05/09/09

FESTAS de ALCOUTIM 2009


As Festas de Alcoutim realizam-se no mês de Setembro.
A par dos tradicionais festejos com espectáculos musicais, fogo preso e aquático e actividades desportivas no rio Guadiana, a autarquia, entidade organizadora do evento, promove um variado programa de actividades todas elas relacionadas com os temas a que estão subordinados os cinco dias de festa.
Com entrada livre, são o maior acontecimento festivo do concelho, dirigido sobretudo aos filhos da terra que aqui se juntam nesta altura do ano.
O destaque vai para o Dia de Espanha, no sábado e o Dia da Juventude, no domingo, em que a animação é redobrada e conta com a participação de muitos espanhóis oriundos da Andaluzia.
A praia Fluvial de Alcoutim, o castelo, e o cais do Rio Guadiana são os palcos privilegiados das festas, que se estendem um pouco por toda a vila.
São festas caracterizadas pela sua força e vitalidade e também por durarem noite dentro.
Lá estarei...

12/08/09

Obrigado ALCOUTIM LIVRE

A entrada que se segue foi-me enviada pela minha filha que está sempre atenta... Não posso deixar de " copiar" com os devidos créditos, este testemunho de tempos felizes que não voltam...
http://alcoutimlivre.blogspot.com/2009/06/1-cafe-de-alcoutim.html

Agradeço uma vez mais, ao autor do blogue Alcoutim Livre, esta foto que já me havia enviado por email.
O Sr também está presente e olhe pelo que sei, estamos todos bem de saúde.

1º Café de Alcoutim
Esta fotografia tirada, não sei por quem, em Setembro de 1967, retrata o que era o 1º Café de Alcoutim, acabado de inaugurar.Um pequeno espaço com quatro ou cinco mesas e porta para a Rua Dr. João Dias. Uma pequena máquina que tirava um café de cada vez!Era propriedade do comerciante local e já falecido, João Baltazar Guerreiro. Virado para a Praça da República e no prédio, na posse dos seus herdeiros, que foi sempre o ponto fulcral do comércio alcoutenejo tinha mercearia e taberna, vendendo fogões e relógios.Para satisfazer meia dúzia de fregueses, quase foi “obrigado” a montar nesta pequena dependência o que para a vila constituiu uma novidade: - UM CAFÉ!Lembro-me muito bem, um café custava 1$20, o que na moeda de hoje dá € 0,06.Foi lá que bebi o primeiro café com aquela que veio a ser minha mulher.Dos doze fotografados, é tudo gente na reforma e dois nada têm a ver com Alcoutim, pois encontravam-se em trabalho periódico do Instituto Nacional de Estatística de que eram funcionários. Dos restantes dez, só dois ainda residem na vila, ainda que mais dois residam no concelho.Não me lembro, mas possivelmente alguém faria anos.Cerveja e licor parecem terem sido as bebidas.Quem os reconhece?Posso dizer que está lá a “Marlene”, que ninguém sabe quem é, a não ser a própria.Pouco tempo depois o CAFÉ passou para o maior espaço virado para a Praça, substituindo a mercearia.N.B. - Informacão acabada de chegar do colaborador deste blogue, Eng. Gaspar Santos, dá-nos a conhecer que houve na década de 50 uma primeira tentativa de CAFÉ que foi mal sucedida. Situava-se curiosamente em frente deste.
Publicado por José Varzeano
Tema:


E continuando esta informação...

A " Marlene" está presente, sim...sei bem quem ela é...
A seguir ao Duarte, o miúdo dos óculos, era a mais novita do grupo. Em 1967, tinha portanto 14 anos...
A alcunha" Marlene" era um tributo à Dietrich a tal que Hitler convidou para protagonizar filmes pró-nazistas?!..., vim a conhecer-lhe a história mais tarde e a admirá-la porque soube recusar o " honroso"convite. Apressou-se a deixar a Alemanha e tornou-se uma cidadã dos EUA. Hitler tomou isso como um desrespeito para com a pátria alemã e chamou-a de traidora...

O Café era do meu pai e era de facto assim. Era o centro de tudo naquela década de 60... foi café onde a TV estava sempre ligada desde o inicio até ao fim da emissão... foi casa de petiscos quando os clientes que eram todos amigos do meu pai se juntavam e em sã camaradagem comiam, bebiam e cantavam modas do Alentejo, fados de Coimbra e de Lisboa...até altas horas, foi agência e ponto de paragem dos autocarros da Rodoviária Nacional, foi casa de jornais e revistas... foi tanta coisa!!!
E já agora a foto foi tirada pelo meu pai. Conservamos ainda muitos negativos desse tempo e a minha filha que gosta de preservar tudo o que encontra em casa do avô, tem-os guardados em grande estima, com vista a " salvá-los" numa pasta segura, desta modernice que é agora um PC, impensável e inimaginável à epoca.

Obrigado Sr Nunes e bem haja pelos testemunhos que tem escrito sobre Alcoutim - sua terra adoptiva, mas não por isso menos amada.

19/07/09

A CASA do MONTE / Alcaria alta


É um refugio onde se acorda de manhã com o chilrear dos pássaros, onde nem se dá pelo passar das horas e onde ainda se deixa a chave na porta ...
É uma casa humilde, como humildes eram os meus avós. Mas é um local onde impera a paz e o sossego!...
Gosto de cá vir… aqui retempero forças!!!
Está um dia quente. O carro marca 38º C… Mal chego, bebo água fresca e descanso um pouco. Como só cá estou hoje, não tenho muito tempo para esperar que o calor abrande. Apetece-me um figo da Índia... Pego numa lata de zinco, que em tempos serviu para tirar água do poço e numa tenaz. Desço o carreiro até à Figueira da Índia mais próxima. Em tempos vi-os à venda no Continente a 18 euros o quilo, sim 18 euros… Não sei de onde vêm, mas aqui ninguém os aproveita a não ser num “ matar de desejo” que é o caso.
Encho a lata bem apinhada e deito-os na areia onde “sabiamente” lhes retiro os picos muito finos, mas agressivos. Depois, cumprindo o ritual, lavo-os e coloco-os no banco de pedra para secarem do excesso da água. Coloco-os no frigorífico para arrefecerem..." Quentes, fazem mal à barriga" - dizia a minha avó Isabel.

Estes bancos de pedra, construídos nas fachadas das casas, tinham muitos fins…serviam para a secagem de frutos, descanso das caminhadas, pousar dos cântaros, contemplação do céu estrelado ao fresco da noite… Gosto de me sentar neles ao cair da tarde e noite dentro. Trazem-me lembranças dum passado longínquo. Ali, ao relento, na noite de um distante verão ouvi muitas histórias contadas pelo meu tio Vanderdil ( Parece um nome estranho, mas não é se eu vos disser que o Padrinho foi veterano da 1ª Grande Guerra em França ). Este meu tio era o irmão mais novo do meu pai. Ainda hoje me lembro de muitas coisas que ele me ensinou e... eu tinha apenas 5 anos quando ele morreu aos 35 anos de idade. Ensinou-me a coaxar como a rã e a cantar como a perdiz, ensinou-me a contar até 20...e ensinou-me o Jogo das Pedrinhas... ensinou-me muitas outras coisas que, na minha memória de menina, se perderam.
Nem tudo são boas recordações… quando regresso ao passado.
Um dia, vi trazerem-no inerte em cima duma égua. Ainda hoje consigo visualizar toda essa dramática cena. Eu adorava o meu tio Vanderdil... Ele foi a primeira grande perda da minha vida.
Descobri que o coração da gente se cansa de bater e pára...tinha apenas 5 anos!

A casa foi agora pintada com barras de azul alentejano! Deixo que ponham tudo ao gosto deles. Gostam de lá ir passar os dias de folga, caminhar, pedalar, descobrir... Deram uso aos cântaros, aos alguidares de barro, aos chocalhos, às esparrelas para pássaros, às panelas de barro, às trempes e aos candeeiros a petróleo,etc... trouxeram para a luz do dia toda a tralha que encontraram na despensa. Mas eu não me importo que eles ponham a casa ao gosto deles.O forno é que eu preciso de cuidar, recuperar, caiar... É um forno comunitário, pertenceu a 4 famílias cujos herdeiros ainda vivem... uma delas, sou eu.
Vai ser a minha próxima preocupação!...

O amor ao monte, permanece nos meus filhos.
Consegui transmitir-lhes isso...
Fico FELIZ!...


10/05/09

Combate à SURDEZ

No âmbito do Programa de Recuperação de Audição, que visa combater a surdez no concelho, a Autarquia disponibiliza 100 mil euros para a compra de aparelhos auditivos.

Alcoutim é um concelho pobre e as pensões da população idosa são muito baixas. Qualquer pessoa, por si só, não conseguiria sem a ajuda da Autarquia. A comparticipação do Estado para a compra de próteses auditivas é de 22 euros, quando elas custam mais de mil... É ridículo na verdade!...
Felizmente Alcoutim tem o privilégio de ter um Presidente-Médico sempre atento aos problemas dos idosos do concelho.
Bem hajas, Chico!...
Muitos dos nossos idosos voltaram a ver graças a ti. Agora, outros voltam a ouvir...

28/04/09

Joselito / Filmes da minha infância...



JOSELITO tinha uma voz linda!

Tornou a minha infância mais bonita, ensinou-me a sonhar e mostrou-me que o Mundo ía muito para além da minha terra natal.
Recordo todos os filmes que vi dele, ao ar livre, no Cais juntinho ao Rio e também as lágrimas que teimavam em cair das nossas faces quando as aventuras eram um pouco mais dramáticas...



Agora que sou adulta, continua a ser impossivel esquecer esta tremenda voz, esta doçura em cara de anjo…
Tenho um CD dele no meu carro e todas estas canções andaluzas fazem, ainda hoje, parte do meu reportório...
(Ja pedi perdão ao nosso cancioneiro...)

16/03/09

SEVILLANAS

Muitas das minhas recordações de infância e adolescência estão ligadas também a SANLUCAR del GUADIANA. Cresci convivendo com eles e tenho um carinho especial por este povo que é uma extensão do meu. A música de Espanha teve, desde sempre, muita influência em mim. Quando canto para o espelho, nunca o faço em português, que me perdoe o nosso cancioneiro!
Nem consigo ficar quieta, ao som dumas SEVILHANAS!!!...  




Las manos de la chica son como dos palomas... que belleza, parece que estan flotando... Es la sevillana mejor bailada que he visto. Se te ponen los pelos de punta al verla... Pero la música...ohh! Además la bailan con una pasión...puff. À parte de la técnica, se les nota el arte que tienen ambos. Muy bonita esta sevillana, la compenetracion de los dos es como se debe bailar,bailas fijado en tu pareja sin importarte lo que ocurra a tu alrededor. Viva Sanlucar del Guadiana!... Su gente, su musica, su pasion, su alegria por la vida!

20/02/09

A GRANDE CHEIA DO GUADIANA


Esta placa encontra-se no edificio onde existia, à epoca, a velha cadeia.
A distância a que está do rio e a altura que assinala, causam admiração.
Na minha casa, atendendo a esta placa, a água submergiu todo o rés do chão...

Ainda hoje, quem percorre as povoações ribeirinhas do “grande rio do Sul” encontra uma série de placas que atestam a altura, quase inacreditável, que as águas do Guadiana tomaram naqueles dias, seja em Mértola, Alcoutim ou na margem Espanhola. A imprensa da época, através de correspondentes locais, não deixou de noticiar tão nefasta tragédia.
A «Gazeta do Algarve», jornal publicado em Lagos, na edição de 13 de Dezembro de 1876, citando o correspondente de Alcoutim, em carta datada do dia 6 daquele mês, refere que «O Guadiana há 3 dias que traz uma corrente assustadora e devastadora – mede a velocidade de 11 milhas por hora e tem alagado completamente todos os campos marginais». Aquele periódico menciona igualmente que «o Pomarão desapareceu. Todas as casas foram arrasadas, e nem se conhece o lugar onde existiam. A estação telegráfica desapareceu também, indo a mesa dela dar às margens de Ayamonte. Em Alcoutim houve perdas consideráveis, os campos estão debaixo de água, que entra dentro da vila em muitas casas e quintais. As carreiras a vapor foram interrompidas».
Também o «Correio do Meio Dia», publicado na então Vila Nova de Portimão, na edição de 17 de Dezembro, foca a grande tragédia, transcrevendo do «Comércio do Sul» (Faro) a narração dos acontecimentos: «No dia 7 recebemos a seguinte comunicação de José Francisco Bravo de Alcoutim, “uma exposição singela, mas verdadeira dos horríveis estragos e imensas apreensões de que todos nós por aqui nos achamos possuídos pelos efeitos do extraordinário temporal que há bastantes dias nos tem perseguido, chegando agora a um grau mais elevado. O rio saiu fora do seu leito. Desde ontem das 10 horas da noite por diante, seguiu a passos agigantados e assustadores que já hoje ás 10 horas da manhã chega, mas de um modo aterrador, à praça pública desta vila (Alcoutim) – 30 metros senão mais por diante do princípio das habitações dela. Tudo aqui se vê em desarranjo, todos deixam ver no semblante o medo pela tempestade que ameaça sorver-nos. Espessas nuvens toldam o horizonte e todos os sinais nos parecem anunciar próxima e mais grossa nova tormenta».
E de facto assim foi. «Em data de 8 nos dizem da mesma vila o seguinte: São 10 horas da manhã e a maior parte desta vila está debaixo de água. Não há por aqui notícia do Guadiana ter engrossado tanto como nesta ocasião. A igreja de Santo António está já meia coberta e a linha telegráfica está submergida. Têm abatido grande número de casas, embora estas ainda não se vejam na totalidade. Todas as repartições foram a terra, a alfândega foi a que sofreu mais porque não se pôde salvar um único papel e supõe-se que não ficarão nem vestígios dela. Em Mértola também a cheia foi assustadora fazendo desabar bastantes casas e causando subidos prejuízos».
De alguns pontos, salienta ainda aquele jornal, «foram vistos arrastados pelas águas alguns cadáveres humanos – uma mulher agarrada a um tronco de uma árvore, uma criança de tenra idade num berço e um homem». A estas perdas de vidas humanas, juntaram-se ainda as tripulações de várias embarcações, que foram arrastadas pela corrente e naufragaram (11 mortos).
A gravidade dos acontecimentos dominou ainda a Sessão da Câmara Municipal de Alcoutim, de 21 de Dezembro de 1876, também ela privada de edifício próprio, que reuniu em sala provisória, onde «o Sr. Presidente José Joaquim Madeira relatou os tristes acontecimentos ocasionados pela extraordinária cheia do Rio Guadiana nos dias 6 e 7 do corrente que fez desabar mais de 60 prédios nesta vila e montes do rio, tornando também infrutíferas todas as fazendas marginais por lhe haver arrebatado o arvoredo, não deixando mais do que montes de areia. Neste aflitivo estado é de toda a urgência empregar os meios ao nosso alcance para que sejam minorados tão tristes efeitos em assunto de tanta magnitude. Na Sessão foi por todos reconhecida a necessidade de elevar um brado ante o trono de Sua Majestade fazendo-lhe sentir os nossos infortúnios e pedindo lenitivo às nossas desgraças».
Foi então determinado representar ao governo, «pedindo um empréstimo para se poderem levantar os prédios que se abateram pela inundação, bem como pedir o dinheiro existente no cofre de viação municipal e que a ele possa pertencer durante os dez anos seguintes para a edificação dos novos Paços do Concelho».
E finalmente «que não sendo conveniente a edificação no local em que se achavam por estarem sujeitos às cheias do rio se representasse pedindo o castelo, onde sem receio das enchentes se podem construir não só os Paços do Concelho como as demais repartições e escolas». Estes pedidos de ajuda acabariam por surtir efeito, e em Sessão de 17 de Março de 1877 foram concedidos os primeiros apoios para a reconstrução das habitações, num total de 9 926 000 réis. Estas não deveriam ser reconstruídas em taipa, «causa principal da maior parte dos desmoronamentos» durante a inundação.
Na Sessão de 24 de Abril do mesmo ano são atribuídos mais 19 470 000 réis aos agricultores das margens do Guadiana, num total de 147, cujos nomes e quantias se encontram discriminados na Acta daquela Sessão.
Foram ainda concedidos 500 000 réis «para matar a fome e o frio aos inundados». Apesar das consequências terríveis da cheia, esta permitiu pôr a descoberto inúmeros vestígios arqueológicos ao longo do rio, particularmente em Mértola, Montinho das Laranjeiras e Álamo, locais pouco depois escavados pelo arqueólogo algarvio Estácio da Veiga.
Volvidos 130 anos, a memória da cheia reparte-se essencialmente pelos documentos de então, sejam jornais ou Actas de Vereação, impregnadas de desolação e terror, e pelas placas de mármore facilmente observáveis um pouco por todo o vale do Guadiana. Na memória dos homens, a grande cheia não passa hoje de um facto passado e inatingível para muitos, nos nossos dias.Contudo, e se é verdade que a Barragem do Alqueva permitiu, em conjunto com as suas congéneres espanholas, dominar de certa forma o Guadiana, convém não esquecer que, se estiverem completamente cheias, a inundação a jusante será inevitável. Afinal, as muitas barragens do Douro não debelaram as cheias das zonas ribeirinhas de Gaia e do Porto...Por estas razões, as margens do Guadiana não deverão ser ocupadas, sob pena de virmos a lamentar uma nova da catástrofe. Tal como as secas, as inundações são fenómenos cíclicos normais no nosso clima, quer queiramos quer não.
Fonte: BARLAVENTO
P.S.- Assisti a algumas cheias durante a minha infância... A maior de que me lembro, ainda bem novita,"beijou" os degraus dos Paços do Concelho. A preocupação dos adultos, constratava com a nossa curiosidade...e o desejo, inconsequente, de que subisse, subisse...

16/02/09

SENTINELAS VIGILANTES


Durante séculos, Alcoutim e Sanlucar del Guadiana enfrentaram-se como sentinelas vigilantes, cada qual guardando a sua margem.
A História passou por aqui em 1371, quando os reis de Portugal e de Castela (respectivamente D. Fernando e D. Henrique 11) assinaram o Tratado de Alcoutim (a paz aqui acordada seria várias vezes quebrada até à morte de D. Fernando. em 1383.
À parte estas " guerreiazitas" o povo, o verdadeiro povo de Alcoutim e Sanlucar, sempre se respeitou e viveu em paz.
Aquando da guerra civil espanhola, em finais dos anos 30, conta-se que os alcoutenejos foram bastante solidários com amigos e vizinhos da outra margem.

15/01/09

NOSTALGIA

Testemunho de um amigo

O Guarda Fiscal sempre atento ao rio, quer de dia, quer de noite...
A Estátua perpectua-lo-á e a nossa memória também...


" Lembro-me que estávamos nas férias do Natal e fomos convidados para um “bailarico” em Sanlucar.
O problema era que a autorização era bem difícil… E agora???.
Vamos ser criativos.
O Chico Balbino deixa o barco no “cais velho”, mesmo a jeito.
Era o Antonico “Guarda Rio”, o Amílcar “Felício”, o Arnaldo, o António do Rosário, o Zé Serafim e mais alguns que agora não recordo.
Juntámo-nos na “capela”, mas havia uma “tertúlia” debaixo do lampião junto das escadas de acesso ao cais que, reunia o Sargento, o soldado da Guarda Fiscal de serviço e mais algumas pessoas.
O tempo passava, e nada.
Vamos entrar em acção. Dois vão buscar o barco e os outros vão para a “boca da ribeira”.
Lá vai o Amílcar e o Zé Serafim descer da “capela” e rastejar no cais velho para não serem vistos, remar à “contrabandista” e lá vamos nós subindo o rio para não entrarmos na zona de reflexo.
Naturalmente em Sanlucar divertimo-nos imenso com aquilo que só eles sabem fazer. Uma guitarra, uma pandeireta, umas castanholas, e “chicas guapas” com amizade, simpatia e “salero”.
No retorno, fazendo o mesmo trajecto, e quando estávamos junto da boca da ribeira, fomos surpreendidos pelo Guarda Fiscal, de arma apontada, intimando -nos a ir imediatamente para terra.
Grande atrapalhação com consequência desastrosa. Ficámos encalhados no cascalho da ribeira. E agora???
Com os remos, empurra daqui, empurra do outro lado e nada. Solução???
Alguém tem de ir à água… E com um frio de rachar.
Enfim lá surge um voluntário e o problema é resolvido.
E o Guarda Fiscal???
Era um assunto grave. Todos tínhamos de ser presentes ao Sargento no dia seguinte etc. e tal.
Depois de muita argumentação, de que nada tinha acontecido de mal, por fim
lá fomos mandados em paz, com o compromisso de que nada se soubesse.
E assim aconteceu.
Até agora..."


Obrigado por mais este testemunho de outros tempos...
Nesta aventura as miudas não participavam porque os tempos eram outros e, "à escapadela", não podia ser!!!

13/01/09

A CASUARINA da minha terra.

Esta magestosa e imponente Casuarina (Casuarina Cunninghamiana MIQ.) encontra-se à beira do Rio Guadiana em Alcoutim e foi classificada como Árvore de Interesse Público, em Diário da República de 29/03/1999.Sempre a conheci assim, enorme...imponente!!!

Testemunhou a azáfama diária das gentes da terra... Viu o Guadiana sair do seu leito e beijar-lhe a copa... Deu sombra às brincaderas da nossa infância e foi conivente c'os namoricos da nossa adolescência... Assistiu aos nossos bailaricos no cais e às nossas festas... Viu os jovens partir para a guerra e também para a cidade, em busca de melhor vida... Foi cúmplice do amor que existe entre Alcoutim e Sanlucar, de como se miram e espelham nas águas do rio na terna esperança de se enlaçarem,um dia...
Como o tempo passa!
Ela continua linda, viçosa e nós vamos perdendo o brilho... no entanto, quem tem mais de 80 anos é ela!!!
PATRIMONIO NATURAL A PRESERVAR...
As ruas das Aldeias, Vilas e Cidades da nossa terra são bem mais lindas
se de árvores se enfeitam...