domingo, setembro 30, 2012

Panela (?) de barro algarvia § Tagine marroquina


1 - " Tagine da minha avó Isabel
Não sei como a minha avó chamava a este recipiente, mas ainda me recordo de a ver cozinhar aqui, no fogo de chão ao lado do forno, na rua... Demorava horas, a cozer em lume lento... o repolho e demais legumes da horta, a suculenta carne do porco criado na pocilga, o chouriço preto e vermelho....  Desta lenta cozedura resultava sempre uma carne muito tenra e suculenta, soltando-se dos ossos, um cozido muito saboroso e muito bem aromatizado com cominhos... sabores de outrora que me fazem salivar...
A tampa possui uma espécie de maçaneta no topo, que facilita a sua remoção. Durante a cozedura, a tampa pode ser levantada sem a ajuda de pegas, permitindo verificar os ingredientes, adicionar vegetais, mexer e adicionar líquido, caso seja necessário.
É um testemunho histórico e representa bem a arte islâmica de olaria deixada pelos árabes por terras do sul...
Nunca vi outra igual, assim com tampa, a não ser a que se segue abaixo, mas que é actual... 

2 - Tagine - origem Marrocos
Esta é nova, comprada em Marraquexe ha uns anos.
Tajine ou tagine (em Árabe: طاجين) é um prato gastronómico tradicional em diversos países árabes do norte de África , oriundo de Marrocos. É também o nome desta panela especial utilizada na sua confecção, que é feita com barro cozido, pintado ou envernizado. 


3 - Escaparate com pratos antigos

  
Todas estas peças, excepto a Tagine nova, decoram a minha "Casa do Monte"...a que foi dos meus avós paternos e preservo com muito carinho.
Quando lá vou...regresso cheia de energias positivas e completamente revigorada!!!

sábado, setembro 29, 2012

Meu pai... sempre recordado. Obg JV

Não posso deixar de publicar aqui este post do AlcoutimLivre. Sempre que encontro o nome do meu pai fico extremamente comovida e agradecida a quem ainda o recorda, passados que são 13 anos desde a sua partida... Obrigado, JV. Bem haja!!!
(PUBLICADO NO JORNAL DO ALGARVE DE 3 DE JULHO DE 1986)

Realizou-se em 15 de Junho, no Parque Desportivo da Verdizela, cedido pela Câmara Municipal de Setúbal, o VI Convívio dos Naturais do Concelho de Alcoutim.
Depois de um início titubeante, como é natural, os“Convívios” têm vindo a aumentar de ano para ano, tanto no número de convivas como no seu programa, constituindo uma assinalável manifestação de bairrismo.
Provas de atletismo, campeonato de malhas, corridas de sacos e futebol de salão, no aspecto desportivo, uma exposição fotográfica sobre o concelho, de autoria do alcoutinense, Dr. João Dias e uma palestra sobre o livro “Alcoutim, Capital do Nordeste Algarvio”, pelo autor, Ascensão Nunes, constituíram a parte cultural.
Sardinhas e febras assadas na brasa, além de merendas do concelho e das redondezas da capital, originaram o tradicional convívio a que se seguiram as “variedades”.
Foi calculada a presença de mil e duzentas pessoas, com algumas centenas vindas do concelho.
Presente, a convite, Duarte Moura, autor de um recente livro de contos intitulado “Guadiana” e onde alguns retratam a vila e arredores e os seus costumes.
Duarte Moura exerceu a actividade em Alcoutim, por volta da década de trinta.
Presença indispensável e habitual foi a do Presidente da Câmara, Manuel Cavaco Afonso e de outros autarcas.
Fez-se venda do livro “Alcoutim, Capital do Nordeste Algarvio”, autografado pelo autor, cujo produto reverteu a favor da novel Associação de Bombeiros de Alcoutim.
Pequena nota
Estive presente neste convívio a convite do agora colaborador do AL, Eng. Gaspar Santos que teve a amabilidade de me conduzir ao mesmo.Tive então oportunidade de conhecer o trocar impressões com Duarte Mouro e lembro-me de também ter sido nesse local que estive pela última vez com João Baltazar Guerreiro que tinha ido ao “Convívio” com o Dr. João Lopes Dias. 

quinta-feira, setembro 27, 2012

Já tinha uma amiga, ganhei uma prima....

Há coisas engraçadas...
Em 2001 conheci na Escola Dr José Neves Júnior em Faro a Maria Teixeira, que ainda hoje é uma das minhas grandes amigas. Uma amiga daquelas que entram na nossa vida e não saem dela... Conversa vai, conversa vem e ela diz:
_ Como és de Alcoutim, deves conhecer uns primos que tenho em Martinlongo - O Zé Rosa o dono da Serralgarve/Panificadora...
_Pois claro. Conheço-o desde miúda e sempre o ouvi tratar o meu pai por parente e viceversa... se calhar ainda somos primas, queres lá ver?!...
_ Olha que era uma grande coincidência...
A conversa ficou por aqui e, ao longo dos anos, sempre regámos e adubámos a amizade nascida naquela escola... porque houve empatia, porque estas coisas não se explicam, em cento e tal professores, amizade como esta, foi só com ela...
 
Hoje, 3 gerações da família - avó, filha e netos levantámo-nos cedinho e fomos a Alcoutim, com o intuito de conhecer e fotografar as minhas terras que, não sendo grandes propriedades, são minhas embora lhes desconheça os limites. Isto porque há viver e morrer e quem sabe bem das coisas é a avó.
A minha amiga Maria que está, desde há 2 dias, aqui comigo acompanhou-nos. Em Martim Longo, depois do cafézito para relaxar e abrir a pálpebra, lá fomos à Serralgarve comprar o pão fresquinho... que é como quem diz - o pão quentinho!!!  
O objectivo era ver também o dito primo da Maria... Chegadas lá, feitos que são os cumprimentos, volta aquela conversa, em "maturação", há muitos anos.
_Ó José Rosa diga-me cá uma coisa: Você e o meu pai chamavam-se de parentes por que eram mesmo parentes, primos, familia ou...nada??
_ Tratávamo-nos assim porque o meu avô e o avô do teu pai eram primos direitos.
_ Então a minha avó era Isabel Teixeira, aqui a minha amiga é Maria Teixeira, você é primo da minha avó e da Maria logo, eu e ela...
_ Logo, tu e ela são primas...
 
Se não existe o acaso,obrigatoriamente, tudo no Universo está determinado, isto é, tem um propósito. Assim, conclui-se que, não foi por acaso que nos encontrámos e houve logo empatia no meio de cento e tal colegas de trabalho, empatia essa que nasceu, cresceu e por aí vai.. como diz o outro há uma linha que nos separa, mas neste caso há um elo que nos une...
Desde essa altura e, sem sabermos do parentesco, descontamos para o lar da Casa do Professor...Portanto, 2 simpáticas primas velhinhas sempre, sempre... até no LAR!!!

quinta-feira, setembro 13, 2012

Dr João Lopes Dias - Alcoutim

 


No dia 5 do corrente, a Câmara Municipal de Alcoutim homenageou o Dr. João Lopes Dias (1932-2007), médico e benemérito de Alcoutim.
O Dr João Dias foi um grande médico e um grande amigo do meu pai e vi-o pela ultima vez lá em casa quando o meu pai já estava muito doente. Saíu do quarto com lágrimas nos olhos, percebi quão dificil foi, para ele, rever o amigo naquelas circunstâncias.
Sempre o respeitei e admirei muito desde pequena, tal como à esposa D.Vic como, carinhosamente, lhe chamávamos. Pesa-me na consciência um pedido que me fez e que eu não cumpri - " Tens que escrever mais vezes para o nosso jornal"...
Lembro-me de 2 bons conselhos que me deu, em miúda:
_ Chocolate? Não abuses, menina. Come-o com pão faz menos mal e sabe maravilhosamente. Aprendi assim, a comê-lo com pão e ainda hoje acho que é uma delícia...
_Estuda Maria Odília, porque um curso é a melhor herança que os teus pais te podem deixar. (Chamava-me assim e eu gostava. Era das poucas pessoas que me chamava pelos 2 nomes...)
Segui estes 2 conselhos - ainda hoje como chocolate com pão e tirei o meu curso. Foram palavras sábias, aquelas, que hoje recordo.
Curiosamente a minha filha foi, no ano lectivo 2010/2011, professora de Português do neto - o filho do João. Lá do céu, decerto, ele viu e ficou contente...
Obrigado, Doutor, por isto e por tudo o mais!...
 
Leia mais aqui:
 

Alcoutim... casario de paredes brancas.

 
Onde há  terra mais linda, assim, espelhada no rio?
 

quinta-feira, maio 17, 2012

DIA da ESPIGA em Alcoutim


Em Alcoutim, aquando da minha infância e adolescência era hábito irmos ao campo colher as plantas que compunham o tradicional ramo da Espiga - a espiga de trigo que simbolizava o pão, o malmequer que simbolizava o ouro e a prata, a papoila o amor, o raminho de oliveira em flor a luz divina e a paz, a videira o vinho e a alegria e o alecrim a saúde. A minha mãe também costumava juntar a romãzeira com uma pequena flor/coroa que, talvez significasse ,a fartura, a abastança... não me recordo bem.
Também fazíamos piqueniques em família ou entre amigos na tarde deste dia. 
Recordo-me de um piquenique que fiz com as minhas amigas Gracinha, Teresa, Bia, Carminha... Ainda consigo recordar-me do sabor do Arroz Doce que a minha mãe preparava para eu levar, pois eu adorava, e adoro, Arroz Doce.... Cada qual  preparava o seu cesto com comidas e bebidas e, chegadas lá, partilhávamos tudo. Este piquenique aconteceu junto a uma grande giesta florida, à saída da vila, do lado esquerdo. Pena que não registávamos, como fazemos agora...
Nunca tínhamos ordem para nos afastarmos muito, mas também não era preciso. À saída da vila tinhamos logo o campo, a ribeira, sítios lindos, frescos e aprazíveis para desfrutarmos de uma tarde maravilhosa.
Os anos passaram e estes dias são sempre de saudade. Saudade das tradições, das minhas amigas, da minha meninice, da vida maravilhosa que tinhamos... Vivíamos felizes, num mundo restrito, é verdade, mas de que nem nos dávamos conta. Vivíamos o dia a dia em plenitude, interessava-nos o aqui e o agora.
Hoje saio à rua e não vejo nada que me recorde estes tempos. Só vejo gente insatisfeita, apática, triste e macambúzia...  A juventude não vive as tradições e fica em frente às TVs, aos PCs, às PSPs, etc...  Tudo passa, tudo esquece...o que é pena. Enfim... coisas dos tempos!!!

quinta-feira, março 29, 2012

AMIGOS " Pró Futuro de Alcoutim",

De acordo com o censo de 2011, o concelho de Alcoutim perdeu um quarto da sua população nos ultimos 10 anos. Perante este facto, um grupo de amigos decidiu juntar-se e criar o grupo "Pró Futuro de Alcoutim", com o objectivo de lançar um conjunto de iniciativas que possam ajudar a promover o município, um dos mais pobres do país e alterar a tendênca verificada nos últimos anos.
 
O ex-deputado e escritor Carlos Brito, a escritora e professora jubilada Teresa Rita Lopes, bem como o Jornalista Mário Zambujal são alguns dos nomes que integram aquele movimento, aos quais se juntou o médico e autarca Francisco Amaral, entre outros, naturais e amigos de Alcoutim, das mais variadas áreas profissionais.
 
Diz Carlos Brito:
" Procuraremos apoiar tudo o que for positivo para Alcoutim e preparamo-nos também para enfrentar e protestar contra tudo o que for contrário aos interesses do concelho. E neste período de austeridade tão agravada, certamente vamos ter muita coisa que fazer.
Outra prioridade é incentivar o investimento em áreas que possam ajudar a fixar e, até mesmo, atrair população. Queremos sensibilizar os investidores para que invistam nestas terras, que têm estado abandonadas, mas têm muitas potencialidades."
 
E, como a força de vontade move montanhas, vamos lá...
 

quinta-feira, março 15, 2012

Ferrarias (Vaqueiros) - As minhas raízes estão lá...




Ferrarias - vista parcial

Ferrarias é um pequeno " monte", onde nasceu a minha mãe e, sempre viveram os meus avós maternos. Naquela época, só lá moravam 7 familias, mas eram famílias de muitos filhos e era um monte animado, contava-me ela.
Os residentes dedicavam-se à agricultura e à pastorícia em moldes de subsistência. Os meus avós tinham 3 filhas e 2 filhos. Elas ficaram no monte até casar e todas fugiram aos trabalhos do campo. Rumaram à vila e a Lisboa e os meus tios ingressaram na GNR, o que acontecia com os rapazes daquela época, que queriam fugir ao campo... Os meus avós talvez tivessem ficado tristes por perderem assim os continuadores do seu trabalho, mas nunca se manifestaram nem eu entendi isso.
As férias no monte eram uma maravilha!!!
Os meus primos também lá estavam e aquela liberdade toda era o mundo de que eu precisava para ser feliz.  Os brinquedos não eram muitos, aliás eram pouquíssimos. Tínhamos uma arte especial para os fazer e inventávamos brincadeiras e participávamos em aventuras, sem fim.
Os Invernos daqueles anos eram de muita chuva e os ribeiros ainda corriam, corriam Primavera adentro… O calor chegava cedo e convidava às saídas pelos campos pintalgados de flores amarelas, brancas e lilázes. O barranco que corria a 200 metros de casa e, cujo caminho para o Cercado o atravessava, foi palco das mais diversas brincadeiras. Não havia perigo, eram ribeiros pequenos e sem grandes pegos, naquela zona. A caminho da Eira havia outro ribeiro, mais perto de casa. Ainda ouço o barulho da água a correr, calmamente...
Estive há 2 meses nessa horta dos meus avós ladeada por este ribeiro. Achei falta da avenca que crescia no poço…secou, faltou-lhe a água que a toda a hora caía do caldeirão e regava as paredes do poço. Achei falta dos enormes plátanos que ladeavam o ribeiro …
 A horta, sempre verdejante, é hoje terra solta que nem a chuva de Inverno rega.
As casas envelhecem de tristeza e de saudade dos tempos áureos do monte e das gentes que nele viviam. 
Entrei na casa do fogo e fui ao quarto, onde em menina vi uma serpente enrolada debaixo de uma cadeira… Sempre me acusaram de estar a mentir, mas eu sei que não menti. Hoje acredito que, não aceitando a minha verdade, estavam a fazer-me acreditar que não tinha visto nada para não contagiar os outros com o medo que me fazia tremer as pernas franzinas…Avós são gente sábia!...
 Parte do telhado já caíu… olhei a “noiva” junto ao 'fogo de chão' onde gostava de me sentar e visualizei o meu avô Palma com os netos à volta... Quase consigo ouvi-lo : “Toca, toca pastorzinho toca, toca com vigor…” do conto do Pastor e da flauta que ele nos contava, ao serão. Com um misto de dor e de saudade lá fui eu seguindo a minha “romaria”… agora ao Cercado apanhar as azeitonas para a conserva, pois foi para isso que lá fui... é um terreno com muitas oliveiras que carregam e sempre deram azeite para a casa do meu avô.
Dá pena... só apanhamos as que queremos para conserva, porque o azeite compramos no supermercado. Crime!!! pois, claro.
Fica a 5 minutos do monte, bom caminho e lá perto fica a velha Mina da Cova dos Mouros. Teminada a azáfama das azeitonas, subi o caminho que me leva à Mina - uma horta rica outrora, que ganhou o nome da vizinha mina. Nesta horta nunca faltava a água, sempre a correr o ano inteiro…hoje crescem por lá tantas estevas, quase tão altas como eu, de tal modo que nem consegui coragem para avançar...  atemorizam-me as cobras!…
Desisti algo frustrada, porque gostaria de ter ido a esta horta. Subi a ladeira, atirei pedras ao Poço do Malacate, de longe, como dantes fazia, porque sempre nos chamaram a atenção para o perigo. A pedra ía batendo e fazendo um barulho seco nas paredes do poço, demorava a chegar ao fundo e, em silêncio, aguardávamos  o chap, chap, chap… metia respeito a miúdos e graúdos.
Através deste poço eram escoados os produtos da exploração da Mina da Cova dos Mouros, por meio da uma galeira transversal principal.
Recordações que doem...

 O primo Zé é o único residente no monte. terá uns 80 e tantos... Os anos não perdoam, tem sido uma vida de trabalho e solidão... Vai fazendo a sua vida - criando os animais, plantando umas coisitas, cuidando  e alimentando os burros, avestruzes, corças e veados - que a Cova dos Mouros lá continua a manter.
Os Domingos são sagrados para ele e o programa é sempre igual.  Mal se levanta dá de comer aos animais, toma o seu banho, barbeia-se, perfuma-se e mete-se à estrada rumo à aldeia onde convive com os conhecidos e almoça num dos resturante da terra.
Se ele não aparecer ao domingo, há-de ir gente ao monte. O normal é aquele passeio domingueiro e, não indo, o caso é sério...e preocupante!...


Sobre as Ferrarias e a sua mina.

No Blogue Alcoutim livre, pode ler-se:

Feira do Pão Quente e Queijo Fresco. / Algarve Nordeste

A aldeia de Vaqueiros - freguesia a que pertence Ferrarias, o monte onde a minha mãe nasceu, recebeu este domingo centenas de visitantes para a Feira do Pão Quente e Queijo Fresco.
Desde há 14 anos que se realiza esta Feira que a cada ano tem vindo a crescer, sendo, segundo a Câmara Municipal de Alcoutim um dos maiores eventos do concelho.


O pão, sendo o produto de eleição, e talvez por isso, é vendido a um preço muito alto. Ouvi diversas pessoas comentarem o preço do pão. A situação ecnómica do país está complicada e acho que as pessoas vendem caro, porque vendem pouco e como tal, não sao meiguinhas a pedir dinheiro. Isso faz com que os visitantes pensem 2x no acto da compra ou até nem comprem. A vida custa a todos e encher o depósito de combustível para lá ir "já dói bastante", enfim...
O que eu acho é que poderiam vender mais, ganhando menos e, feitas as contas, teriam mais dinheiro ao fim do dia...mas isto é o que eu acho.
Além do pão, o queijo fresco, os doces tradicionais - lá estavam as saborosas  filhós da minha amiga de infância a Maria Deonilde e os excelentes enchidos da serra também marcaram presença. 
As feiras são, como já foram no tempo do grande incentivador das feiras e mercados regionais - El-Rei D. Dinis,  grandes dinamizadoras da economia local. Os produtores apresentam os seus produtos e os visitantes compram e degustam sabores divinos....que são os sabores antigos das nossas memórias.
Relembramos assim, os nossos familiares que lá nasceram e viveram em tempos idos...
Activamos as nossas memórias mais recônditas que afloram em "flashbacks" ao nosso pensamento. Lembramo-nos do privilégio que foi vermos as nossas avós fazerem o pão e podermos comê-lo quentinho saido do forno. Vem-nos a água à boca, o sabor às papilas gustativas -  que ricas e saborosas costas de massa sovada com café de cafeteira feito e mantido quente no fogo de lenha!... Pelas narinas sobe o cheirinho do chouriço e... que rico chouriço que o avô assava na brasa - o daquele porco que vimos crescer na pocilga e que ajudávamos a alimentar com os vegetais excedentes da horta, farelos, figos de tuna, bagaço das azeitonas.... e, por acréscimo, relembramos tb o horror daqueles grunhidos de aflição e dor no dia das matanças...
Mas...continuando...Tenho uma história dolorosa... sobre esta feira.
Há 4 anos quando lá fui pela primeira vez, vi uma cesta cheia de batatas doces assadas, lindas e apetitosas, grandes.... Estavam ali a olhar para mim. A fome já se fazia sentir e comprei 8... lanchei batatas, jantei batatas, ceei batatas... Resultado - uma enormíssima dor de estômago. O problema não foi das batatas doces assadas, está-se mesmo a ver. Eu, simples mortal e pecadora q.b. sei que cometi um grande pecado mortal chamado Gula... mea culpa!...
A minha avó Palma , se fosse viva, diria: Levam-te os olhos mais do que a barriga, filha...(eu era neta, mas ela chamava-me filha, nunca entendi, mas hoje que sou avó, já entendo: ser avó é ser mãe 2x...)

Sempre que participo nestas feiras de sabores tenho saudades daquele reboliço  das feiras antigas, saudades dos ruídos que lhes eram caracteristicos...Saudades do relinchar dos cavalos, do grasnar dos patos, do grunhir dos porcos, do zurrar dos burros, do cacarejar das galinhas, do grugulejar dos perus, do balido dos cordeiros...
Saudades das feiras antigas  em todo o seu esplendor.  Éramos miudos e vivíamos tudo aquilo intensamente!!! Desde o raiar do dia...
Eram outras feiras...
Fotos da CMA.

quarta-feira, fevereiro 22, 2012

Alcoutim: Mais um recanto simpático...


A dois passos do Guadiana, zona ribeirinha, entre o Cais Velho e a "boca" da Ribeira dos Canaviais. Está lindo! Adoro o chão de lajes...Parabens, Pelouro do Ambiente :))
Foi aqui que, em tempos, vim brincar com a minha amiga Angelina. Éramos miudas de 9-10 anos e isto não era assim... havia um canavial à direita, mesmo junto ao rio que corria, corria... Ela era alergica às canas e foi um desassossego...
SAUDADES desse tempo e dela também!!!

Nota: Já há uma entrada deste episódio, neste blogue.

terça-feira, janeiro 31, 2012

Constituído o movimento Pró Futuro de Alcoutim

Grupo quer “trabalhar para a promoção de Alcoutim”
 
Personalidades como Mário Zambujal, Teresa Rita Lopes, Carlos Brito, Gaspar Santos e o presidente da Câmara Municipal de Alcoutim, Francisco Amaral, entre outras figuras, constituíram recentemente o movimento intitulado Pró Futuro de Alcoutim.
No almoço inaugural, realizado naquela vila algarvia, no passado 21 de janeiro, foi aprovado e assinado o manifesto fundador onde se especificam os objetivos que o grupo toma por orientação e as ações que pretende realizar.
No texto, o grupo lembra que o Censos 2011 revelou que o concelho de Alcoutim “perdeu um quarto da população nos últimos dez anos”, existindo razões “para recear que esta sangria continue”.
“Os fenómenos do envelhecimento e da desertificação que a provocaram podem mesmo ser agravados pela presente política de contenção orçamental e outras medidas de austeridade em curso. Até onde? Para quem gosta de Alcoutim, esta ameaça é alarmante e inaceitável”, consideram.
Os últimos anos não trouxeram quaisquer projetos de desenvolvimento económico local, “capazes de criar postos de trabalho, garantir emprego, fixar e atrair população”, salientam, enquanto as “poucas” iniciativas que apareceram se depararam “com tantos obstáculos e exigências burocráticas da parte de organismos centrais”, em especial dos ligados ao ambiente e ao ordenamento, que os investidores acabaram por desistir. 
Até a ponte Alcoutim-Sanlúcar do Guadiana, acrescentam, que podia contribuir para “atenuar a situação extremamente periférica e de «fim da linha» em que o concelho se encontra”, acabou por ser retirada das agendas oficiais de Portugal e Espanha, “por razões economicistas, ao que se diz, mas verdadeiramente por falta de vontade política”.
As quase cinco dezenas de personalidades que assinam o documento e integram o grupo Pró Futuro de Alcoutim pretendem dar o seu “contributo” para “ajudar a modificar” este panorama.
O objetivo passa por “trabalhar para a promoção de Alcoutim” em todas as áreas onde possam exercer influência, nomeadamente comunicação social, turismo, economia, negócios e cultura, criando parcerias com outras instituições e localidades com quem possam trocar diferentes actividades culturais.
As personalidades disponibilizam-se para, “em conjugação” com os órgãos autárquicos, as associações e os partidos políticos, “exercerem pressão junto das estâncias políticas e administrativas centrais e regionais, seja para contrariar medidas adversas para o concelho, seja para acelerar medidas que o favoreçam."

quinta-feira, janeiro 19, 2012

A Lenda das Amendoeiras do ALGARVE

Há muitos séculos, antes de Portugal existir e quando o Al-Gharb ainda pertencia aos árabes, reinava em Chelb, a futura Silves, o famoso e jovem Ibn-Almundim que nunca tinha conhecido uma derrota.
Certo dia, entre os prisioneiros de uma grande batalha ,viu uma linda jovem de olhos azuis e porte altivo. Chamava-se GILDA e era conhecida como a Bela Princesa do Norte. Impressionado com tamanha beleza, o Rei Mouro deu-lhe a liberdade e conquistou-lhe a confiança. Certo dia, confessou-lhe o seu amor e pediu-lhe para ser sua mulher.
Durante algum tempo foram muito felizes, mas... não se fechem as princesas, nem que o castelo seja de ouro puro... Apesar daquele amor e de toda a felicidade do dia a dia, a PrincesaGILDA foi ficando cada dia mais triste…
Um velho cativo das terras do norte, pediu então para ser recebido pelo Rei e revelou-lhe que a Princesa sofria de nostalgia da neve do seu país distante. Então, os conselheiros, sugeriram ao rei que mandasse plantar amendoeiras por todo o reino. Muitas amendoeiras que, quando florissem dariam à Princesa a ilusão das neves da sua terra.
O Rei assim fez e, no Inverno seguinte levou a PrincesaGilda ao terraço mais alto do castelo.
_Ah!… exclamou ela.
Lágrimas de alegria surgiram nos olhos lindos da Princesa. Sentiu que as forças regressavam ao presenciar aquela visão indescritível do branco alvo que se estendia a perder de vista. Adeus, adeus saudade das terras do norte cheias de neve, mas à míngua de Sol... Astro-Rei que ilumina e aquece e torna ainda mais azul o Céu algarvio.... Este maravilhoso azul do Céu azul, sobre o azul do Mar... que só o Algarve tem.
O Rei Mouro e a PrincesaGILDA viveram longos anos de um amor intenso esperando ansiosos a chegada do mês de Janeiro…porque o mês de Janeiro trazia sempre, ano após ano, o maravilhoso espectáculo das amendoeiras em flor!
Aos pesquisadores de lendas:
Esta é uma Lenda adaptada.  É a " nossa lenda" que também é tua.
Sem direitos de autor, claro..., podes levá-la e bom trabalho!!!  :))



Turma dos Peixinhos 2001/2005
Esc Penha Faro

domingo, janeiro 15, 2012

Filhóses de Joelho



Tenho andado muito afastada deste blogue, não é que tenha caído no esquecimento, mas porque o assunto se esvai...
Como não tarda está aí o Carnaval, altura em que é comum fazerem~se as filhós/filhóses deixo aqui as que fiz este Natal:
Gosto da azáfama dos dias que antecedem o Natal... a minhã MÃE, uma Sra de 84 anos feitos a 19 de Dezembro, começa a falar das filhóses, mal começa o mês. Este ano, fui buscá-la a casa (Loulé) no dia dos anos para os passar connosco em Albufeira e para iniciarmos os acepipes para a nossa Ceia de Natal... Desde miúda que a vi fazer em Alcoutim as tradicionais " Filhóses de Joelho", assim chamadas , não porque sejam feitas no joelho..., mas porque ficam convexas, também... A minha mãe, entretanto, aprendeu a dar-lhes outra forma mais " requintada". Nas Festas de Artesanato/Doces em Alcoutim, vejo-as agora enroladas de outra maneira...mas eu prefiro sempre aquelas que me recordam a infância e fizemos dessas.
Sabemos que as filhóses são o doce festivo do Nordeste Algarvio por excelência. Segundo a tradição são confeccionadas nas datas comemorativas ao longo de todo o ano, principalmente na Páscoa e no Natal. Há diversas receitas e formas de as confeccionar : filhós enroladas, de canudo, de joelho, de forma, etc..
Deixo-vos a receita das que fizemos:

Ingredientes:
5 ovos
1 kg de Farinha Espiga sem fermento( para a minha mãe, passando a publicidade, tem que ser desta...)
Sumo de 2 laranjas médias
1 cálice de Aguardente
2 cáceres de sopa rasos de banha derretida
1 Lt. de óleo para fritar
O segredo está em untar bem a mesa com óleo e estendê-las com o rolo até que fiquem muito finas, depois deitá-las no óleo bem quente. No centro pôe-se o " canudo" (de cana com 2 nós para o óleo não te queimar) e com a ajuda de um garfo encostam-se às paredes da fritadeira e vão-se moldando, ficam assim com ar de moinho de vela..hehe!!! Dá-se-lhe a voltinha e... já está!...

Para a calda final:
Mel 250gr
Acúcar amarelo 250gr
Água 1/2 copo
Depois de todas feitas, faz-se a calda. Junta-se o açúcar amarelo e o mel e a água, deixa-se ferver e quando começar a levantar espuma passam-se as filhós uma a uma, rapidamente. Temos que repetir esta calda umas 3 vezes porque consomem bastante e faz-se pouco de cada vez para não queimar porque este ponto atinge temperaturas altas. Fiz 3 kg delas, ofereci bastantes e... coloco aqui a receita porque todos querem aprender a fazê-las...

terça-feira, setembro 06, 2011

As Festas de Alcoutim já fazem 60 anos...

De facto o tempo passa e as festas de Alcoutim já fazem 60 anos...
As festas para mim e para as adolescentes da época, eram muito desejadas. Era quase a única alteração à rotina...Recordo-me de fazermos peditórios pelos montes, para ajudar nas despesas das festas. Era a população que contribuía com as prendas para a quermesse. Semanas antes começávamos a enrolar bilhetes, alguns com prémio mas a maioria em branco...

Decorávamos o recinto das festas e as ruas onde decorria a feira com bandeiras coloridas. Era o nosso trabalho dos serões que antecediam as festas - esticávamos fio sisal pelas ruas e íamos colando as bandeiras com cola feita de farinha, água e vinagre... uma cola caseira que desempenhava muito bem o seu papel, à falta de melhor. Todos participávamos nestas actividades e divertíamo-nos bastante. Era um trabalho feito pelas raparigas e rapazes da terra, em alegre cavaqueira e no meio de sonoras gargalhadas lá íamos enchendo metros e metros de fio...

Chegados que eram os dias de festa, havia muito trabalho na casa dos meus pais.
Das actividades decorrentes durante o dia eu não participava em tudo, como gostaria, pois tinha que ajudar os meus pais. Eram dias de intenso trabalho, numa casa que vendia tudo, inclusive electrodomésticos, mas o café era o que mais se vendia - eram toneladas de Café Montenegro/ do Sr. Nabeiro de Campo Maior, quando ele ainda estava longe de ser o grande empresário em que se transformou. A Espanha não produzia café e, como era um país fechado, também não o importava... Era ver as espanholas a colocar sacos de café por todo o corpo... algibeiras, pernas de calças, debaixo de cinta com que se apertavam para não parecerem excessivamente gordas....Só tinham autorização para transportar 1 kg de café, mas chegavam e esconder 7 ou 8...
Mas não se julgue que a feira me era interdita durante o dia... tinha sempre a possibilidade de me escapar e dar um saltinho à hora em que decorriam actividades a que mais me interessava assistir. Havia a travessia a nado, por norma sempre ganha por rapazes da terra, pois não é fácil nadar no rio para quem é de fora. Eu lá estava, à beira do rio, a incentivar e a gritar pelo nome dos os meus amigos...as regatas com os barcos de pesca da terra, os jogos de futebol entre portugueses e espanhóis, a feira que se espalhava pela praça e ruas limítrofes... eu aproveitava bem o tempo e sempre que podia eu lá estava!!!
Os fogos de artifício no rio sempre me pareceram os melhores do mundo e, mesmo depois de ver grandes espectáculos pirotécnicos, sempre achei que o fogo aquático, no Rio Guadiana, não tinha rival... mas do que eu gostava mesmo era do baile, à noite!!!
As variedades e o baile eram o culminar da azáfama diária e, apesar do dia de trabalho nunca me senti cansada e vivi sempre as noites a 100%.
Saí de Alcoutim aos 18 anos, e a partir daí passei a viver apenas os dias de festa propriamente ditos. No antes e no depois, deixei de participar com muita pena minha...

quinta-feira, agosto 11, 2011

ALCOUTIM e SANLUCAR...


Alcoutim e Sanlucar del Guadiana, comungam da mesma Fé!!!

Realiza-se no dia 15 de Agosto pelas 18:30, hora portuguesa, a tradicional procissão fluvial de Nossa Senhora dos Marinheiros que culmina a Semana Cultural de Sanlucar.
A imagem sai do cais de Sanlúcar e a ele regressa depois de dar uma volta pelo Rio Guadiana e fazer uma breve visita a Alcoutim.
A ATAS, Associação Transfronteiriça Alcoutim - Sanlúcar) convida a população a participar nesta tradicional cerimónia religiosa e apela aos proprietários dos barcos que os ornamentem com motivos festivos e incorporem a procissão.

Também as canoas irão participar do percurso e os iates de todas as nacionalidades ancorados no Rio, engalanados segundo a praxe naval, acompanharão o percurso um pouco mais afastados devido às suas dimensões.
Lá estarei…

quinta-feira, julho 14, 2011

ALCOUTIM - Marcha de Alcoutim - Grupo AL-BUHERA



Ontem à noite, na Praça da Republica em Alcoutim, actuaram os ALBUHERA. Este video, de Vitor Teixeira, deu-me a possibilidade de ver e ouvir, sem lá ter ido. Não é a mesma coisa, mas é muito bom!... Obrigado Vitor, bem haja!...

Já me referi, neste blogue, à Praça da Republica. É agora uma praça linda, diferente daquela que deixei para tras há 40 anos - é a praça onde morei - da janela do meu quarto eu via a vila vibrar...
Que saudade!!!
Nesta praça saltei, corri, esfolei joelhos e andei na velha escola em criança... Foi nela que adolescente me despedi de quem foi e veio e de quem partiu e não regressou jamais...foi o pulsar da vila e acho que ainda é...
O espectáculo aconteceu aqui - Actuação do Grupo de Cantares dos Balurcos e dos Albuhera. O " meu mais que tudo" - neste caso o benjamim dos meus pais com o seu acordeão. Ele adora lá ir, tb lá esfolou joelhos e essa calçada mil vezes pisada é, apenas e só, saudade do que passou a não volta mais!!!
Quem me dera também lá ter estado...

quarta-feira, junho 08, 2011

PERDIZ à ALGARVIA - As 7 MARAVILHAS da GASTRONOMIA

“Perdiz à Algarvia” passou à segunda fase das “7 Maravilhas da Gastronomia”
2011-4-11
No passado dia 07 de abril foram dadas a conhecer as 70 pré-finalistas da eleição das “7 Maravilhas da Gastronomia”.
Alcoutim conseguiu ser selecionado para a fase seguinte, com o prato “Perdiz à Algarvia”, que representa o município, a sua riqueza cinegética e as tradições gastronómicas locais e regionais relacionadas com a caça.
Desde os tempos primitivos que a caça constitui uma das atividades de sobrevivência do ser humano. O instinto de caçar está presente no homem, seja na sua forma original, na prática de desporto, ou como tradição. A caça representou, desde o Paleolítico, Idade Média e até os nossos dias, uma contribuição em carne muito importante para o regime alimentar das gentes da Serra, uma vez que os animais domésticos com exceção do porco) eram reservados para outros fins.
Coberta de floresta, esta zona sempre foi abundante em caça – coelhos, javalis, lebres, perdizes, etc. Ainda hoje, o concelho de Alcoutim é um dos municípios com mais zonas de caça do Algarve e do País, com 40 zonas de caça no seu território.
A perdiz vermelha é, durante os meses de outubro a dezembro, a espécie mais cobiçada pelos caçadores que nos visitam.
Pelos restaurantes do município encontram-se menus de caça, onde a perdiz tem a sua “montra” de destaque, sendo também alvo de promoção na “ Feira da Perdiz”, evento que se realiza todos os anos, no mês de outubro, na aldeia de Martim Longo.
A região do País com mais pratos eleitos é o Alentejo com doze, seguindo-se a região de Lisboa e Setúbal com nove. Esta primeira seleção foi realizada por um painel de 70 especialistas, de entre as 433 candidaturas apresentadas por diversas instituições regionais de todo o país.

Durante o próximo mês, o conselho reunirá para eleger as 21 finalistas, que serão votadas publicamente a partir do dia 07 de maio. Da lista constam pratos com elevada notoriedade, como o “Pastel de Belém” e o “Cozido à Portuguesa” (candidaturas apresentadas pela região de Lisboa e Setúbal), e outros, eventualmente menos conhecidos, como “Sopa de Castanhas” (região da Madeira) e “Cavaco Cozido com Molho Verde” (região dos Açores).
No decorrer da iniciativa será lançado um livro com as 70 pré-finalistas e, no final, um com as “7 Maravilhas da Gastronomia”. A par disso, está a ser preparado um guia gastronómico em parceria com o Jornal de Notícias e o Diário de Notícias.
As “7 Maravilhas da Gastronomia” serão reveladas no dia 10 de setembro em Santarém, cidade anfitriã do projeto.

http://cm-alcoutim.pt/portal_autarquico/alcoutim/v_pt-PT/pagina_inicial/noticias/peridz+segue.htm

domingo, fevereiro 06, 2011

Arte & Música BIG BAND - FESTAS de ALCOUTIM 2009, 2010...

Oi mano, mal te consigo ver embora ouça os acordes do teu acordeão. Aqui fica um pouco do que foi a v/contribuição para a animação das grandiosas FESTAS DE ALCOUTIM.
Em Setº 2011 há mais e eu...lá estarei por 2 motivos:
1 - Porque adoro lá ir.
2 - Porque vocês lá estarão,outra vez, digo eu.


segunda-feira, janeiro 17, 2011

BARCOS do Baixo Guadiana - em verso

Na sequência de uma entrada que postei em tempos, o João - o meu amigo Poeta,  brindou-me com estas lindas quadras, alusivas a essa exposição de barcos que sulcaram as águas do baixo Guadiana até finais dos anos sessenta, entre Mértola e Vila Real de Santo António.


A ver Navios!...

Tantos navios, que espanto,
Em tempos que já lá vão;
Ainda são hoje um encanto
Apenas na exposição!

Do primeiro, o Alcoutim,
Corre lá para emendares,
Põe lá “escaleres”, isso sim,
Em vez dos tais “ escalares “….

De Mértola, o “ Guadiana”
De carreira pontual,
Como que uma caravana,
Ia até Vila Real…

Hoje fiquei a saber,
Esta palavra: “ tresmalhos “
Pescava-se, está-se a ver,
Com as tais malhas e tralhos…

“Alforques”, o que seria?
Termo náutico, por certo,
Se é uma palavra algarvia
Só se usava ali por perto!

No “Carla” explicas bem,
Mas vê lá no que te metes,
Pois no “ Célia” também
As mesmas coisas repetes…

A “ Dora” era uma “ pateira”
Pois tinha menor “ calado”
A “ Nusca” era uma “bateira”,
“ Chata “ de casco achatado?!

O “Loulé”de Pomarão,
Andaria num vaivém
Hoje não há precisão
Há uma ponte, e ainda bem.

Havia o “ Guarda-Fiscal”
Que lá ia patrulhando,
A via fluvial
Por causa do contrabando!

Estava a “ Maria Balbina”
Que era uma canoa ou “ buque”
Que tinha vela latina,
Para o vento um velho truque.

Havia também o “Rafa”
Ainda nessas alturas, -
E que levava uma estafa
A transportar as verduras.

Vinha o “Rodrigo”, ou seja,
“Palangres” pesca ao anzol,
Com vento era à “ carangueja”
Se não – remadores de escol!

Vem depois o “ Romanita “
Nesta lista, bem no meio,
Vela latina, bonita,
Que era o barco de correio.

“Lucília”, ao que quis parecer,
Era uma lancha com arte;
“Pesca rede da colher”
Não havia noutra parte!

“ Paula “ de vela latina,
Levava toda a semana,
Gente e coisas, por rotina,
Lá no baixo Guadiana.

Eu de velas já estou farto,
Mas p’ra transporte a granel
Era o tal “Buque”– o “ Lagarto”
Do Sr. Henrique Miguel.

O Manuel Rocha quis ter,
Outro de vela latina,
Com o nome da mulher,
A “Maria Alexandrina”.

E para “pesca ao candeio”
Para a tainha “ alvorar “
Os do “ Lino “ sem receio,
Espetavam-lhe o “ Chalavar”.

O “ Boa Esperança “, outro “buque”,
Para o dono era um tesouro,
Pôs-lhe seu nome, sem truque,
O Esperança de Almada de Ouro.

A remo ou “ à carangueija”
Era o “ Zé Marujo “ assim,
Vende peixe a quem deseja,
Vindo de Castro Marim!

O “ Pé Leve “ – tapa esteiros,
Nas águas das enseadas,
Com os peixes prisioneiros,
Enchiam-se as cabazadas.

Ó “ Campino “ ainda perduras,
Apesar de hoje haver ponte?
Levas gente e viaturas,
Ainda para Ayamonte?

E para o cerco à sardinha
Existia o “ Agadão “,
Metia muita gentinha
Que era um grande “galeão”.

“ Paulo Mira “ – o “enviado”.
Pois fazia a ligação,
Descarregando o pescado
Que vinha no galeão.

O “ Jorge “ outro galeão,
No arrasto utilizado,
Ficou a ser arrastão,
Por “chatas” auxiliado.

Era um “ xaveco”, o “Nordeste”
Barca com poucos a bordo,
Mais usado no sudeste
Nas praias do Monte Gordo.

Boa amiga, onde aprendeste?
Deste outro erro infeliz,
- Arte “chávega” escreveste,
Mas vai ver, pois é com XIS.

“ Escalares”, para apoiar,
Já disse que é outro erro,
Para “ escaleres “ vai mudar,
Caso contrário, ainda berro!

Finalmente estão as “chatas”
Também ditas de “ bateiras”
Só não quero que me batas,
Por te emendar nas asneiras!

“S. Macário”, triste sina,
Na canção não se salvou…
E o “ Maria Cristina”
Sem as Minas, acabou!

Também eu vou terminar
Esta tremenda empreitada;
Foi só p’ra te contentar,
Não vai servir p’ra mais nada!

Gosto de bom Português
E por isso aqui me bato,
Não vás dizer desta vez
Que também eu sou um “ chato “…


Um beijo minha querida amiga
João


Bem hajas pela tua amizade e carinho e também por gostares da minha terra.
Obrigado/ Odilia
http://robinsoncrosoe.spaces.live.com