terça-feira, julho 08, 2014

"Marlene"


Testemunhos...
Hoje, relendo AlcoutimLivre encontrei um post, em resposta a uma "achegazinha", sobre esta preciosa foto... bem antiga... 1964

Publicado por José Varzeano em 10 de junho 1999

Dizia assim:
"Esta fotografia tirada, não sei por quem, em setembro de 1967, retrata o que era o 1º café de Alcoutim, acabado de inaugurar.
Um pequeno espaço com quatro ou cinco mesas e porta para a Rua Dr João Dias. Uma pequena máquina que tirava um café de cada vez!
Era propriedade do comerciante e já falecido, João Baltazar Guerreiro. Virado para a Praça da Republica e no prédio, na posse dos seus herdeiros, que foi sempre o ponto fulcral do comércio alcoutenejo tinha mercearia e taberna e vendia também fogões e relógios,.
Para satisfazer meis dúzia de fregueses, quase " foi obrigado" a montar esta pequena dependência o que para a terra constituíu uma novidade - UM CAFÉ!
Lembro-me muito bem, um café custava 1$20, o que na moeda de hoje dá  € 0,06. Foi lá que bebi o primeiro café com aquela que viria a ser minha mulher. Dos 12 fotografados, é tudo gente na reforma e 2 nada têm a ver com Alcoutim, pois encontravam-se em trabalho periódico do Instituto Nacional de Estatística de que eram funcionários. Dos restantes dez, só dois ainda residem na vila, ainda que mais dois residam no concelho. 
Não me lembro, mas possivelmente alguém faria anos.
Cerveja e licor parecem ter sido as bebidas. 
Quem os reconhece? Posso dizer que está lá a "Marlene", que ninguém sabe quem é, a não ser ela própria. 
Pouco tempo depois o CAFÉ passou para o maior espaço, virado para a Praça, substituindo a mercearia."

A resposta, está neste novo post... Acoutim Livre... AQUI

José Varzeano chamava-me, carinhosamente, "Marlene"... ela, a outra, era uma giraça e eu era só uma miúda..."sem graça"...
Grata, eternamente, pelo carinho!...


terça-feira, maio 13, 2014

Reminiscências de uma Procissão... na minha infância.


MAIO - mês de MARIA


Nestes dias sempre me vêm à memória as procissões da minha infância.
Havia sempre 6 meninas vestidas de Anjos e, a cada ano, eu era sempre uma dessas meninas. Ainda relembro o bater do meu coração de menina... naquela cadência apressada... como a querer saltar do peito, no pulsar daquela alegria tamanha...
Como S. Francisco de Assis, mas de branco, era assim que eu ía vestida, cordão em volta da cintura, asas meticulosamente desenhadas e de algodão revestidas.
A minha mãe esmerava-se no meu penteado e eu achava que parecia mesmo um anjo. . . de louras tranças e laçarotes brancos.
Não tenho fotos, mas guardo na minha memória a imagem que o espelho, mil vezes contemplado, me devolvia...
Naquela noite de um 12 de Maio distante, algo correu mal. No momento em que a procissão recolhia à igreja, estreita foi a porta... De repente, ouvi o crepitar do algodão altamente inflamável e, quase simultâneamente, vi um clarão vermelho e senti o cheiro do meu cabelo a arder...
Foram segundos, talvez, mas pareceram-me uma eternidade.
Fitas brancas de cetim prendiam as asas aos meus braços, cruzavam atrás e envolviam-me a cintura atando depois com um laço bem apertado, na frente... não saíam com facilidade.
Os meus pais trabalhando, como sempre, no café até tarde e eu ali sózinha... foi assim que me senti. Lembro-me de gritar e de ouvir gritos clamando por água... benta? Talvez...
Alguém despiu o casaco e abafou as chamas num pensamento rápido e eficiente.
Faltaram ali as mãos de minha mãe e o casaco do meu pai. Não teriam hesitado!..., mas trabalhava-se muito naquela década de 60 e a igreja era logo ali... e eu fui entregue à minha catequista e recomendada ao Sr Padre.
E assim acabaram os Anjos na procissão... :)

sábado, maio 03, 2014

Sei de um ninho. . .




Ali mesmo, no cimo da escadaria que acessa à CMAlcoutim... ali " à mão de semear"... um casal de passaritos fez o ninho e ela pôs os ovinhos. . . O resto não sei porque quando ha pouco o vi, estava vazio.

Os animais confiam demasiado no ser humano.
Eu tê-lo-ía feito no galho mais alto, da casuarina, ali 10 metros abaixo com vista privilegiada... para o rio.

sexta-feira, abril 18, 2014

Em redor do Guadiana...

Alcoutim

A beleza natural das margens do Guadiana e os  principais pontos de interesse das localidades que o rio encontra no seu percurso entre Moura e Vila Real de Santo António.


Ano de 1962... Vale a pena recuar no tempo!...

O Video aqui...

sábado, setembro 21, 2013

Ruas de Alcoutim

 

 
Ruas de Alcoutim
calçadas com pedras da ribeira
saudosas de aloendros
Por isso por qualquer greta
brotam plantas vagabundas
filhas de pai incógnito
nascidas de uma semente desgarrada trazida pelo vento
dessas que só à noite entregam plenamente ao ar
seu recôndito perfume

Teresa Rita Lopes, O Sul dos meus Sonhos
 

Teresa Rita Lopes

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Teresa Rita Lopes (n. Faro, 1937), é uma escritora (e importante investigadora pessoana) portuguesa.
Licenciada em Filologia Românica, doutorou-se, em Paris com uma tese sobre Fernando Pessoa, tendo consagrado a sua carreira de investigação ao estudo da obra deste.
É Professora Catedrática de Literaturas Comparadas na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, desde 1979.
A sua produção literária vai desde a poesia ao teatro, para além de inúmeros ensaios sobre literatura.

Obra poética

  • Os dedos os Dias as Palavras (1987, Prémio Cidade de Liboa 1987)
  • Por assim Dizer (1994)
  • Cicatriz (1996, Prémio Eça de Queiroz de Poesia 1996)
  • Afectos (2000)
  • Jogos, Versos e Redacções (2001)
  • A Nova Descoberta de Timor (2002)
  • A Fímbria da Fala (2002)

Obra dramática

  • Três Fósforos (1962)
  • Sopinhas de Mel (1981)
  • Rimance da Mal Maridada e Sopinhas de Mel (1994)
  • Andando andando (1999)
  • Esse tal Alguém (2001, Grande Prémio de Teatro da Associação Portuguesa de Escritores 2001)
  • As Barbas de Sua Senhoria (2003)
  • A Asa e a Casa (2004)

Obra em prosa

  • Estórias do Sul (2005)

quarta-feira, setembro 11, 2013

Festas de Alcoutim 2013


As festas de Alcoutim decorrem de 13 a 15 de Setembro, do nascer ao nascer do sol e vai haver um variadíssimo programa de animação com actividades desportivas, jogos tradicionais, musica e outros divertimentos.
Tal como nos anos anteriores, o baile à antiga vai acontecer todas as noites, pelas 22 horas, antes dos concertos principais.
A discoteca no cais, animará as madrugadas que terminam com o já tradicional cacau no rio...
Durante o dia a festa decorre na vila com animações de rua, musica na Praça da Republica, actividades desportivas e a tentadora e divinal Feira dos Sabores.
Uma organização da Câmara Municipal de Alcoutim com os lucros a reverterem a favor dos Bombeiros Voluntarios e do Grupo Desportivo da vila alcouteneja.

 Sobre a origem da feira de Alcoutim, podes ler, Aqui:

Segue-se o programa 2013


 
Lá estarei, como sempre!...
 

sábado, junho 22, 2013

"O Sul dos meus sonhos" - Teresa Rita Lopes




"O Sul dos meus sonhos" é uma obra de poemas dedicados aos 3 sítios algarvios - Cacela, Faro e Alcoutim, onde Teresa Rita Lopes passou a sua infância.

Curiosamente, nos meus sonhos, também viajo muito até Alcoutim. As memórias de infância têm esta força maravilhosa e eu, em sonhos, regresso muito aos meus tempos de menina, talvez porque tive uma infância maravilhosa.
Também partilho muitas destas memórias que TRL menciona no video - Adorava olhar os barcos que passavam no rio carregados de minério rio abaixo e de guano rio acima, os caldos de farinha que a Teresa abominava, mas eu adorava, a gemada para dar força... etc.
Tenho saudades do tempo que não volta... daquele que vivi lá. . .

Mais sobre Teresa Rita Lopes - AQUI

Alcoutim - Artesanato & Etnografia




Uma das melhores feiras de Artesanato & Etnografia da nossa região.
A cada ano mais rica, a cada ano mais visitada.


Registos Etnográficos
 










 Momentos musicais...


Uiii... que cheirinho! . . .
Os cheiros misturavam-se no ar e os meus sentidos captaram-nos e ordenaram ao cérebro:
_Pede comida que há para aí sabores divinais! . . . 

Não fotografei muitos stands para não apanhar as pessoas que, poderiam gostar de ser fotografadas ou não. A minha querida amiga de infância, não escapou. . .
Estavam uma delícia as tuas filhós e o Bolo de Massa do Pão que me trazem à memória, com muita saudade, a minha avó Palma.
Temos 4 dias de diferença - tu e eu - e fizemos juntas o exame de 4ª classe
 Somos amigas, desde então. 
Obrigado, Maria Deonilde!...

 Adoro esta calçada de lages... 
...aqui o calor já apertava!!!





Artesanato de Alcoutim
A flor da esteva, muito característica da nossa terra!... É linda...




 Contenta-se o estômago...
Rancho Etnográfico de Martim Longo

Lá tenho que ir a Alcaria Queimada buscar o meu encomendado cesto para a roupa.
Deus lhe dê muita saúde para continuar a tradição, Sr António Ramos.

  O albardeiro. . . ainda há burros que usem albardas?
Os de agora já não as usam. . . e temos tantos!!!

 As redes que pescam há séculos, no Guadiana...

   Desta selecção será escolhido o Doce típico de Alcoutim. 
Qual foi o vencedor e como o nomearão?

Fiquei maravilhada com este carrocel de cabrinhas. 
A noite deu-lhe outro encanto. . .



E foi assim. . .
As fotos não dizem nada... tirei poucas porque andei entretida em descobrir rostos. 
Isso sim que eu adoro - descobrir amigos, descobrir sorrisos. . .
Dar um abraço aqui, um beijo ali. . .





segunda-feira, abril 01, 2013

Alcoutim - Feira dos Doces d'Avó



Não fui para grande pena minha. . .
Deixo aqui o testemunho de quem esteve e filmou para que conste.
Video / Vitor Teixeira a quem agradeço a partilha.


segunda-feira, março 25, 2013

Alcoutim- VIII Feira de Doces d'Avó




Vou os 2 dias... 29 e 30, ja meio mundo sabe -  o meu mural FB chega a Los Angeles e São Gonçalo...!!!
Preciso de doces! . . Ver doces, cheirar doces, comer doces - tudo o que me apetecer, porque aqueles sabores são divinais e eu não resisto. 
Uma amiga de infância estará lá com as suas filhós, as melhores e mais saborosas filhós do mundo. . .

Já pensei - vou abancar na Casa do Monte e vou na sexta feira mesmo que a meteorologia prometa carradas de chuva. Se ninguém me quiser acompanhar, vou sozinha, nem toda a gente gosta daquilo como eu. 
Vou aproveitar também o sossego do monte, deambular por ruelas e azinhagas mesmo com chapéu de chuva e luvas se preciso for. Ver e conversar com as pessoas que já não vejo ha algum tempo, os resistentes que por lá foram ficando e outros que regressaram. 
À noite, vou acender o fogo, brincar com ele e " ouvir" a voz da minha avó Isabel dizer. . .  "a brincares assim com o fogo vais fazer xixi na cama, menina, isso vais"...

No sábado, sim, vou para Alcoutim, ver o meu Guadiana, matar saudades dos sons, do cheiro, da minha infância e degustar doçuras e gostosuras da minha terra bem amada!...



segunda-feira, março 18, 2013

segunda-feira, fevereiro 18, 2013

Rua da Misericórdia - Alcoutim


Morei nesta rua.
Ao fundo podemos ver 3 miúdas - uma mais crescida no umbral da porta, e duas no meio da rua... Penso que sou eu e a Gracinha. Morávamos ali, lado a lado e andávamos sempre juntas saltitando por ali, jogando à macaca, saltando à corda e ao elástico… tropeçando na calçada e esfolando joelhos.
A outra mais crescida, no umbral, é a irmã Matilde.
Vem um miúdo a subir a rua, tanto poderia ser o Tonico, o irmão da Gracinha...ou outro miudo qualquer que vinha, decerto, fazer um recado à mãe. Ao cimo da rua havia a padaria, no sitio onde está a miúda, cá mais ao cimo havia a mercearia da prima Belmira e do Sr Felício.

Esta foto terá mais de 50 anos...

Por estas e por outras é que eu vejo que, apesar da tinta LÓreal, nos cabelos, os anos passam e deixam marcas profundas. Porque mudamos, envelhecendo… Porque partimos para outras paragens de onde regressaremos, ou não…




Rua da Misericórdia
Alcoutim

Do blogue alcoutimlivre
Podem ler o texto e ver a foto  aqui

Gratidão eterna, Sr Nunes, pelos testemunhos escritos que nos deixou. 

segunda-feira, fevereiro 11, 2013

80º Aniversário de Carlos Brito

PARABÉNS


É uma honra e um orgulho para Alcoutim ter como um dos filhos da terra " este grande patriota", como disse o ex-Presidente da República Jorge Sampaio, no jantar de homenagem a Carlos Brito.
Francisco Amaral, Presidente da Câmara Municipal de Alcoutim/ FB
Foto: Engº Gaspar Santos


Alcoutim - entre a Serra e o Guadiana



Alcoutim - localizada no Nordeste Algarvio. entre a Serra do Caldeirão e o Rio Guadiana e longe dos centros turisticos do litoral, de inigualável beleza natural. rica em património cultural e grande tranquilidade são atributos que aliados à hospitalidade e simpatia das suas gentes fazem de Alcoutim um paraíso...
O centro histórico mantém nas suas ruas estreitas e íngremes o lado típico da atmosfera tranquila de uma vila serrana, local onde se encontra implantado o Castelo que teve inícios no Séc XIV. No seu interior funciona o Museu de Arqueologia onde estão expostos os achados arqueológicos do concelho. Também no centro da vila podemos visitar a Igreja Matriz que é um dos melhores exemplares do Renascimento no Algarve.
Ancorados, junto à margem do Guadiana, deparamo.nos com a beleza dos veleiros que nos fazem querer ficar algum tempo mais, numa esplanada à beira de água...

Carlos Pais  - Youtube

domingo, dezembro 23, 2012

ALCOUTIM - Cânticos de NATAL - Dez 2012




  

 Video de  VITOR TEIXEIRA
Casa dos Condes - Dez 2012
Cânticos de NATAL

O Vitor tem o condão de trazer até aos distantes alcoutenejos, o que de bom se faz na nossa terra.
Neste serão das " Sextas à noite" reconheci amigas de infância e até uma prima.
Segundo me apercebi, participavam também neste serão alguns estrangeiros "residentes temporários" dos barcos que sulcam as águas do Guadiana. 
Um serão intercultural... GOSTO.
Qualquer dia começo a ir daqui às sextas à noite, daí. A gasolina é que está pelos olhos da cara. . .

E, antes de terminar, quero desejar um Santo e Feliz Natal a todos os alcoutenejos e aos leitores deste blogue. Que o espírito natalício, na verdadeira acepção da palavra, invada a vossa vida a cada dia e a vossa mesa da consoada nesta noite de Natal. Que a união Familiar vos dê o conforto que aconchega a alma e adoça o coração.
OBRIGADO Vitor Teixeira e bem haja!!!

terça-feira, novembro 27, 2012

Mulheres do monte...



A diferença está, apenas e só, na indisfarçável juventude das moçoilas...



A mulher algarvia vestia cores garridas, mas quando o homem estava ausente imperava o negro... se ficava viuva, nunca mais deixava o preto.
 Isto ainda acontece hoje, nos montes do interior algarvio.
. Conheço ainda algumas viuvas, eternamente, de negro vestidas...

Os Serões em casa dos meus avós.





Ainda me recordo dos serões, à lareira, em casa dos meus Avós Maternos. 
O meu Avô Palma era um exímio contador de historias tradicionais ou inventadas, mas nem por isso menos lindas. Quase nos consigo ver, os 3 netos, maravilhados com cada palavra que, pausadamente proferia... Há uns anos atrás estive nesta casa do fogo, que não me pertence, mas a uma familiar.  Já não exise, mas consegui vizualizar “noiva” (uma pedra branca, em forma de cubo, onde eu adorava sentar-me, junto ao 'fogo de chão' e o meu Avô Palma com os outros 2 netos, nos joelhos.
Quase consigo ouvi-lo : “Toca, toca pastorzinho... toca, toca com vigor…” do conto do Pastor e da Flauta... Foi uma infância feliz, a minha!... 
Também as conversas, entre adultos, eram sempre animadas. Muitas vezes, também participavam os moirais e os almocreves, o sapateiro... que uma vez por ano lá permanecia, por uns tempos, a fazer sapatos, ou até o cardador ... Eram serões muito animados. Muitas estórias de vida, de experiências, de muito ensino e aprendizagem... 
De Inverno, à lareira... de Verão, à luz das estrelas...
Em casa dos meus Avós Paternos, havia menos movimento..., não conheci o meu Avô que partiu antes de eu nascer, mas com o meu tio, que vivia ainda com a minha avó, aprendi, desde novinha, a olhar para o Céu... ensinou-me a descobrir as estrelas, os planetas e as constelações, no Universo, que nos envolvia. 
Não havia luz eléctrica e, nos dias de calor, sentados nos poiais, na rua, entre uma conversa e outra, olhávamos para o céu... Olhar as estrelas é privilégio das gentes do campo. Nas cidades não existe esta possibilidade. Falta lugar cómodo e sobram as luzes que tiram tanta nitidez ao firmamento. 
A minha avó, por sua vez, faláva-me da infância do meu pai e dos meus tios, de como ele era aplicado na Escola e dos receios que tinha quando eles abalavam, para a aldeia, a pé... 
Eram uns bons 5 km para lá, outros para cá..., para aprenderem a ler e a escrever.  Este meu tio faleceu aos 35 anos (tinha eu 5) e, a partir daí, nas minhas férias, acabou a alegria e vieram as conversas de muito amor e muita saudade, pelo marido e pelo filho que já não estavam entre nós. Voltou a tristeza àquela casa, e eu dei conta da mudança. Também senti a falta deste meu tio. Era a minha referência, o meu herói em tempo de férias...
 
Sempre achei que contar e ouvir histórias de vida, ou da carochinha, ou outras, pela noite dentro, tenha contribuído para desenvolver a nossa imaginação e empatia e que as conversas à fogueira tenham mesmo estimulado a evolução das nossas capacidades cognitivas, sociais e culturais. À noite, as pessoas descontraíam, acalmavam e procuravam entretenimento. Era um momento universal para formar laços, difundir informação social e partilhar emoções. 

Era assim, há 50 anos... casas plenas de acontecimentos e de vida.
Não tínhamos TVs em casa dos avós, nem Ipads, nem Iphones, nem PCs... mas só ganhámos com isso, porque tínhamos outras coisas que não custavam dinheiro, mas não tinham preço...
Agora, o trabalho e o lazer estendem-se pela noite dentro, em casa, em frente a um computador. Os avós nos lares, os pais sem tempo, os filhos ... 
O que acontecerá às relações?!...

sexta-feira, novembro 23, 2012

O meu PAI - anos 50. . .

 O meu pai, visto pelos olhos de um amigo.


No seu Fiat... qual galã de Hollywood!!!

Foi de facto um homem único no lugar e no tempo!
Como o admiro, na sua tenacidade, no seu querer ir mais além no conhecimento, apesar do ermo solitário, embora lindo em que vivia (Alcaria Alta), colmatado pela experimentação eloquente e por vezes perigosa das "engenhocas" de que era protagonista ímpar!
Ele era um verdadeiro Miguel Ângelo naquele sítio! 
Foi o primeiro a adquirir um rádio, que os mais velhos e mais novos (como eu) aproveitávamos para ouvir, enquanto saboreávamos um copito da aguardente que, entretanto, destilava no alambique; como relojoeiro exímio que tb era, deliciávamo-nos a observar aquela variedade de relógios sobre a bancada; as primeiras quadras de António Aleixo foram exibidas por ele lá no Monte; o primeiro gravador, já em Alcoutim, decifrava algumas fitas magnéticas que militares, como eu, enviávamos lá da guerra, para a família (não havia telemóveis...); a primeira bicicleta com motor adaptado, com mudanças semelhantes às de um automóvel (dela caiu algumas vezes) atravessou o rossio, conduzida por ele; belos tecidos artesanais confecionava naquele tear, como distinto tecelão que foi no concelho de Alcoutim etc. etc etc.
A última vez que o vi foi em Loulé, quando me desloquei de Lisboa e aproveitei para trabalharmos ambos, na sua oficina improvisada, na execução de um aerogerador o qual, possivelmente, ainda deve estar a girar lá no quintal em Loulé, onde vivia ultimamente...
Grande Homem, o meu primo João Baltazar, que ainda hoje continua presente como ontem!
OBRIGADO, Sebastião por me mostrares o meu PAI nos anos 50...  
No blogue AlcoutimLIVRE o Sr José Varzeano havia de complementar esta tua narrativa, mostrando-me como era JBG nos anos que se seguiram!!! É um privilégio poder contar com as vossas memórias mais recônditas.
Adoro conhecer o meu pai aos vossos olhos.
Beijinho e bem hajas.
Maria Odili@

quinta-feira, novembro 22, 2012

No Nordeste, antigamente...

O dia estava chuvoso e feio, mas foi bastante agradável. De regresso passei pelo monte e embrenhei-me pela freguesia de Vaqueiros rumo ao concelho de Castro Marim.
Não conhecia esta estrada nem outras que partem de Vaqueiros, pela serra abaixo, até ao litoral. Estamos tesos e sem dinheiro, mas estou como diz o outro: ficámos com a obra feita!!! As populações do interior serrano bem precisavam destas vias de comunicação.
Em Alta Mora "conheci o salão de baile" onde íam dançar os rapazes de Alcoutim. Nós, as raparigas, não tínhamos essa sorte. Já era outro concelho e os tempos eram outros...Ficávamos roídinhas de inveja porque as outras íam ter, de mão beijada, os moços mais lindos das redondezas, que eram os "nossos", e nós... tristinhas até ao regresso deles. A não ser os da nossa terra só tinhamos permissão para ir ao baile das Quatro Estradas... a 8 km.
Portanto " conheci o baile" com 40 anos de atraso...
O que foi um salão de baile é hoje uma moderna habitação. Nada a fazer lembrar os tempos idos, apenas a recordação persiste nas memórias de cada um.

Como tenho uma imaginação prodigiosa, fecho os olhos e visualizo tempos idos... 
A noite é escura como breu. Aqui e ali, balanceiam alguns lampiões, ao sabor dos passos de quem os transporta. Vejo raparigas chegarem ao baile acompanhadas da mãe, da tia ou de uma vizinha de confiança, que também traz a filha - é preciso manter o cerco apertado, estar vigilante pois há o perigo de o atacante/rapaz desferir o golpe na presa/rapariga ao mais pequeno descuído... 
Já na sala do baile, rapazes e  raparigas sem conta, (pois era o tempo em que os casais faziam filhos com fartura), rodopiam ao som de uma valsa.
No palco improvizado, o acordeonista faz o que uma orquestra inteira não consegue fazer hoje - chama à pista dezenas de pares logo aos primeiros acordes... (Hoje, a sua maioria encosta ao balcão e bebe)...
De repente, o Petromax avaria-se ou alguém provoca um apagão... (às vezes acontecia, aliás, muitas vezes acontecia)...  A felicidade é total, ouve-se um burburinho de contentamento na pista,  as vigilantes levantam-se aflitas e de coração acelerado, chamam por esta e por aquele..., mas nada podem fazer.
A sala fica por momentos na escuridão.  Dá-se azo aos prazeres proibidos que não eram NADA a comparar com o que se faz hoje, de luz acesa.
Alguns rapazes,  os de menos sorte e muita inveja, acendem isqueiros aqui e ali e lentamente a sala ilumina-se e o problema também, rapidamente, se resolve.
A chuva e o vento acalmaram e é hora de descer à terra...

Estou cada vez mais presa à simplicidade do Nordeste algarvio... pudesse eu e ficava lá, sempre. Assentava arraiais na calma e no sossego...e só vinha à cidade matar saudades da família.

quinta-feira, novembro 15, 2012

Ficou-vos na memória?!...

 
Esta foto poderá chamar a v/ atenção pela figura que saúda a população... mas o que chamou a minha atenção foi a janela do meu quarto, mesmo em frente, com a colcha pendurada!!!
Dali eu via tudo e, como costumo dizer, da janela do meu quarto eu via a Praça pulsar...
Devem ter-se passado uns 50 anos...
 
Mais uma foto das centenas que guardo... esta foto é histórica, embora não gostemos de recordar estas figuras, foi um dia importante para a vila.
Inaugurava-se a energia electrica...
 
Aguardava-se chegada do Almirante numa Curveta da Marinha Portuguesa...
Eu estava por ali, com todos os meus colegas, no meio da multidão. Decerto vestida a rigor, sapato de verniz preto com presilha, meias brancas arrendadas qua a minha mãe fazia tão bem e tranças com laçarotes nas pontas a condizer com o vestido.
A professora a dar as ultimas instruções e nós a acenarmos com as bandeiritas nas mãos... deveríamos comportar-nos bem e fazer tudo direitinho. Vinha visitar-nos Sua Exª o Presidente da República Portuguesa - o mais alto cargo da nação - aquele senhor vestido de branco, que víamos na parede  da sala de aula, ao lado de outro Sr de nariz grande que vestia um fato escuro... No meio de ambos um crucifixo... todos sabíamos bem quem eram e aguardávamos, expectantes.
Éramos crianças e tudo nos fazia felizes. Nós queríamos lá saber do que se passava fora dali, em Lisboa ou no resto do mundo!....
O nosso mundo era aquele, era restrito, mas era fantástico. A banda tocava, as ruas estavam engalanadas, nas janelas esvoaçavam as colchas, os GNR e GF vestiam as fardas de gala... Era dia de festa e ponto final...
 

segunda-feira, novembro 12, 2012

Momentos...


I - Estas tranças eram o meu encanto. Às vezes a minha mãe esmerava-se e colocava-lhes nas pontas uns laçarotes a dar com a roupa. Todas as manhãs antes de abalar para a escola era isto e mais o resto... Eu a choramingar com os repelões que me dava e a minha mãe à pressa para eu chegar a horas... Compreendo o porquê de as cortar quando o benjamim da familia chegou... Era o tempo em que ninguem perguntava a nossa opinião e a gente limitava-se a obedecer... Chorei rios de lágrimas...
Ainda as guardo... Aos 7 anos.

II - O corte que menos trabalho dava a pentear... Ganhaste um mano, Maria Odília, há tanto desejado, mas perdeste as trancitas, à conta da falta de tempo da mamã, a partir daí... Aos 8 anos. 

III - Sentada num dos bancos da Capela... com os meus adorados chinelos de Borboleta que escorregavam, escorregavam...
Ainda dei umas escorregadelas valentes, nas polidas calçadas de Alcoutim... e alguns " "bate-cús", certamente.
Aos 10 anos.

IV - A moderna mini saia na década de 60... quando os rapazes já começavam a reparar na miúda do café... Tenho outra neste local, mas com a Gracinha ao lado, a ver se ela não se importa que a coloque aqui... há que pedir permissão primeiro.
Aos 15 anos.


V - Irradiando alegria!!!
Ainda hoje é assim. Podem tirar-me tudo - encolher-me o ordenado, subir-me o IRS, mais o IVA e o IMI - mas nunca me tirarão os sonhos nem a alegria de viver!!!
Aos 17 anos.


O espólio é grande!... Com o tempo, vou colocando mais.