respectivamente D. Fernando e D. Henrique 11) assinaram o Tratado de Alcoutim (a paz aqui acordada seria várias vezes quebrada até à morte de D. Fernando. em 1383.
À parte estas " guerreiazitas" o povo, o verdadeiro povo de Alcoutim e Sanlucar, sempre se respeitou e viveu em paz.
Aquando da guerra civil espanhola, em finais dos anos 30, conta-se que os alcoutenejos foram bastante solidários com amigos e vizinhos da outra margem.

quinta-feira, janeiro 15, 2009

NOSTALGIA

Testemunho de um amigo

O Guarda Fiscal sempre atento ao rio, quer de dia, quer de noite...
A Estátua perpectua-lo-á e a nossa memória também...



" Lembro-me que estávamos nas férias do Natal e fomos convidados para um “bailarico” em Sanlucar.
O problema era que a autorização era bem difícil… E agora???.
Vamos ser criativos.
O Chico Balbino deixa o barco no “cais velho”, mesmo a jeito.
Era o Antonico “Guarda Rio”, o Amílcar “Felício”, o Arnaldo, o António do Rosário, o Zé Serafim e mais alguns que agora não recordo.
Juntámo-nos na “capela”, mas havia uma “tertúlia” debaixo do lampião junto das escadas de acesso ao cais que, reunia o Sargento, o soldado da Guarda Fiscal de serviço e mais algumas pessoas.
O tempo passava, e nada.
Vamos entrar em acção. Dois vão buscar o barco e os outros vão para a “boca da ribeira”.
Lá vai o Amílcar e o Zé Serafim descer da “capela” e rastejar no cais velho para não serem vistos, remar à “contrabandista” e lá vamos nós subindo o rio para não entrarmos na zona de reflexo.
Naturalmente em Sanlucar divertimo-nos imenso com aquilo que só eles sabem fazer. Uma guitarra, uma pandeireta, umas castanholas, e “chicas guapas” com amizade, simpatia e “salero”.
No retorno, fazendo o mesmo trajecto, e quando estávamos junto da boca da ribeira, fomos surpreendidos pelo Guarda Fiscal, de arma apontada, intimando -nos a ir imediatamente para terra.
Grande atrapalhação com consequência desastrosa. Ficámos encalhados no cascalho da ribeira. E agora???
Com os remos, empurra daqui, empurra do outro lado e nada. Solução???
Alguém tem de ir à água… E com um frio de rachar.
Enfim lá surge um voluntário e o problema é resolvido.
E o Guarda Fiscal???
Era um assunto grave. Todos tínhamos de ser presentes ao Sargento no dia seguinte etc. e tal.
Depois de muita argumentação, de que nada tinha acontecido de mal, por fim
lá fomos mandados em paz, com o compromisso de que nada se soubesse.
E assim aconteceu.
Até agora..."


Obrigado por mais este testemunho de outros tempos...
Nesta aventura as miudas não participavam porque os tempos eram outros e, "à escapadela", não podia ser!!!

terça-feira, janeiro 13, 2009

A CASUARINA da minha terra.

Esta magestosa e imponente Casuarina (Casuarina Cunninghamiana MIQ.) encontra-se à beira do Rio Guadiana em Alcoutim e foi classificada como Árvore de Interesse Público, em Diário da República de 29/03/1999.Sempre a conheci assim, enorme...imponente!!!

Testemunhou a azáfama diária das gentes da terra... Viu o Guadiana sair do seu leito e beijar-lhe a copa... Deu sombra às brincadeiras da nossa infância e foi conivente c'os namoricos da nossa adolescência... Assistiu aos nossos bailaricos no cais e às nossas festas... Viu os jovens partir para a guerra e também para a cidade, em busca de melhor vida... Foi cúmplice do amor que existe entre Alcoutim e Sanlucar, de como se miram e espelham nas águas do rio na terna esperança de se enlaçarem,um dia...
Como o tempo passa!
Ela continua linda, viçosa e nós vamos perdendo o brilho... no entanto, quem tem mais de 80 anos é ela!!!
PATRIMONIO NATURAL A PRESERVAR...
As ruas das Aldeias, Vilas e Cidades da nossa terra são bem mais lindas
se de árvores se enfeitam...

domingo, janeiro 04, 2009

OS NATAIS DA MINHA INFÂNCIA

Eram o NATAL, na sua verdadeira essência...
O jantar naquela noite era melhorado, mas nada dos exageros que vivemos hoje, em que os excessos dão para quase uma semana...
As prendas eram poucas... mas consolavam, consolavam...
Não havia Pai Natal, nem renas, nem eu sabia onde era a Finlândia, a Noruega, ou o Pólo Norte...
Sabia da existência de um Menino Jesus que nascera em Belém, lá na Judeia - uma terra que não sabia ainda onde ficava, só que era lá no Extremo Oriente... Sabia que, nesse país, fazia muito frio e caía muita neve. Que esse Menino Deus não era rico e a sua primeira caminha tinha sido uma manjedoura onde o bafo da vaquinha e do burrico o mantinham quente.
Na Igreja Matriz, no início do mês, ajudávamos o Sr Padre a fazer o presépio, indo ao campo recolher musgo, porque nos Invernos chovia bastante e os campos estavam verdinhos e o musgo crescia por ali... Também por essa altura semeávamos as nossas searas de trigo , nas caixinhas vazias da margarina e da marmelada, para colocarmos depois no presépio, chegada a hora.
Nessa noite fria de 24 de Dezembro, à meia-noite, toda a comunidade se vestia a rigor e ía à Missa do Galo. O Presépio estava lindo!...A água corria da fonte, a azenha não parava, as velas giravam e até as ovelhinhas de barro, os pastors, os Reis Magos, as lavadeiras, pareciam mexer-se... A Virgem Maria, o São José e o Menino... Era um Menino Jesus muito lindo, de olhos castanhos brilhantes!...Castanhos, como os meus, pensava eu a cada ano... A dada altura, o Sr Padre convidava-nos a beijar o pé ao Menino... e nós lá íamos, adorar aquele Menino Jesus que era filho de Deus e escolhera nascer naquele lugar... tão pobre!!!
Era este menino, e eu não sabia bem como, que fazia com que eu tivesse, na manhã seguinte, os presentes no meu sapatinho ... Só no Dia de Natal é que eu os recebia ...Depois de uma noite mal dormida, mas plena de sonhos...levantava-me cedíssimo e corria para a cozinha. Não vivi aquele ritual dos grandes embrulhos em lindos papéis, nem dos grandes laços brilhantes e coloridos, porque tudo era de grande simplicidade. Na minha terra não havia nada disso. O encanto não estava no aparato dos presentes visto aos olhos, mas no pulsar acelerado do meu coração pequenino...
Estes presentes, eram sempre algo que eu andava a precisar... Nada chegava por acaso. O Menino sabia sempre...ou uns sapatos de verniz, ou uma roupa nova e, sempre, um pequeno brinquedo e algo para a escola. Estes brinquedos, simples como todos os brinquedos eram naquela época eram por mim tão apreciados que até me lembro de dormir com eles... Como nós valorizávamos cada coisa, por mais simples que ela fosse.

Hoje...é tudo tão diferente!...
A cada ano, eu digo que não alimento mais estes consumismos mas, lá vou dando sempre o dito por não dito...

domingo, dezembro 07, 2008

OS BARCOS do BAIXO GUADIANA


Em 2007, pude admirar com surpresa, no Mercado Municipal de Faro, uma exposição de réplicas de vários modelos de barcos e respectivas actividades, que sulcavam nas águas do baixo Guadiana até finais dos anos sessenta, entre Mértola e Vila Real de Santo António.
A exposição era da autoria de José Murta Pereira natural da Povoação de Guerreiros do Rio, freguesia e concelho de Alcoutim.

ALCOUTIM
Navio de carga, pertencente à Sociedade Geral, Companhia União Fabril, equipado com dois escalares, para em caso de naufrágio, serem lançados à água para salvamento das tripulações.

GUADIANA
Barco da carreira de Mértola, de transporte de mercadorias diversas que fazia a ligação entre esta vila e Vila Real de Sto. António.

CARLA
Lanchas de pesca da rede dos tresmalhos. Estas lanchas normalmente pescavam duas a duas, com dois panos de rede cada, com cerca de 30 metros e que eram interligados pelas tralhas das redes entre si e aos alforques nas extremidades.

Barcos de Penha de Águia (Povoação)
CÉLIA
Lancha de pesca da rede dos tresmalhos. Estas lanchas normalmente pescavam duas a duas, com dois panos de rede cada, com cerca de 30 metros e que eram interligados pelas tralhas das redes entre si e aos alforques nas extremidades.

DORA
Pateira, pequena embarcação de popa fechada e pouco calado, permitindo navegar com dois a três palmos de profundidade, desempenhando tarefas que outras embarcações não conseguiam, devido ao seu maior calado.

Palanqueira (Povoação)
NUSCA
Chata ou bateira, que servia de apoio às embarcações de maior tonelagem e também muito usada pelos moleiros dos moinhos movidos a água, dos afluentes do rio e nos açudes a montante de Mértola

Pomarão (Povoação)
LOULÉ
Uma das três lanchas, com cerca de 7 metros de comprimento, que se dedicava ao transporte de pessoas entre as duas margens do rio.

GUARDA – FISCAL
Lancha da secção da Guarda – Fiscal de Alcoutim, que tinha como missões principais: patrulhamentos via fluvial, rondas às guarnições dos postos da sua área e rondas oficiais.


MARIA BALBINA
Canoa de vela latina, porão aberto e duas cobertas (uma à frente e outra a ré) que fazia os mesmos serviços de outras canoas e buques existentes no Baixo Guadiana naquela época.

Montinho das Laranjeiras (Povoação)
RAFA
Bote com cerca de 4m, utilizado em pequenas tarefas, como a assistência aos barcos de carga, pequenas deslocações a povoações vizinhas, recolha de produtos agrícolas, frutícolas e hortícolas criados nas várzeas, junto ao rio,...

Laranjeiras (Povoação)
RODRIGO
Lancha dos palangres (pesca ao anzol). Deslocava-se a remos ou de vela à “carangueija”, quando o vento soprava. As espécies capturadas estavam em função da isca que era colocada no anzol.

Guerreiros do Rio (Povoação)
ROMANITA
Canoa de vela latina, mais conhecida pelo barco do correio, pelo facto de ter como missão prioritária a recolha e distribuição das malas do correio, entre Alcoutim e Vila Real de Sto. António.

LUCILIA
O Rio Guadiana era o único do país que possuía esta arte, a qual era conhecida no seu conjunto, como a lancha de pesca da rede da colher. Dedicava-se fundamentalmente à pesca da taínha e muge, embora capturasse outras espécies. Em todo o Baixo Guadiana existiam muitas destas lanchas.

PAULA
Lancha de vela latina, para transporte de pessoas e pequenas mercadorias, entre as várias localidades do Baixo Guadiana.

Álamo (Povoação)
LAGARTO
Buque barco de vela latina, de transporte de mercadorias para abastecimento das povoações marginais. Este barco tinha aproximadamente 17 metros de comprimento e carregava até 20 toneladas. Era propriedade do Sr. Henrique Miguel, natural do Monte do Álamo.

Foz de Odeleite (Povoação)
MARIA ALEXANDRINA
Canoa de vela latina, de transporte de mercadorias diversas, destinadas ao reabastecimento das populações marginais ao rio. Pertencia ao Sr. Manuel da Rocha e que tinha o nome da sua esposa.
LINO
Lancha de pesca ao candeio. Esta pesca fazia-se nos meses de Verão quando as águas estavam mais quentes e límpidas, dando origem a que os peixes, taínhas e mugues, alvorassem (viessem à superfície) e entrassem na zona iluminada pelo candeio, ao alcance do pescador, que dispunha de uma fisga ou chalavar de cabo extensivo.

Almada de Ouro (Povoação)
BOA ESPERANÇA
A este barco de vela latina, buque, foi-lhe dado o nome de Boa Esperança, por o seu proprietário se chamar Esperança. Era natural de Almada d’Ouro, onde residia e desempenhava as várias tarefas como todas as canoas e buques que operavam no Baixo Guadiana.

Castro Marim (Vila)
ZÉ MARUJO
Lancha de vela à carangueija ou a remos que se deslocava de Castro Marim, rio acima a vender o peixe às populações marginais ao rio.Os marujos de canastra à costas caminhavam para as povoações do interior a vender porta a porta o seu pescado

PÉ LEVE
Lancha do tapa esteiros, nos afluentes do rio e nas enseadas. Esta pesca nas enseadas consistia em fazer o cerco quando a maré atingia o seu ponto mais alto. O mesmo acontecia nos afluentes do rio. Esperava-se depois que a maré baixasse para retirar o peixe que ficava cercado pelas redes.

Vila Real de Sto. António (Vila)
CAMPINO

Um dos barcos que ainda sobrevive a fazer a ligação entre Vila Real e Ayamonte, no transporte de viaturas e pessoas, nesta altura já pouco procurado. Foi adquirido no Montijo, há cerca de sessenta anos e no de4correr do tempo foi submetido a várias transformações.

AGADÃO
Galeão, antigo barco de pesca do cerco à sardinha, hoje designado por traineira. Estes barcos tinham para a sua faina uma campanha de vinte a trinta homens, altura em que todas as actividades eram feitas com a força e habilidade dos seus intervenientes. Dispunha ainda de uma pequena chata como auxiliar das fainas piscatórias.

PAULO MIRA
Barco que fazia a ligação no transporte do pescado entre o galeão e o porto de descarga. Daí lhe veio o nome de enviada.

JORGE
Galeão, barco de pesca ao arrasto, sendo que mais tarde lhe foi dado o nome de arrastão.Tinha como auxiliar nas fainas uma chata ou bateira.

NORDESTE
Barcaça da arte chávega. Havia alguns em em Vila Real de Sto. António, mas era em Monte Gordo que mais se encontravam, dadas as características da costa para este tipo de pesca. A rede era lançada paralelamente à praia e em seguida arrastada contra a areia pela força do homem.

Barcos de apoio:
ESCALARES (Salva vidas)Dois que fazem parte do Navio de Carga ALCOUTIM

Chatas ou BateirasDuas pequenas embarcações, auxiliares de manobras na faina da pesca, do cerco à sardinha e na pesca do arrasto.

E quem não se lembra do São Macário e do Maria Cristina que desciam o Guadiana carregados de minério das Minas de S. Domingos e subiam-no para descarregar guano antes das sementeiras?!...
As descargas dos porões eram uma azáfama para os adultos e uma delicia para nós,os miúdos, porque animavam o cais e traziam movimento à vila!
Belos tempos!...

segunda-feira, novembro 10, 2008

O NOSSO PRESIDENTE DOUTOR...como carinhosamente é chamado!

Como este blogue não existia em 2007 só agora posso aqui deixar expresso o reconhecimento do que tens feito pela saúde das gentes do nosso concelho,reivindicando melhores cuidados de saúde, em especial para os utentes mais idosos.
Nem sempre tem sido fácil ir adiante, como muito bem sabemos…
Sei que não gostas muito destas homenagens, mas quero afirmar aqui o privilégio que é termos como Presidente um filho da terra que a ama incondicionalmente e, que depois de a ter deixado ainda na sua menince, para ela voltou já homem para a amar ainda mais vivendo nela e colocando-se ao seu serviço como Médico e como Presidente!

Francisco Amaral condecorado


O Presidente da Câmara Municipal foi agraciado com distinção honorífica do Estado Português.
Francisco Amaral, médico de profissão e Presidente da Câmara Municipal de Alcoutim, foi condecorado pelo Presidente da República com o grau de Comendador da Ordem de Mérito, no passado dia 10 de Junho, na sessão solene comemorativa do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, que decorreu em Setúbal.
A Ordem do Mérito é uma ordem honorífica portuguesa que tem por finalidade distinguir actos ou serviços meritórios que revelem desinteresse e abnegação em favor da colectividade, praticados no exercício de quaisquer funções, públicas ou privadas.
http://www.cm-alcoutim.pt/

E já agora, não resisto a colocar mais esta informação.

Funções que Desempenha Actualmente:
Presidente da Câmara Municipal de Alcoutim, desde Dezembro de 1993.
Médico Voluntário no Hospital Distrital de Faro.
Presidente da Assembleia Geral dos Bombeiros Voluntários de Alcoutim.
Membro do Conselho Directivo da Associação Nacional de Municípios Portugueses.
Dirigente da Associação Odiana (Municípios de Alcoutim, Castro Marim e Vila Real de Santo António).
Membro da Junta Metropolitana do Algarve.


Bem hajas, CHICO!...
Obrigado pela tua abnegação e pela luta que tens travado no combate à interioridade e desertificaçao do nosso concelho.
Deixo-te um beijo.

domingo, novembro 09, 2008

Conta-me essa tua façanha escolar...

Na sequência de um comentário que fiz no espaço do meu amigo Ferreira, ele ficou curioso e... escreveu:
"...conta-me essa tua façanha escolar.
Isso vindo de uma professora promete..."
Não teria sido coisa de muita importância, mas eu dei-lha.
Tinha 9 anos e andava na 4ª classe. Os meus pais tinham um Café na terra e eu fazia os deveres por ali, numa mesa ou noutra. Certa vez, a minha mãe olha para a conta que estava errada e diz-me que apague e faça de novo ao que eu respondi:
_Não faz mal, mãe! Já estou cansada de fazer tantas contas, e a profª nunca as vê...
Um café, sabes, de uma terra pequena como era a minha, naquele tempo. Não sei quem foi contar à professora. Era um local público e alguém que estava a ouvir o fez...
Ao outro dia, a dita conta continuava errada, a minha mãe andava na vida dela e pensou, decerto, que eu a corrigira...
_Menina, quero ver os teus trabalhos...
Só os meus, bolas, logo os meus ?!?!... E porquê os meus?... - pensava eu com os meus botões.
A conta, meu Deus, a desgraçada conta de dividir com 3 algarismos no divisor...
Vai lá perguntar agora a um Universitário de uma qualquer engenharia, por exemplo, se sabe fazê-la...
_ Ai sim?! Com que então, a professora não vê as contas! Estás a ver como te enganaste? Que afinal a professora vê as contas!!!
E foi assim... deu-me 12 reguadas onde descarregou toda a sua raiva e frustração!... Eu era boa aluna e senti-me humilhada e ofendida na minha dignidade... Sei que falhei, mas eu era uma miúda!...
Tenho consciência de que, naquele dia, aprendi uma lição de vida. Nunca, em todo o tempo da minha vida de professora, eu passei um trabalho de casa que ficasse por corrigir... Este episódio veio-me à memória vezes sem conta... Quando me dava a preguiça de corrigir um ou outro trabalho de casa, a minha consciência fazia ... Tlimmm...
Recordo que, naquele tempo, tal como agora havia de tudo numa sala de aula. Os bons alunos, os médios, os que estavam abaixo da média e os que estavam muito abaixo, abaixo, abaixo.... Hoje, temos um nome pomposo para os nomear "Alunos com Necessidades Educativas Especiais". Havia 2 ou 3 na minha sala... As tabuadas, tudo sobre os reinados dos Reis de Portugal, os Rios, as Serras, as Linhas de Caminho de Ferro de Portugal e ainda do tal Império Colonial... Angola, Moçambique, etc... E os problemas das torneiras a pingar água, quantos litros se gastam se pingar durante 2 horas 25 minutos e 53 segundos ?...
Nem me quero lembrar!... Coitados...
Naquele tempo era assim e, as coisas estavam " instituídas" e nenhum pai se chateava com isso!!!...Os tempos mudaram, felizmente, e as mentalidades também. Nunca senti vontade de castigar um aluno porque não aprendia. Dando eu o máximo de mim, quem não aprendia à primeira era porque não tinha certamente a facilidade dos outros. Tinhamos que chegar lá com mais trabalho dele e meu.
Mas um dia contei-lhe da minha mágoa de menina, acreditas?... Já éramos colegas e encontrámo-nos na baixa de Faro...
Não se lembrava. - disse-me.
Acho que, só depois desse encontro, a perdoei...

AGORA É ASSIM:


sexta-feira, novembro 07, 2008

CINEGÉTICA

A caça a espécies como a perdiz, a rola, o coelho, a lebre, o javali e a raposa, é praticada na região desde tempos imemoriais.
Talvez por essas raízes culturais, após a Lei da Caça ter permitido a criação de Zonas de Caça Associativas e Turísticas, a sociedade civil de Alcoutim manifestou grande dinamismo associativo e empresarial.
Alcoutim é, actualmente, dos concelhos do país com maior apetência para a prática cinegética.
No Algarve é, sem dúvida, o concelho mais cinegético, possuindo quase metade das zonas de caça turísticas existentes na Região.
A caça neste momento já representa uma importante fonte de emprego, directo e indirecto, no concelho, assim como uma considerável entrada de receitas. Por outro lado, tem contribuído para o aumento do fluxo de visitantes, facto que só por si justifica o apoio que a autarquia tem prestado a esta actividade.

Zonas de Caça Turísticas existentes no concelho
Tesouro,Afonso Vicente,Herdade da Bela Vista,Giões,Pateira,Monte da Estrada,Lutão,Marmelcaça,Finca Rodilha,Martincaça,Montinho da Revelada e Portelas do Guadiana.

A zona de Caça Turística da Finca Rodilha envolve áreas que me são conhecidas já que os meus avós maternos viviam na zona. Lembro-me de ser miúda e estar em casa dos meus avós e ouvir constantemente alguém dizer: " O Sr Presidente anda na caça..."
Era hábito o então Presidente da Republica, Almirante Américo Tomás, caçar na zona.
Não se fazia disso segredo, os tempos eram outros e não havia receio de " uma bala perdida"... porque eramos um povo de brandos costumes, naquela época!
A frase vem desse tempo, porque agora não é bem assim...
Acontece-me muitas vezes, quando lá vou na Primavera, ter de parar o carro para que uma perdiz mais os seus 6 ou 7 perdigotos atravessem, calmamente, a estrada.
Não têm receio algum de nós, já dos caçadores...será outra história!!!

quinta-feira, novembro 06, 2008

Y TE VÁS Y TE VÁS...



Cantada vezes sem conta, nos intermináveis passeios de barco a remos, no “nosso” rio.
Canção triste, mas que continha as palavras mágicas que transportavam o nosso imaginário para a outra margem a que, em principio, só tínhamos acesso consoante a disposição do responsável da Guarda Fiscal...
Mas o convívio sempre existiu. Que mais não fosse nas Festas de Alcoutim, de Sanlucar, em uma ou outra “escapada” e na época balnear na “praia “ de Sanlucar (sem pôr os pés em terra).
Fizeram-se grandes amizades e algumas paixões. Recordo com saudade a Anita, Angélica, Purita, Nines, Paquita, Maria José e tantas outras e outros, não esquecendo o German que tocava acordeão e gostava de música folclórica portuguesa.
Tempos há muito passados. Já não há barcos a remos. Nem o Chico Balbino ou o Manuel Balbino para nos emprestarem o barco. Vamos a Espanha sem autorização da Guarda Fiscal, sem Salvo-Conduto, sem Passaporte, sem Bilhete de identidade...
O romantismo acabou!...

Obrigado Zé por este belo texto.
O German deu-me as primeiras lições de francês, sabias?
Um espanhol a ensinar francês a uma "niña" portuguesa...


Cancion dedicada a todos aquellos que perdimos un gran amor,,que por circunstancias adversas al destino se fue al cielo...pero que algun dia no muy lejano ese reecuentro vendra y se unira para la eternidad... :(
Bella cancion de PALITO ORTEGA...

SAUDADES...


Gosto de caminhar pelas antigas ruas de calçada portuguesa e descobrir diferenças...
Embora tenha havido muita preocupação em preservar a traça antiga, muita coisa mudou...no contexto geral.

Sinto saudades dos rostos dos velhos que aguardavam, na escadaria da Igreja da Misericórdia, que o calor amainasse...
Sinto saudades dos telhados cobertos de líquenes escurecidos pelos anos...
Saudades da brisa, dos cheiros, dos sons...
Sinto saudades dos mergulhos na Ribeira e no Rio, ainda, sem indicios de poluição...
Saudades dos passeios na estrada porque nos divertiamos a caminhar, sem rumo, á tardinha...
Saudades das alegres gargalhadas ao entardecer, no cais, bem junto à agua...
Saudades do chilrear das andorinhas que faziam os seus ninhos nos beirais dos telhados.
Saudades das cegonhas que regressavam sempre no final do Inverno à Torre das Igrejas : Virgen de l'Arrábida em Sanlucar e Senhora da Conceição em Alcoutim...
Eram sempre 2 casais, ora numa margem ora noutra...
Ao anoitecer, cada casal regressava ao seu ninho, que é como quem diz ao seu País...

Sinto saudades ...

ARTESANATO

O Artesanato em ALCOUTIM, nos dias de hoje...

Conhecer o artesanato de uma região é abordar o seu passado, é sentir as suas tradições e costumes, é contactar com os seus valores ancestrais.
Apesar das actividades artesanais estarem a desaparecer um pouco por todo o país, no concelho de Alcoutim ainda se confeccionam as tradicionais peças de lã e de linho (mantas, alforges, etc.), bordados e rendas, tapeçaria , persistindo igualmente actividades tradicionais como a cestaria em cana e em vime, a olaria, o ferreiro de forja ou o sapateiro. Estando também em desenvolvimento um tipo de artesanato mais recente, resultante da capacidade de adoptar, adaptar e inovar técnicas artesanais, representado nas bonecas de juta (Oficina Flor da Agulha), simbolizado figuras típicas da região, e nas flores de palha de milho (Lutão de Baixo), bem como nas mais variadas peças de barro (Martinlongo e Cortes Pereiras).
Eis alguns exemplos do artesanato característico do concelho de Alcoutim:

Arranjos Florais

Feitos de palma de milho e decorados com ervas campestres. São peças feitas com paciência, dedicação e muita sensibilidade.
Este tipo de artesanato requer muita destreza manual para dar formas de pétalas às palmas de milho, de onde surgem lindas flores.
Bonecas de Juta

Representando figuras típicas da região, são feitas de serapilheira, com o corpo armado em estrutura de arame. Com linho são feitas as cabeleiras e com chitas, o vestuário que as enfeitam. Os adornos, que caracterizam a actividade que representam, são miniaturas feitas em metal, madeira ou barro.
Cadeiras
Executadas com materiais da região, estas cadeiras são autênticas obras de arte popular. São de vários tamanhos, feitas de madeira de oliveira, as costas e os pés de loendro e o tampo é tecido com junça, uma planta que nasce espontaneamente na região.
Cestaria
Com as canas apanhadas junto do rio e das ribeiras, fazem-se cestos, cabazes e canastas, que antigamente serviam de transporte dos produtos agrícolas e do peixe.
Têm hoje em dia outras finalidades, sendo muitas vezes meramente decorativas. Alguns artesãos fazem também chapéus de cana.
Calçado

No concelho de Alcoutim ainda se confeccionam sapatos, botas e sandálias de forma artesanal. Esta técnica mantém intactas as suas características, quer do ponto de vista da matéria-prima a utilizar, quer ainda das técnicas ancestrais, aplicadas na manufacturação do calçado.
Cerâmica
Ressurge no concelho de Alcoutim com novas formas e cores. Umas vezes vidrada com cores fortes, outras recriando peças ancestrais.
Representam o aparecimento de jovens artesãos com perspectivas actuais, baseadas nas mais antigas técnicas de tratar o barro.
Tecelagem
É uma das mais antigas expressões do artesanato algarvio, nomeadamente de Alcoutim. Hoje em dia, ainda é feito nos teares manuais e de forma tradicional, desde a montagem da teia e da trama até ao corte e cosedura.
Entre os vários artefactos produzidos, contam-se as mantas feitas de retalhos, lã ou linho. Além destas, fazem-se também, colchas, toalhas de linho, alforges, sacos, tapetes e muitos outros artigos.
http://www.cm-alcoutim.pt